Little Eyes (Samanta Schweblin)

Vou começar dizendo que tinha um post entre o último que publiquei e esse que escrevo agora. Era uma espécie de relato do isolamento que não consegui concluir, mas achei que ficaria esquisito chegar aqui e falar do livro novo da Schweblin que acabei de ler, como se hum, o mundo não estivesse de pernas para o ar (e aqui no Brasil o problema não é só sanitário). Então só para deixar registrado: o mundo está de pernas para o ar, mas a gente toca o barco como pode – no meu caso, ainda bem que ainda tenho meus livros para me distrair.

Sobre o livro: Little Eyes (Kentukis no original) da argentina Samanta Schweblin saiu em outubro de 2018 e recentemente ganhou uma tradução para o inglês – há uma tradução portuguesa, mas no Brasil pelo que eu vi ainda não tem nada. Os anglófonos estão bem encantados, tanto é que o livro está na longlist para o International Booker Prize de 2020, então o negócio é torcer para que isso sirva como incentivo para alguma editora daqui.

A história descreve a vida das pessoas do mundo todo durante a mania dos kentukis – bichinhos de pelúcia controlados remotamente por uma pessoa desconhecida. Desde o início fica a impressão de que é  algo que poderia acontecer conosco agora mesmo – isso se não extrapolarmos e pensarmos que já acontece, de certa maneira, com nossos celulares ou assistentes tipo a Alexa. Mas o mais bacana é que a autora vai além da discussão sobre como abrimos mão de nossa privacidade, explorando também o horror do que somos quando ninguém está olhando – ou quando achamos que ninguém está olhando.

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As melhores leituras de 2018

Quase chegando no final do ano, não tenho lá grandes esperanças de sequer terminar The Spoonbenders ainda em 2018, então acho que já dá para fechar a lista com segurança. Tanta coisa bacana este ano que confesso que tive que dar umas chunchadas na minha lista, incluindo duas regras novas (“não vale releitura”, “hq fica separado”), o que significa deixar de fora Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas do Machado de Assis e As Bruxas de Salém do Arthur Miller. E as hqs estão no post anterior.

Sobre os do Machado: segundo semestre fiz uma optativa maravilhosa com o professor Luís Bueno. A ideia de ler em um intervalo curto de tempo os principais romances do Machadão foi ótima, até porque te dá uma visão diferente do todo. Enfim, acabei me reapaixonando por Machado – deve ter uns 10 anos aí da última vez que li os romances, e bater os olhos no Brás Cubas logo em 2018 é um daqueles momentos mágicos do livro certo na hora certa.

(Aliás, dessa experiência tenho que dizer: é esquisito dizer que um livro é seu livro favorito depois de tantos anos e preciso urgentemente reler alguns.)

Então é isso, lista dos favoritos logo após o pulinho – não está exatamente em ordem porque afinal, separar dez já foi complicado.

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