Jackaby (William Ritter)

20312462A primeira vez que li algo sobre Jackaby foi no Tumblr, o que não é exatamente uma surpresa, considerando como determinados fandoms parecem se concentrar por ali. Digo isso porque o livro parece ser feito para agradar alguns grupos de fãs. Assim: para definir Jackaby, pegue um tico de Sherlock, misture com um pouco de Doctor Who, pinga aqui e ali um tanto de Supernatural e voilà!

E eu sei que isso poderia dar errado de várias formas, mas caramba, como Jackaby é divertido. Gostoso tipo a sensação de rever O Enigma da Pirâmide na Sessão da Tarde1. É daquele tipo de história que você até percebe como previsível, mas ao invés de se deixar levar pelo cinismo já esperado de quem tem horas e horas acumuladas de leituras de livros de detetive, dá de ombros porque no final das contas o caminho está tão legal que não importa muito o destino.

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  1. eles ainda passam O Enigma da Pirâmide na Sessão da Tarde? Deveriam. []
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Last Things (Jenny Offill)

lastthings_newcover(Depois de terminar o post percebi que ele está cheio de informações sobre o enredo que talvez tenham mais graça se forem lidas no momento certo. É meio que o mal de querer escrever impressões sobre a leitura, e não necessariamente tentar convencer alguém a ler o livro. Não que este seja um blog de literatura. Ah, enfim. Spoilers. Leia o post se isso não for problema para você, etc.)

Eu ainda penso em fazer uma releitura de Dept. of Speculation para então escrever um post aqui porque não, eu não me conformo que um dos meus livros favoritos do ano passado acabou ficando sem post. Faz falta aquele link maroto para estabelecer a relação inicial, ou pelo menos para explicar porque fiquei tão animada quando vi na Amazon um “pre-order” para o dia 17 de março do livro Last Things, da mesma autora.

Só para evitar a confusão: a obra não é nova. É romance de estreia da Offill, publicado originalmente em 1999. Depois de Last Things, a autora passou uns tempos escrevendo livros infantis para só no ano passado voltar ao romance com o Dept. of Speculation. São 15 anos entre um e outro, mas mesmo assim você consegue pescar características que apontam o que seria o estilo da escritora, a começar aquela mistura da narração com curiosidades e anedotas.

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É conversa ribeira das águas de março (Ou: Filmes que assisti em março)

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E lá se foi o mês de março. Vusssh. Poucos filmes, mais porque chega tarde da noite e eu só quero café é dormir e eu não sei sobre vocês, mas meu interesse por alguns títulos parecem ter prazo de validade, porque depois eu dou uma olhada nas opções do que assistir e penso “Por que diabos estava interessada nesse aqui mesmo?”. É estranho. Por outro lado tem lá um caso ou outro que fico tão, mas tããão curiosa que eu só sossego quando finalmente assisto, tipo A Girl Walks Home Alone At Night, que uhuuu consegui ver este mês. Mas divago. Vamos aos comentários? Opa, vamos.

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iZombie

izombieEu poderia estar com Better Call Saul em dia, poderia ter terminado a primeira temporada de Constantine e começado a segunda de Hemlock Grove, mas aqui estou eu, conferindo mais uma série de zumbis. E sabe, dois episódios ainda não bastam para afirmar com toda certeza, mas o negócio é que eu curti o que vi até agora.

Criada por Rob Thomas (não o do Matchbox 20, o da série Veronica Mars) iZombie é basicamente um mexidão do que se tem na tv atualmente. Sabe, como se as séries mais populares tivessem todas se unido e formando um megazord ou coisa assim. É baseada em HQ, passa na CW, envolve investigações e “o caso do dia”, tem humor, tem drama, tem casal para shippar e sim, o óbvio, tem zumbi. Não vou ficar surpresa se de repente do nada aparecer um dragão na tela. Na falta de tempo para ver de tudo, de repente investir em iZombie pode ter sido uma boa escolha.

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Station Eleven (Emily St. John Mandel)

StationElevenHCUS2Apesar de todo o barulho sobre Station Eleven, eu tinha lá um certo pé atrás com o título. Futuro pós-apocalíptico? DE NOVO? Séééério? Por isso nunca engrenava muito além dos primeiros parágrafos, descrevendo uma apresentação de Rei Lear no que eu imaginava já ser esse futuro. Mas quando finalmente engatei a leitura, só pela quebra de expectativas a Emily St. John Mandel já conquistou minha confiança para seguir em frente até o fim.

Acontece que a tal da apresentação se passa no que seriam os dias de hoje, é anterior ao evento que praticamente apaga a humanidade do mapa. Um ator famoso sofre um ataque cardíaco enquanto encenava Rei Lear, é acudido por um cara obviamente meio perdido na vida (mas que naquele momento decide que quer ser paramédico) chamado Jeevan. Está seguindo tudo dentro do esperado, nada demais, mesmo que o ponto de partida não seja como dos outros livros – até que no capítulo seguinte, quando após o brinde ao ator falecido feito por membros da companhia de teatro vem esta frase:

“Of all of them there at the bar that night, the bartender was the one who survived the longest. He died three weeks later on the road out of the city.”

PAM, PAM, PAAAAAM!! (Insira aqui a imagem do “That escalated quickly“). Então que fique claro desde já: essas frases com pequenas noções das proporções assustadoras da nova realidade vivida pelas personagens é uma constante durante todo o romance. St. John Mandel poderia se demorar descrevendo todo um cenário de fim do mundo, como livros no estilo costumam fazer. Mas ela economiza nesse ponto, deixa o leitor criar uma falsa sensação de segurança, de “nem é tão ruim assim” para então chegar com um punhado de frases como essas que servem quase como uma marretada e nos colocam de novo nos eixos: nada mais é como costumava ser.

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The Days of Abandonment (Elena Ferrante)

saysofAntes de começar a falar sobre The Days of Abandonment acho que cabe falar um pouco sobre a autora, a italiana Elena Ferrante. Ainda um pouco fora do radar dos leitores brasileiros (o que é justificável, já que ainda não há tradução de seus livros por aqui), lá fora ela já conseguiu inclusive um espaço de respeito até mesmo na crítica anglófona (não sei para vocês, mas para mim um escritor de língua latina ganhando espaço por lá ainda é algo meio raro).

De qualquer forma, o que mais se fala sobre Ferrante é que ninguém sabe quem é Elena Ferrante. Palpites aqui e acolá, mas nada definitivo. Reza a lenda que no início da carreira ela já chegou dizendo para a editora que não participaria de qualquer evento de publicidade relacionado ao livro:

“I’ve already done enough for this long story: I’ve written it. (…) If the book is worth something, it should be enough. I will not participate in debates and conferences, if I am invited. I will not go to accept prizes, if I am given any. I will never promote the book, above all on television, in Italy or, should the need arise, abroad. I will only participate through writing, but I will also try to keep this to the bare minimum.”

O que não deixa de ser um tico presunçoso, eu sei, mas ao mesmo tempo não dá para deixar de pensar que ela tem razão. E que bom que ela pode se dar ao luxo de continuar escrevendo e sendo publicada e traduzida sem ter que investir em publicidade, embora vá lá, a própria reclusão acaba virando um tipo de propaganda, caso contrário eu não teria gastado quase 300 palavras só para comentar sobre a autora.

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Suíte em quatro movimentos (Ali Smith)

suiteNão sou pessoa do tipo que acredita em magia. Mas acho que livros têm, em alguns casos, um poder de encantamento, quase um feitiço. Poderia dizer que isso se dá pela escolha das palavras, pelo ritmo – mas aí no caso das traduções, o efeito acabaria, não? Então não é isso. Só sei que vez ou outra cai um livro em minhas mãos e penso “Ok, esse é diferente”. É quando você se envolve de tal maneira com a leitura que nem percebe o tempo passar. Quando nada do “mundo de fora” parece te distrair, quando você quer logo voltar para dentro daquele mundo tão logo o abandona para executar as tarefas mais triviais (como, ahn, comer e dormir).

Com Suíte em quatro movimentos de Ali Smith foi assim – e tenho certeza que eu não fui a única a ficar encantada. Conheço pelo menos mais duas pessoas que falaram sobre terem lido a primeira e a segunda parte de um dia para o outro (o que é uma porção considerável do livro).

E aí quem chega aqui pensa “Mas nossa, deve ser uma história extraordinária certeza que eu vou amar também!” e beeeeem, não é por aí. Não acho que seja o tipo de leitura que agradará todo tipo de leitor porque, apesar do inusitado do enredo – em um jantar um convidado sobe e se tranca no quarto de hóspedes, se recusando a sair- é um daqueles livros que muita gente reclamaria que não gostou porque “nada acontece”.

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