The Book of Strange New Things (Michel Faber)

strange(Tentei falar sobre Aniquilação sem revelar spoilers e lembrei a razão para eu escrever meus posts com spoilers. Muito chato e no fundo você nunca chega a colocar de forma clara o que gostou/incomodou, porque tem que ficar saltando aqui e acolá para evitar o tal do spoiler. Enfim, fica o aviso: este post tem spoilers.)

Se fosse possível fazer algo assim sem qualquer prejuízo eu adoraria poder separar alguns livros em duas partes. The Book of Strange New Things, por exemplo. Tem algo ali que seria um livro “uou, que foda, vocês precisam ler!”, mas também tem aquela série de torcidas de nariz que acabam esculhambando um pouco a coisa, ao ponto de você nem poder mandar aquela famosa frase de resenha de blog literário “mas esses pontos não estragam o todo”. Estragam sim. Mas estou me adiantando, só para variar.

Lançado lá fora em outubro do ano passado (e ainda sem tradução por aqui), The Book of Strange New Things tem uma premissa interessante: um novo planeta está sendo colonizado e Peter é chamado para, hum, “catequizar” os nativos. Você sabe, meio nos esquemas europeus chegando nas Américas. O negócio é que a esposa de Peter (Beatrice) não é selecionada para acompanhá-lo na missão, e ele é daqueles caras que ficam meio sem chão quando a mulher (que aparentemente cuidava de todos os aspectos práticos de sua vida) fica assim tão longe, podendo se comunicar basicamente através de e-mails (no livro o nome da ferramenta usada por eles é ‘Shoot’).

Continuar lendo The Book of Strange New Things (Michel Faber)

Send to Kindle

Aniquilação (Jeff VanderMeer)

1-aniquilação(Eu juro que me esforcei para segurar os spoilers, caso você acabe tropeçando em um, desculpa, mas eu ainda acho que livro bom é livro que resiste aos plot twists e qualquer outro tipo de informação adiantada, e olha, certeza que Aniquilação sobrevive. Ah sim, e antecipadamente já peço desculpas para quem acha que trilogia/série só se avalia depois que todos os volumes já foram lidos. Fuéééém.)

Já tinha visto algo sobre Aniquilação aqui e acolá, mas ele acabou atraindo minha curiosidade ao derrotar o Dept. of Speculation no ToB deste ano (Spoiler: nenhum dos dois foi para frente, o vencedor desta edição foi o Station Eleven). Sabe como é, gostei demaaaaais do livro da Offill, então mesmo dando o benefício da dúvida (sabe como é, visão subjetiva, o que toca uma pessoa pode não dizer nada para outra, etc) ainda assim você fica com a ideia de que só poderia ser um livro acima da média. E é. [birra]Só não é melhor que Dept. of Speculation[/birra].

Mas sei lá, aqui não sou obrigada a comparar banana com alface só porque são do reino vegetal, então vamos deixar as comparações de lado. Porque são livros distintos, que atraem públicos diferentes, no final das contas. A começar, Aniquilação é um livro de terror. Você pode colocar lá mais ‘n’ gêneros, subgêneros, rótulos ou o que for, mas essencialmente, Aniquilação é um livro de terror. E é uma aula sobre como fazer terror em literatura.

Continuar lendo Aniquilação (Jeff VanderMeer)

Send to Kindle

Jackaby (William Ritter)

20312462A primeira vez que li algo sobre Jackaby foi no Tumblr, o que não é exatamente uma surpresa, considerando como determinados fandoms parecem se concentrar por ali. Digo isso porque o livro parece ser feito para agradar alguns grupos de fãs. Assim: para definir Jackaby, pegue um tico de Sherlock, misture com um pouco de Doctor Who, pinga aqui e ali um tanto de Supernatural e voilà!

E eu sei que isso poderia dar errado de várias formas, mas caramba, como Jackaby é divertido. Gostoso tipo a sensação de rever O Enigma da Pirâmide na Sessão da Tarde1. É daquele tipo de história que você até percebe como previsível, mas ao invés de se deixar levar pelo cinismo já esperado de quem tem horas e horas acumuladas de leituras de livros de detetive, dá de ombros porque no final das contas o caminho está tão legal que não importa muito o destino.

Continuar lendo Jackaby (William Ritter)

  1. eles ainda passam O Enigma da Pirâmide na Sessão da Tarde? Deveriam. []
Send to Kindle

Last Things (Jenny Offill)

lastthings_newcover(Depois de terminar o post percebi que ele está cheio de informações sobre o enredo que talvez tenham mais graça se forem lidas no momento certo. É meio que o mal de querer escrever impressões sobre a leitura, e não necessariamente tentar convencer alguém a ler o livro. Não que este seja um blog de literatura. Ah, enfim. Spoilers. Leia o post se isso não for problema para você, etc.)

Eu ainda penso em fazer uma releitura de Dept. of Speculation para então escrever um post aqui porque não, eu não me conformo que um dos meus livros favoritos do ano passado acabou ficando sem post. Faz falta aquele link maroto para estabelecer a relação inicial, ou pelo menos para explicar porque fiquei tão animada quando vi na Amazon um “pre-order” para o dia 17 de março do livro Last Things, da mesma autora.

Só para evitar a confusão: a obra não é nova. É romance de estreia da Offill, publicado originalmente em 1999. Depois de Last Things, a autora passou uns tempos escrevendo livros infantis para só no ano passado voltar ao romance com o Dept. of Speculation. São 15 anos entre um e outro, mas mesmo assim você consegue pescar características que apontam o que seria o estilo da escritora, a começar aquela mistura da narração com curiosidades e anedotas.

Continuar lendo Last Things (Jenny Offill)

Send to Kindle

É conversa ribeira das águas de março (Ou: Filmes que assisti em março)

789956

E lá se foi o mês de março. Vusssh. Poucos filmes, mais porque chega tarde da noite e eu só quero café é dormir e eu não sei sobre vocês, mas meu interesse por alguns títulos parecem ter prazo de validade, porque depois eu dou uma olhada nas opções do que assistir e penso “Por que diabos estava interessada nesse aqui mesmo?”. É estranho. Por outro lado tem lá um caso ou outro que fico tão, mas tããão curiosa que eu só sossego quando finalmente assisto, tipo A Girl Walks Home Alone At Night, que uhuuu consegui ver este mês. Mas divago. Vamos aos comentários? Opa, vamos.

Continuar lendo É conversa ribeira das águas de março (Ou: Filmes que assisti em março)

Send to Kindle

iZombie

izombieEu poderia estar com Better Call Saul em dia, poderia ter terminado a primeira temporada de Constantine e começado a segunda de Hemlock Grove, mas aqui estou eu, conferindo mais uma série de zumbis. E sabe, dois episódios ainda não bastam para afirmar com toda certeza, mas o negócio é que eu curti o que vi até agora.

Criada por Rob Thomas (não o do Matchbox 20, o da série Veronica Mars) iZombie é basicamente um mexidão do que se tem na tv atualmente. Sabe, como se as séries mais populares tivessem todas se unido e formando um megazord ou coisa assim. É baseada em HQ, passa na CW, envolve investigações e “o caso do dia”, tem humor, tem drama, tem casal para shippar e sim, o óbvio, tem zumbi. Não vou ficar surpresa se de repente do nada aparecer um dragão na tela. Na falta de tempo para ver de tudo, de repente investir em iZombie pode ter sido uma boa escolha.

Continuar lendo iZombie

Send to Kindle

Station Eleven (Emily St. John Mandel)

StationElevenHCUS2Apesar de todo o barulho sobre Station Eleven, eu tinha lá um certo pé atrás com o título. Futuro pós-apocalíptico? DE NOVO? Séééério? Por isso nunca engrenava muito além dos primeiros parágrafos, descrevendo uma apresentação de Rei Lear no que eu imaginava já ser esse futuro. Mas quando finalmente engatei a leitura, só pela quebra de expectativas a Emily St. John Mandel já conquistou minha confiança para seguir em frente até o fim.

Acontece que a tal da apresentação se passa no que seriam os dias de hoje, é anterior ao evento que praticamente apaga a humanidade do mapa. Um ator famoso sofre um ataque cardíaco enquanto encenava Rei Lear, é acudido por um cara obviamente meio perdido na vida (mas que naquele momento decide que quer ser paramédico) chamado Jeevan. Está seguindo tudo dentro do esperado, nada demais, mesmo que o ponto de partida não seja como dos outros livros – até que no capítulo seguinte, quando após o brinde ao ator falecido feito por membros da companhia de teatro vem esta frase:

“Of all of them there at the bar that night, the bartender was the one who survived the longest. He died three weeks later on the road out of the city.”

PAM, PAM, PAAAAAM!! (Insira aqui a imagem do “That escalated quickly“). Então que fique claro desde já: essas frases com pequenas noções das proporções assustadoras da nova realidade vivida pelas personagens é uma constante durante todo o romance. St. John Mandel poderia se demorar descrevendo todo um cenário de fim do mundo, como livros no estilo costumam fazer. Mas ela economiza nesse ponto, deixa o leitor criar uma falsa sensação de segurança, de “nem é tão ruim assim” para então chegar com um punhado de frases como essas que servem quase como uma marretada e nos colocam de novo nos eixos: nada mais é como costumava ser.

Continuar lendo Station Eleven (Emily St. John Mandel)

Send to Kindle