Melhores Leituras de 2025

Cena da série Station Eleven (HBO) que se você ainda não assistiu, deveria assistir.

Acho que nessa altura já estão saindo as listas de livros para ler em 2026 e eu ainda não fiz a minha lista de melhores leituras do ano passado. A real é que tenho um post it com os dez favoritos grudado no computador desde dezembro do ano passado, mas tenho também uma alma procrastinadora, dizer o que.

Enfim, 2025 foi um ano de boas leituras, mas ao mesmo tempo que anima encontrar ótimos livros (e conhecer novos autores), entrei 2026 um tanto desanimada com o cenário atual. Não por causa *aponta para tudo que está acontecendo agora* de tudo isso aí, mas mais porque parece cada vez mais claro que perdemos a luta contra a IA.

Um exemplo é o que é comentado nesse vídeo aqui, sobre a HarperCollins gringa começando a usar IA para tradução. Se um casa editorial grande como a Harper está apostando, tenha certeza que ela não será a única. E se você, pequeno gafanhoto amante de IA acha que “tanto faz, e olha que legal, se não tiver que pagar tradutor talvez o livro fique mais barato” (spoiler: não ficará, digo isso como alguém que achava que ebooks teriam preços mais baixos e não foi o que aconteceu) ou que “IA é inevitável, tem que se acostumar e aprender a usar” (não é) saiba que é uma perda gigante para o leitor a exclusão de um tradutor humano na processo de publicação de um livro.

Eu vou citar como exemplo um caso que vivo trazendo porque para mim foi o que mais deixou evidente a diferença que faz um bom tradutor (humano) tomando decisões (humanas) ao traduzir: a tradução de Grande Sertão: Veredas da Alison Entrekin. Tem quase dez anos do dia que cliquei no link do Word Without Borders com um trecho da tradução. “Nonought. Shots you heard weren’t a shootout, God be. I was training sights on trees in the backyard, at the bottom of the creek. Keeps my aim good.

Sem brincadeira, meu coração disparou enquanto eu lia. Acho que foi a primeira vez que li algo no caminho inverso do que sempre faço, e foi um daqueles momentos lindos em que você percebe a importância de um trabalho bem feito. Eu li aquele trechinho pequeno com a certeza de que agora sim, os gringos morreriam de inveja da gente porque conheceriam o Rosa.

Não que ele já não tivesse tradução. Uma das traduções em inglês para Grande Serão: Veredas que rolavam por aí é a de 1963, feita por Harriet de Onís e James Taylor, e embora tenha um título massa (The Devil to Pay in the Backlands), dá para sentir que era uma opção de manter mais sentido do que forma, porque aquele começo que citei ficou assim para eles: “It’s nothing. Those shots you heard were not men fighting, God be praised. It was just me there in the back yard, target-shooting down by the creek, to keep in practice. ” Se você não sabe inglês eu sei que você leu as duas versões com voz de adulto do Snoopy, mas confia em mim: as duas dizem exatamente a mesma coisa, mas na primeira a Entrekin faz uma mágica e consegue fazer um sertanejo do Rosa falando em inglês. Na segunda, é apenas uma pessoa falando em inglês.

O sentido se conserva, mas onde o Rosa brilha de verdade, no uso das palavras, fica perdido na tradução da segunda citação. E se eu falo isso é para te mostrar que se tivermos uma IA traduzindo livros, ela não fará um trabalho como o da Entrekin, porque ela não tem capacidade para isso. E isso quer dizer que você estará lendo versões pálidas de obras e nem vai pagar mais barato por isso.

A verdade é que eu queria chegar em 2026 falando coisas como “Nossa, que bonito a Charco Press que coloca os nomes dos tradutores na capa, em lugar de destaque”, mas cá estou eu precisando dizer que pode até ter um monte de função que você pode encontrar para inteligência artificial, mas nunca conte com essa tecnologia para a área criativa. E acho que é isso, fim do devaneio, vamos para os dez favoritos (lista elaborada por mim, e não por uma inteligência artificial que alucina enredo ou títulos).

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Melhores Leituras de 2024

Já começo dizendo que vou aproveitar o post das Melhores Leituras de 2024 (que no fim das contas é meu jeito de registrar as leituras favoritas do ano para ter um link fácil à mão para quando me perguntam “e aí, o que você tem lido de bom?“) para deixar a sugestão do aplicativo Bookmory.

Já tem algum tempo que falo dele em redes sociais, mas acho que o que eu não costumo ressaltar como ponto positivo é justamente o fato de NÃO SER uma rede social de livros, o que é ótimo. Eu gosto de redes sociais, eu uso redes sociais e acho que tem muito de positivo na existência delas para criarmos espaços para falar sobre livros, mas eu sinto também que falta um pouco o momento pessoal, algo para além das opiniões de terceiros.

Porque com o passar dos anos mesmo quando você se sente profundamente consciente das suas escolhas, ainda assim parece que há sempre uma nota de performance no que a gente divulga em rede social, não? Eu já me peguei escolhendo livro para ler porque tinha muita gente falando dele e queria conferir mais pelo FOMO do que qualquer outra coisa – mesmo sabendo que ele não tinha muito o perfil de livro que eu gosto. Isso para não falar dos doidos que leem livros que obviamente não vão gostar só para fazer vídeo/post/sinal de fumaça na linha “eu li livro x para que você não tenha que ler”.

Além disso, tome por exemplo também as famosas metas de leitura. Eu tenho meta de leitura acho que desde 2016. Eu gosto, mas para mim sempre foi algo lúdico, não um compromisso sério. Aí agora no final do ano no topo do Goodreads 1 tinha um link para uma lista de livros curtos para quem queria bater a meta de leitura. Aí eu te pergunto: onde fica a diversão?

Adianta ficarmos apavorados com os dados da Retratos de Leitura de 2024 se seguimos impondo uma natureza de obrigação para a leitura? Ou ainda, essa ideia de que leitura tem que ser mais do que por prazer, tem que sei lá, ser edificante, moralizante, ou qualquer outro -ante. Que a leitura tem que vir com conteúdo para te preparar para o mercado de trabalho, para ser uma boa pessoa, para ser alguém de sucesso?

Eu me pergunto de verdade se a gente espera de um filme da Marvel ou de uma série da Netflix a mesma coisa. E eu não estou diminuindo filmes da Marvel e séries da Netflix, eu estou dizendo que algumas vezes está ok só se divertir com arte, e com a leitura isso também funciona. Especialmente se você não é professor de literatura nem trabalha no mercado editorial ou com jornalismo cultural e portanto leitura nenhuma é obrigatória para você.

Enfim, vai lá amiguinho, descobre o que te faz feliz e se divirta. Por exemplo, eu abracei de vez o gênero mina branca triste, é minha praia e quando vejo um lançamento que segue nessa linha, vou sem medo de ser feliz. Até quebro a cara como no caso do Gold Rush, por outro lado passei boas horas com Piglet, Adelaide, As Irmãs Blue, As Young As This, What’s Like in Words, que só não entraram no top10 porque bem, é top10, não top15 ¯\_(ツ)_/¯.  Vamos para a lista então? Fora de ordem porque como sempre digo, já é difícil selecionar só dez.

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As melhores leituras de 2023

Ano passado eu previ que detestaria a ideia de furar a lista de melhores leituras e exatamente conforme havia previsto, eu realmente xinguei muito meu eu de janeiro de 2023 que achou que seria uma boa ideia transformar meu post de melhores leituras em uma thread de twitter. Pois voltei aqui dia desses e minha mente voou para outro tipo de lista, mas hoje eu prometo que não vou dormir até falar quais foram meus dez livros favoritos de 2023.

Para surpresa de zero pessoas que acompanham minhas leituras através de comentários aleatórios por aí, 1 foi mais um ano com mulheres dominando a lista de autores e como sempre digo: não é de propósito, é só que de um tempo para cá o que tem atraído minha atenção. Mas se você acha que precisa colocar mais mulheres nas suas listas de leituras, ficam aí sugestões. Então vamos lá para os melhores, sem uma ordem definida. Continue lendo “As melhores leituras de 2023”

Melhores Leituras de 2021

Hum. É. Aqui estou. Não estava muito animada para fazer a lista de melhores leituras do ano porque olhando para os livros que separei para o top10, uma parte achei bem boa, mas nem todos são livros que me acompanharão no futuro. Sabe, não daqueles que só de ver a capa em algum lugar ou ler algum comentário já dá aquela sensação de reencontrar um bom amigo? Algo assim.

É meio que um desânimo, não necessariamente sobre o ato de ler, mas dessa conversa que vem depois. Até com o registro que eu sempre fui super metódica acabei deixando passar alguns momentos de obsessão (o outubro dos romances góticos, por exemplo, ou o setembro das comédias românticas).

Mas eu percebi que foi a mesma coisa com os filmes, então acho que talvez seja mais algo sobre onde está minha cabeça no momento e não sobre os livros em si. Talvez por isso mesmo valha o registro, nem que seja para revistá-los em outro momento. Então, mais um ano, mais uma lista. Continue lendo “Melhores Leituras de 2021”

Melhores leituras de 2020

É estranho. Passei quase todo o ano passado falando que a pandemia tinha esculhambado minhas leituras, afetado o ritmo, etc e aí fechou o ano, fui ver as contagens lá do Goodreads e meio que bateu com minha média de sempre. Mas eu sei que afetou algumas escolhas de leitura (tendi para leituras mais leves, por exemplo), e tenho total noção que afetou a experiência de leitura também. Tenho certeza que já coloquei esse link do texto do Julián Fuks em vários lugares, mas vou citá-lo mais uma vez porque descreve exatamente meu sentimento enquanto leitora:

(…) me sinto menos capaz de me entregar por completo à leitura, de deixar que ela tome a minha mente inteira. O momento que vivemos é estridente demais, a cada instante convoca os meus pensamentos. Sinto falta, então, de uma literatura plena – e sinto falta de um passado e de um futuro que se deixem ler sem a lente do presente.

No fim das contas não é tanto sobre a quantidade de páginas ou de livros lidos, é mais como estava minha cabeça quando foram lidos. E por causa disso, fica aquela promessa de revisitar em outro momento alguns títulos, mesmo os que não apareceram entre os dez favoritos. E é isso. Então toca o play para a trilha sonora do post e vamos para a lista de 2020, que ficou assim (lembrando, títulos com link é porque já falei do livro aqui):

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As melhores leituras de 2019

Eeeee…. mais um ano que começa. Estava falando ontem no twitter, sempre que chega essa época de listas de melhores eu me empolgo porque atualizo o blog, penso que finalmente a coisa vai engrenar e vou voltar a escrever, mas aí acaba que passa mais um ano e pans, poucas atualizações.

O negócio é que em 2019 fiquei cozinhando na cabeça um problema que há tempos tenho percebido: de como abrimos mão do controle do conteúdo que criamos ao publicá-los em redes sociais. Eu continuo falando de livros como sempre falei, mas lá no twitter é vago, é breve e, o principal: não fica histórico, não fica registro. Quem me acompanha não tem uma real garantia de que lerá o que postei, porque tudo se perde numa timeline infinita e uma ferramenta de busca péssima.

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As melhores leituras de 2018

Quase chegando no final do ano, não tenho lá grandes esperanças de sequer terminar The Spoonbenders ainda em 2018, então acho que já dá para fechar a lista com segurança. Tanta coisa bacana este ano que confesso que tive que dar umas chunchadas na minha lista, incluindo duas regras novas (“não vale releitura”, “hq fica separado”), o que significa deixar de fora Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas do Machado de Assis e As Bruxas de Salém do Arthur Miller. E as hqs estão no post anterior.

Sobre os do Machado: segundo semestre fiz uma optativa maravilhosa com o professor Luís Bueno. A ideia de ler em um intervalo curto de tempo os principais romances do Machadão foi ótima, até porque te dá uma visão diferente do todo. Enfim, acabei me reapaixonando por Machado – deve ter uns 10 anos aí da última vez que li os romances, e bater os olhos no Brás Cubas logo em 2018 é um daqueles momentos mágicos do livro certo na hora certa.

(Aliás, dessa experiência tenho que dizer: é esquisito dizer que um livro é seu livro favorito depois de tantos anos e preciso urgentemente reler alguns.)

Então é isso, lista dos favoritos logo após o pulinho – não está exatamente em ordem porque afinal, separar dez já foi complicado.

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Melhores leituras de 2016

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Eita, que ano. Quase nem consigo atualizar aqui. O balanço: 2016 li menos do que gostaria (37 livros, talvez 38 se engatar o Hot Milk). Li mais livro maizomeno do que gostaria, mas tive minhas boas descobertas. Fico feliz por ter terminado o ano com pelo menos cinco livros que sei que vou continuar recomendando para todo mundo mesmo depois que passar o hype.

Então sem maiores enrolações, vamos para a lista? Vamos. Aquela coisa de sempre, sem ordem definida porque fazer a seleção já é difícil por si só e yadda yadda yadda. Comentários bem breves, título com link é porque escrevi sobre o livro por aqui.

(Ah, sim. As antigas estão aqui: 2012 | 2013 | 2014 | 2015) Continue lendo “Melhores leituras de 2016”

As melhores leituras de 2015

tumblr_nc6lmaK6F81s8rlddo1_500E láááá vai mais um ano, e láááá vai mais uma lista de melhores leituras. “Anica, por que melhores leituras e não melhores livros?“. Eu sei lá. Sinto que leitura deixa claro que é algo extremamente pessoal, uma lista com critérios totalmente subjetivos (e às vezes malucos) e assim, minha, só minha. Eu posso ler um livro que está todo mundo adorando e também gostar bastante, mas se não rola aquele TCHAN – como aconteceu com o Fates and Furies, por exemplo, o livro fica de fora.

Este ano estou elaborando a lista sem medo de deixar o último livro de 2015 de fora (porque é uma praga, todo ano sempre depois de fechar a lista eu me encanto por um livro, tipo o How to build a girl da Moran no ano passado). O negócio é que comecei a ler A Little Life e considerando o combo 700 páginas + correria de fim de ano, sei que só termino este em janeiro. Então é isso, né.

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As melhores leituras de 2014

tumblr_mstxkgqQ8B1qlb106o1_500Então, o ano já está quase no fim e muito embora eu esteja amando How to Build a Girl da Caitlin Moran, estou achando que pelo ritmo de tartaruga que peguei agora no mês de dezembro esse provavelmente será o último, então meio que já dá para fechar a lista de melhores leituras.

Ieiiiii.

Curioso que provavelmente uma mulher seja a última da lista. Comecei 2014 com uma trinca masculina (Fischer, Tolkien e Vizzini) e tudo levava a crer que seria mais um ano típico (muito homem, quase nada de mulher), aí veio a Carol Bensimon trazendo amor e abrindo o espaço para o mulherio que, como você poderá notar, dominou não só a lista de leituras em si, mas também o top5.

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