Story of Your Life (Ted Chiang)

223380(Editado: ueeepa, esqueci do aviso básico de spoilers. SPOOOOILERS!! Pronto, está aí o aviso)

Dia desses li um artigo comentando sobre o novo filme do Denis Villeneuve, com a Amy Adams no papel principal. Pela descrição do trailer, a ideia parece genial: uma raça alienígena chega na Terra, o problema é que não conseguimos entender o que eles dizem (nem eles compreendem os terráqueos). E então qualquer movimento pode ser interpretado como ameaça e dar origem a um ataque. Já fiquei morrendo de vontade de ver o filme? Sim.

Só que o artigo conta também que Story of Your Life é adaptação de uma novela de Ted Chiang publicada no final da década de 90. Fui dar uma pesquisada básica, vi que ganhou um monte de prêmio (incluindo aí Nebula e Hugo) e pans, lá fui eu ler – até porque novela, né, é curtinho, dá para ler tudo de uma vez só, etc.

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Demolidor (S01 e S02)

daredevil

Lembro que comecei a ver a primeira temporada do Demolidor meio naquela desconfiança de “Ok, só um episódio para ver qualé”. E aí gostei e foram lá mais dois, três e quando vi já tinha assistido toda a primeira temporada e queria mais.

Tá bom, o fato de serem só treze episódios ajuda para a sensação, mas além disso o negócio é que no meio do cansaço de tanta coisa de herói saindo no cinema e na TV, Demolidor chegava como algo completamente diferente, trazendo um pouco da humanidade que os “super” – hiperbólicos em seus poderes e paixões – já tinham deixado para trás.

Até porque o Demolidor da primeira temporada ainda é um herói em construção, aprendendo sobre como “ser” e também se questionando bastante sobre o que faz. A dúvida de Matt Murdock não vem só por ser católico, mas também porque a partir do momento que veste sua roupa (preta) para combater o crime à noite, ele de certa forma está aceitando o fato de que a justiça não funciona.

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Ways to Disappear (Idra Novey)

waystodisappear“A escritora brasileira Beatriz Yagoda é vista com uma mala e um charuto, subindo uma amendoeira e então desaparece”. Foi por causa dessa breve descrição do ponto de partida de Ways to Disappear (primeiro romance de Idra Novey) que fiquei morrendo de curiosidade de ler o livro. Não por Beatriz ser brasileira ou pela história se passar no Brasil – não sou lá muito ufanista e, convenhamos, via de regra os gringos erram a mão na hora de descrever as coisas daqui. Foi mais pelo absurdo da situação, a imagem de uma senhora subindo em uma árvore e desaparecendo.

E então eu mal começo a ler o livro e percebo com espanto que mais do que uma história sobre o sumiço de Beatriz, é uma verdadeira declaração de amor ao trabalho do tradutor. É através da figura de Emma (a tradutora norte-americana que vem correndo para o Brasil tentar descobrir o paradeiro de sua autora) que aos poucos questões sobre tradução vão sendo levantadas – e não, não é de forma sutil. O paralelo entre a vida da personagem e seu ofício é escancarado, como quando fotos dela com o filho de Beatriz aparecem na mídia, e o narrador comenta:

Neither of them had mentioned Emma’s appearance in the photos as well, which was a relief, though also insulting and dismissive – a conflict of emotions that was standard fare for a translator.

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Perdido em Marte (Andy Weir)

perdidoO plano era ter lido o livro antes de chegar ao cinema, mas acabei me enrolando. Por causa da temporada de premiação, acabei assistindo Perdido em Marte antes de ler o livro de Andy Weir, que saiu em outubro de 2014 aqui no Brasil pela Arqueiro com o subtítulo: Uma Missão a Marte. Um Terrível Acidente. A Luta de Um Homem Pela Sobrevivência. Não, sério. Vai ver ali na Amazon. Só faltava a conclusão do livro no subtítulo hehe. Mas ok, pelo que eu entendi parece que depois na edição capa de filme virou só Perdido em Marte de novo. Tá, foco, vamos voltar ao ponto inicial: eu vi o filme antes de ler o livro.

E eu adorei a adaptação, demais mesmo. Matt Damon está ótimo como Mark Watney e vá lá, eu tenho um fraco por filmes que tenham cenas com David Bowie tocando no fundo. Só que por mais que a curiosidade pelo livro tivesse aumentado, ficou maior também aquele receio de que não valeria a pena ler, já que eu tinha lá a impressão inicial de que muito do charme da história se sustentava na resposta para a pergunta “Ele volta ou não para a Terra?” (e se você viu o filme, você sabe a resposta, eu é que não vou contar aqui).

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Top5 Livros Escritos Por Brasileiras

1aee215a96803333140a69fae3bcc7f3Eeeeeeeeeeeeeeeeee hoje é dia da mulher, viva!! Para comemorar (?!!) decidi depois de muito tempo voltar ao Top5, fazendo uma lista com cinco livros escritos por brasileiras. Eu quase caí em tentação e elaborei uma lista de personagens femininas marcantes, mas aí pensei que isso seria perder o ponto: valorizar o trabalho das minas. Desculpa, homens, adoro muita coisa que vocês escrevem, mas vocês aparecerão em um outro top5 por motivos óbvios, ok?

Porque é isso, né. Igualdade. E eu não digo só em termos de validação de uma crítica que parece ver em nomes femininos estampados na capa um sinônimo de chick-lit 1. Por exemplo: dia desses li um cara argumentando que não há sexismo no mercado editorial porque olha lá a J K Rowling que ganhou milhões com o Harry Potter. Será que a gente conta para ele a razão do “J K” e não um Joanne Rowling estampado na capa? Podemos também mostrar o artigo da guria que depois de adotar um pseudônimo masculino passou a receber mais respostas das editoras. Enfim, não dá para botar a cara num buraco na terra e ficar repetindo que tá tudo bem, tá tudo certo, porque não está.

Então, justamente por isso, a ideia do top5 é lembrá-los do que acontece quando a irmã do Shakespeare ganha oportunidades. Vamos lá, fora de ordem: TOP5 LIVROS ESCRITOS POR BRASILEIRAS.

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  1. eu vou me dar ao trabalho de fazer uma nota de rodapé lembrando que eu adoro chick lit, mas que não nego que o termo tenha lá uma conotação negativa, como literatura mais rasa que se concentra unicamente na busca da mulher pelo príncipe encantado e blablabla 

Oscar 2016: O Dia Seguinte

oscar2016

Mais um ano e eu aqui, meio zumbi comentando a cerimônia do Oscar. Tem uns anos que é mais puxado, as este até que estava divertido – nem tanto pelas piadas do Chris Rock e demais apresentadores, é só que o twitter estava on fire mesmo. Senti que a cerimônia foi menos enrolada também, acho que foi o primeiro ano que chegou no bloco das categorias principais e eu até fui consultar minha folha para ver se tinha faltado alguma outra porque nem vi o tempo passar. Pode ter sido por causa da nova ordem de premiação (será que vão repetir ano que vem?), que começou com os roteiros, mas enfim, ficou mais dinâmico, não fiquei lutando contra o sono para assistir toda a cerimônia.

Do Cris Rock veio o monólogo de abertura já esperado, falando sobre a polêmica do #OSCARSOWHITE. O monólogo estava indo bem (“Is Hollywood racist? Hollywood is sorority racist. It’s like, We like you Rhonda, but you’re not a Kappa.”), dando algumas direto nas fuças mas aí esculhambou total lá no fim ao minimizar a polêmica do ano passado, o “ask her more”. Deu umas pisadas de bola mais para frente na cerimônia também (e, convenhamos, o negócio das escoteiras, ai que preguiça), mas no geral foi bem. Só que aí tem o outro problema…

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Esquenta para o Oscar 2016

Oscars-banner-e1452610176322Amanhã tem Oscar eeeeee… seguindo a tradição, lá vai o meu postzinho com alguns links e informações sobre a premiação nesse ano. “Orra, Anica, e a Parte 3 dos filmes do Oscar?”. Desculpa meu querido único leitor do blog, eu acabei vendo só O Regresso e Perdido em Marte, faltou mais um monte de coisa que eu achei que daria conta mas não deu (Ponte dos Espiões eu comecei, mas ali nos 30 minutos começou a bater uma culpa terrível da terceira temporada de The Americans que eu ainda não terminei de ver e aí parei de ver. Sim, meus motivos para assistir a um filme são meio bizarros). Resumindo: não tem parte 3.

A cerimônia será transmitida na TNT a partir das 20:30. Na Globo você já sabe, é esperar o BBB acabar (o que vai ser ali qualquer coisa após as 23h). Tem tapete vermelho na E! e no GNT, o E! começa a cobertura às 15:30h. Esse ano tem Chris Rock apresentando, todo mundo bem curioso para o monólogo de abertura por causa da polêmica #OSCARSOWHITE, vamos ver se a treta toda ficará só ali no monólogo. E agora para os links:

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