Lembro que a primeira vez que ouvi falar no Harold Pinter eu estava quase terminando a primeira graduação. Foi o ano que ele ganhou o Nobel de Literatura, e no dia seguinte ao da premiação minha professora de Literatura em Língua Inglesa IV – disciplina totalmente concentrada em teatro anglófono – perguntou se alguém já tinha lido e eu fiquei morrendo de vergonha porque não só não tinha lido como nunca tinha ouvido falar1. Eu poderia até dizer que o prêmio atiçou minha curiosidade e eu imediatamente fui ler algo do Pinter já naquela época, mas o fato é que a) ninguém lê menos por lazer do que um aluno de Letras, todo o tempo de leitura fica concentrado nas leituras obrigatórias e b) acesso a livros em inglês em 2005 – antes de e-book, e-reader e afins – ainda era muito difícil. Enfim, fui ler The Homecoming muitos anos depois, e só agora em 2026 conheci Betrayal.
E conheci porque um livro lançado recentemente chamou minha atenção, e ao menos na sinopse sugeria que a peça teria grande importância no enredo. Sabe como é, não quis dar mole como no caso de Writers & Lovers e resolvi ler a peça primeiro. Sobre o livro eu já falo, mas antes quero começar comentando Betrayal porque gostei muito, é um daqueles casos em que o texto dramático é tão bom que você fica morrendo de curiosidade para ver encenado (e imagina com Charlie Cox e Tom Hiddleston no elenco, hehe). E isso principalmente por causa do efeito que Pinter cria ao manipular o tempo da história, e também por confiar no espectador/leitor, já que muito do sentido se constrói a partir do que não é dito.
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