This One Is Mine (Maria Semple)

thisoneNada como a leitura de um outro título do mesmo autor para entender o que fez com que você gostasse tanto da primeira leitura. Estava dando uma sondada aleatória na Amazon, vi uma capa num padrão familiar e “Uou, livro novo da Maria Semple?”. Bom, não é novo. É anterior ao Cadê você Bernadette?, mas essa edição nova chegou no fim de agosto e tem a tal da capa que comentei (e que ilustra esse post).

This One Is Mine foi o primeiro livro da Maria Semple, publicado em 2008. Pelo que eu entendi, marcou um pouco a transição da carreira dela de roteirista de séries de TV para escritora. É um primeiro livro, deve ser avaliado como tal e blablabla, mas meudeus, que decepção.

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Uma mensagem dos deuses dos livros

Eu sei que quase não atualizo aqui e que deveria aproveitar o raro tempo livre que encontro para falar de algo relevante, mas é que hoje eu definitivamente tive uma prova de que os deuses dos livros estão mandando uma mensagem para mim. A mensagem: LEIA STONER.

Não sei sobre o seu, mas o meu deus literário tem a forma da Tilda em Only Lovers Left Alive.
Não sei sobre o seu, mas o meu deus literário agora tem a forma da Tilda em Only Lovers Left Alive.

Ok, do começo, sinal número um. Estava lá na Amazon no meu velho esqueminha de “Customers Who Bought This Item Also Bought” buscando algo meio parecido com Dept. of Speculation porque (como visto no episódio anterior) eu adorei o livro. Eis que entre as ‘n’ opções (algumas que eu já tinha lido, outras que já estão no kindle mas não estou bem no momento certo para ler) aparece um tal de Stoner, de John Williams.

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Sim, inverno, estamos vivos*

isoldeohlbaumcats1Começo dizendo que é só uma fase, que um dia eu volto ao normal e escrevo posts longos e detalhados sobre cada livro que estou lendo. Mas entenda: há um ser humano novo em folha aqui em casa que depende quase que totalmente da minha atenção (e dos meus peitos). Tenho lembrado muito de uns trechos de Tipos de perturbação da Lydia Davis, especialmente este:

Você se acostuma a não terminar nada. Por exemplo, o bebê está olhando fixo para uma bola vermelha. Você está na pia lavando uns rabanetes bem grandes. O bebê começa a se agitar quando você acabou de lavar quatro e ainda faltam oito.

O que significa que comecei este post já achando que não vou terminá-lo.  Ou que escreverei aos poucos, em pedacinhos. Essa coisa de escrever aos poucos lembra uma história que contam sobre a carta que o Wilde escreveu para o Bosie enquanto estava na cadeia (sim, a que virou o De Profundis), que ele recebia uma quantidade limitada de papel e que tudo que ele escrevia era recolhido no fim do dia, mas mesmo assim ele conseguia manter a coesão do texto, começando um novo trecho da carta no papel novo exatamente onde tinha parado no dia anterior. Moral da história: não sou Oscar Wilde, então espera um post meio sem sentido.

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No qual eu finalmente atualizo o blog

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Quase três semanas sem atualizar, acabou que até o aniversário de 11 anos do Hellfire passou batido e eu acabei de clicar em “Justificar” e pensei como seria legal se ao clicar nesse botão aparecesse uma justificativa automática, mas divago. O fato é que desde que o Hellfire é Hellfire eu sempre tive problemas para escrever enquanto minha cabeça estava em outro lugar. No momento só penso no Augusto, nos últimos detalhes que faltam para a chegada dele. Então sento aqui, penso em como preciso dizer que O Grande Hotel Budapeste é lindo, falar mais um pouco sobre Penny Dreadful ou sobre os livros que estou lendo e bem, como deve ter dado para reparar, o rascunho vai para a lixeira ou nem existe. Mããããs…

… eu preciso deixar anotado aqui uma coisa ou outra sobre os livros. Aquela história que vivo dizendo: não confio muito na minha memória. Tenho uma tendência horrível de achar tudo muito melhor ou muito pior do que realmente achei depois de um tempo. Com o registro, pelo menos a opinião de quando li algo não se perde. Acho.  Então é isso, atualizando agora com umas rapidinhas sobre as leituras da metade de junho para cá.

(Se você pensar bem, parei de atualizar tão logo começou a Copa. Será que estou usando Augusto de desculpa para minha sem-vergonhice? Pior que nem tem como saber: é provável que o guri chegue bem na final)

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A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert (Joël Dicker)

averdadeUm novo livro, Marcus, é uma nova vida que começa. É também um momento de grande altruísmo: você oferece, a quem estiver disposto a conhecer, uma parte sua. Alguns vão adorar, outros, detestar. Alguns vão tratá-lo como celebridade, outros, desprezá-lo. Alguns sentirão inveja, outros, terão interesse. Não é para eles que você escreve, Marcus. E sim para todos aqueles que, graças a Marcus Goldman, terão tido um bom momento em seu dia a dia. Você me dirá que isso não é nada de mais e, não obstante, já é muito. Alguns escritores querem mudar o mundo. Mas quem realmente pode mudar o mundo?

A citação acima, um dos vários ensinamentos do professor Quebert para o jovem Marcus Goldman, aparece em um momento já avançado do romance A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert (que saiu recentemente aqui no Brasil pela Intrínseca). Na hora que bati os olhos nessa fala imediatamente pensei na recepção que esse livro vem tendo desde que foi lançado. Como previsto por Quebert, tem quem adore e tem quem odeie. E como em quase todos os casos de livros que despertam opiniões tão contrárias, acho que pelo menos no caso do ódio o romance de estreia de Dicker foi meio que vítima do hype.

Olha, é óbvio que um autor publicado deseja que sua obra seja lida pelo maior número de pessoas. O problema é que quanto maior o número de pessoas “lendo para saber o motivo de tanta gente estar falando desse livro”, parece que a expectativa sobre o conteúdo da obra aumenta. Como se existisse uma relação direta entre qualidade e pessoas falando do livro, ou números de exemplares vendidos (o fato de noticiarem que A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert desbancou Cinquenta Tons de Cinza do topo das listas de mais vendidos parece já falar bem alto sobre como não existe esse tipo de relação, certo?). Resultado: muita gente lendo o livro como se Dicker fosse o próximo nome a ser cogitado para o Nobel, quando na realidade aquela citação que abre o post já indica muito bem qual o caminho que ele quer tomar ao escrever esta ficção: te oferecer um momento de distração no seu dia. Só.

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Sete dias sem fim (Jonathan Tropper)

setediasJá devo ter comentado por aqui de como quando estou sem ideia sobre o que ler uso aquele “users who bought this also bought this” na Amazon1 de livros que gostei para ver se acho outra coisa bacaninha, certo? Bem, um título que aparecia bastante era o This Is Where I Leave You, do Jonathan Tropper. Publicado lá fora em 2009, e chegando no Brasil pela Arqueiro como Sete dias sem fim no ano passado, pela sinopse ele parecia ter um jeitão meio “nickhornbyesco“, digamos assim.  E eu ia lá enrolandinho e deixando para ler outra hora, até que vi o trailer da adaptação que está para sair em setembro deste ano, e sabe aqueles filmes que só pelo elenco você já assistiria? Pois é. Então porque eu não gosto de ler o livro depois de ver o filme, acabei jogando para o começo da fila.

Negócio é: Sete dias sem fim é o equivalente literário de comédia com famílias disfuncionais que vemos no cinema ou na TV. Enquanto o narrador (Judd Foxman) ia descrevendo os irmãos, a relação com os pais e afins, pensei em um punhado de histórias similares. Pega um bocadinho de Six Feet Under, mistura com uma pitadinha de Os excêntricos Tenenbaums, um tantico de Os Simpsons e por que não um punhado de Pequena Miss Sunshine? Mais ou menos assim.  Então sim, você terá aquela sensação de já ter “visto esse filme”, mas veja bem: eu acho que o tanto de histórias já contadas sobre famílias assim só é grande porque se for ver bem, famílias-modelo são a exceção, não o contrário. Então é um tema tão comum que talvez a familiaridade que você venha a sentir com algumas personagens seja grande não por causa de filmes, mas por causa de pessoas reais que você conheça (lá em casa tínhamos uma piada sobre uma família perfeita que chamávamos de “Os Flanders”, sempre nos referíamos a eles desse jeito. Obviamente nos víamos como “Os Simpsons”).

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  1. e agora graças ao Stephen Colbert eu jamais clicarei nessas opções sem visualizá-lo fazendo isso aqui []
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Condenada (Chuck Palahniuk)

Condenada-CapaQuando fui pesquisar sobre Condenada de Chuck Palahniuk (livro que saiu pela Leya aqui no Brasil no ano passado), fiquei um tanto surpresa ao descobrir que ele tinha começado a escrever a história como uma forma de lidar com a morte da mãe. Ok, ele repete incontáveis vezes a ideia de que morrer todos nós vamos mesmo (não importa quantas horas passe na academia, se abre mão do açúcar e só coma orgânicos), e isso me parece até algo saudável para se agarrar no momento da morte de um ente querido. Por outro lado, como é que ele conseguiu manter tamanho senso de humor com algo tão triste?

Porque dos três livros do Palahniuk que li até o momento (O Clube da Luta, Assombro e agora Condenada), esse foi de longe o mais engraçado. Insano os três são, cada um de um jeito completamente diferente. Mas engraçado ao ponto de você estar rindo com alguma passagem para lá de absurda envolvendo uma noção bem errada da palavra “malho”? Definitivamente não.

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Um pandemônio.