High Fidelity (2020)

Agora em 2020 Alta Fidelidade de Nick Hornby completa 25 anos. Dos 25, pelo menos 16 eu passei comentando, citando, babando ovo para o livro aqui no Hellfire – então dá para entender que sim, eu sou exatamente o público da nova adaptação do romance que saiu em fevereiro desse ano no Hulu. Soma aí a curiosidade de ver como é que ficaria a série em uma versão mais moderna e com o tal do gender flip – Rob Fleming agora é Robyn “Rob” Brooks, interpretada por Zoë Kravitz.

Começando pela versão moderna – vale lembrar que quando o livro saiu, as pessoas ainda compravam cds. Não só pessoas apaixonadas por música, mas pessoas comuns. Não tinha internet para baixar trocentos mil álbuns de bandas de todos os cantos do mundo, a relação ainda era diferente. Eu nem vou me prolongar muito nisso porque sobre as diferenças o próprio Nick Hornby já comentou em um artigo que escreveu há cinco anos para a Billboard (recomendo demais a leitura).

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Séries em 2019

Acabei de ler um livro1 que tem uma passagem que segue mais ou menos assim: a protagonista está se apresentando para uma pessoa que acabou de conhecer, a pessoa parece emanar todo aquele “tô com a vida nos eixos” ao qual a protagonista tanto aspira. Ao ser perguntada sobre o que faz, a protagonista primeiro pensa “Eu assisto muita Netflix“, e depois se dá conta que a pergunta era sobre seu emprego.

Eu ri muito porque está aí algo que eu provavelmente responderia. Não que eu assista muita Netflix, eu assisto muitas séries. Fiz uma lista aqui e só de títulos novos foram 20. E mesmo assim, aquela angustiazinha de não estar vendo tudo o que todo mundo vê (como conseguem? do que se alimentam?), por exemplo, The Mandalorian eu resolvi assistir através dos gifs de Baby Yoda nas redes sociais mesmo2.

E aí por causa do tanto de coisa nova que está saindo eu pensei “uou, dá até para fazer uma lista de favoritos de 2019, como eu já faço com filmes e livros”. Então cá estou, um ano depois de prometer que ia atualizar o blog com maior constância, mas como tenho feito há anos, constantemente não cumprindo a promessa. De repente em 2020.

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  1. o livro é Would Like to Meet da Rachel Winters. Eu sei que comédia romântica britânica não é a vibe de todo mundo, mas é meio que meu cope mechanism nesses tempos loucos, quando a nuvem em cima da cabeça está começando a ficar preta, pego logo um romancezinho para me animar. E esse é hilário demais, e eu adoraria ver um filme dele e que mais pessoas conhecessem. Eu tinha esquecido como é bom rir no meio da madrugada por causa de um livro 

  2. as pessoas estão assistindo de outro jeito? 

State of the Union

Um casal em crise se encontra uma vez por semana em um pub, um pouco antes do horário da terapia. Ela toma sempre vinho branco, ele uma London Pride. Enquanto esperam, conversam sobre o relacionamento e as expectativas – em uma conversa salpicada com referências aos mais variados assuntos atuais, desde aplicativos como o Tinder até o Brexit. Ah, sim: tudo isso em 10 minutos.

Esse poderia ser um resumo de State of the Union, série com roteiro de Nick Hornby (autor de Alta Fidelidade) e dirigida por Stephen Frears (diretor da adaptação para o cinema de Alta Fidelidade, hehe). Interpretando o casal Tom e Louise temos Chris O’Dowd (de The IT Crowd, e vá lá, depois de Juliet, Naked virou minha referência para protagonista do Hornby) e Rosamund Pike (de Garota Exemplar). Ou seja: um monte de gente bacana no projeto, não tinha como dar errado.

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Fleabag

Mês passado aproveitei que tinha recém-assinado Amazon Prime e resolvi dar uma conferida nas comédias disponíveis no catálogo. Você sabe: aquelas com episódios de 25 minutos e que está tudo bem se você resolver assistir a uns quatro seguidos, porque afinal, só 25 minutos. Nessas assisti toda a primeira temporada de Forever e depois saltei para Fleabag, sobre a qual já tinha lido uma coisa ou outra. Pois bem, eis-me aqui apaixonada por Fleabag.

Criada e protagonizada por Phoebe Waller-Bridge, a primeira temporada saiu em 2016 e a segunda acabou de estrear (assim, mesmo: primeiro episódio foi semana passada). Não tem muito como vender o peixe descrevendo de forma geral: é a vida de uma guria (a Fleabag), tentando sobreviver à morte da melhor amiga e uma família bem disfuncional, basicamente. Mas se você está lá com seu espaço para séries de 25 minutos, reserva e vai com fé porque vale muito a pena.

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Demolidor (S01 e S02)

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Lembro que comecei a ver a primeira temporada do Demolidor meio naquela desconfiança de “Ok, só um episódio para ver qualé”. E aí gostei e foram lá mais dois, três e quando vi já tinha assistido toda a primeira temporada e queria mais.

Tá bom, o fato de serem só treze episódios ajuda para a sensação, mas além disso o negócio é que no meio do cansaço de tanta coisa de herói saindo no cinema e na TV, Demolidor chegava como algo completamente diferente, trazendo um pouco da humanidade que os “super” – hiperbólicos em seus poderes e paixões – já tinham deixado para trás.

Até porque o Demolidor da primeira temporada ainda é um herói em construção, aprendendo sobre como “ser” e também se questionando bastante sobre o que faz. A dúvida de Matt Murdock não vem só por ser católico, mas também porque a partir do momento que veste sua roupa (preta) para combater o crime à noite, ele de certa forma está aceitando o fato de que a justiça não funciona.

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Jessica Jones

Antes de começar, dois alertas:
1. Meu teclado está uma caca, posso ter comido algumas letras sem querer. Volto para editar aqui em outro momento.
2. Ahmm… spoilers, spoilers everywhere.

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Na época que começaram a sair as primeiras notícias sobre séries do Netflix com personagens da Marvel, minha animação sobre Jessica Jones estava mais baseada no fato de que estavam dando chance para mulheres protagonistas no universo Marvel, mas era meio que só isso.

Pouco sabia sobre Jessica Jones, fora o que já seria o básico do enredo dessa primeira temporada: a personagem atuava como heroína (uniformizada e tudo), até o momento em que o Purple Man (peixe pequeno das histórias do Demolidor se comparar com o Kingpin) começou a controlar sua mente. Quando finalmente consegue escapar do controle do vilão, deixa de lado a vida de vigilante e passa a ser uma detetive particular.

E então o material promocional aparecia falando tanto do Purple Man (que na série não chega a ser chamado assim, embora esteja sempre usando roupas em tons de roxo) que pronto, apitou lá meu maior medo: que a história de uma heroína Marvel acabasse virando uma história de um vilão Marvel1. Como dá para perceber, nada me preparou para o que eu de fato veria assim que a série ficou disponível no Netflix em 20 de novembro.

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  1. eu tinha outro medo também, o de não conseguir esquecer da Shitagi Nashi enquanto assistisse, mas aí já é coisa minha, não da série 

My Mad Fat Diary

tumblr_nr14w2apcm1r5uo2ao1_1280Ok, séries com grupos de adolescentes lidando com os dramas típicos da idade aparecem aos montes por aí. E mesmo temas como a dificuldade em se aceitar quando a garota do outdoor te diz que você não é o que as outras pessoas querem não são exatamente novidade nos dias de hoje. Mas My Mad Fat Diary é tão, mas tão bem executada que entra naquela categoria “Sério, em algum momento você vai ter que assistir”. Assim, desse jeito mesmo.

Por uma coincidência bizarra eu comecei a assistir uns poucos dias antes do último episódio (foi ao ar dia 6 de julho) e acabei as três temporadas em uma semana. É engraçado, tem série que eu demoro para engatar e aí realmente assistir um episódio após o outro, no caso de My Mad Fat Diary já no primeiro eu pensei “ok, essa você vai ter que economizar” (e como deu para perceber, não consegui).

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iZombie

izombieEu poderia estar com Better Call Saul em dia, poderia ter terminado a primeira temporada de Constantine e começado a segunda de Hemlock Grove, mas aqui estou eu, conferindo mais uma série de zumbis. E sabe, dois episódios ainda não bastam para afirmar com toda certeza, mas o negócio é que eu curti o que vi até agora.

Criada por Rob Thomas (não o do Matchbox 20, o da série Veronica Mars) iZombie é basicamente um mexidão do que se tem na tv atualmente. Sabe, como se as séries mais populares tivessem todas se unido e formando um megazord ou coisa assim. É baseada em HQ, passa na CW, envolve investigações e “o caso do dia”, tem humor, tem drama, tem casal para shippar e sim, o óbvio, tem zumbi. Não vou ficar surpresa se de repente do nada aparecer um dragão na tela. Na falta de tempo para ver de tudo, de repente investir em iZombie pode ter sido uma boa escolha.

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Constantine (S01E01 e S01E02)

Quando começaram a sair as primeiras notícias sobre a adaptação das histórias de John Constantine para a TV, fiquei um tanto descrente de que o projeto realmente daria em algo. Aquela coisa de gato escaldado – ouço boatos sobre adaptação de Sandman para a TV há anos, então acabou que senti que seria só mais um caso de muito barulho por nada.

E então veio o nome do ator escolhido, Matt Ryan (who??). Depois vazou essa imagem dele já caracterizado:

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E eu fiquei bem empolgada porque, convenhamos, ficou perfeito (ainda mais quando você pensa em Constantine, fecha os olhos e salta uma imagem do Keanu Reeves hehe).  O negócio é que mesmo com essa imagem ainda não tinha certeza de que a série realmente aconteceria (sim, sou bem cética sobre meus personagens do coração finalmente chegando às telas). E então apareceu um trailer:

 

IEIIII, é real! Está acontecendo!!! AHHHHHHH << sons de uma Anica feliz. Foram aí mais alguns meses até o primeiro episódio finalmente estrear – no meio do caminho chegou até a vazar o piloto, que não assisti porque veio mais ou menos junto com o Augusto, há. Tudo isso só para dizer que: já vi dois episódios e por enquanto estou curtindo (mas com ressalvas).

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Penny Dreadful S01E01 (Night Work)

penny-dreadful-poster-2Quando falamos de alguns títulos da literatura do século XIX, pensamos nas histórias já em seu formato fechado, em um único livro (ok, às vezes mais de um livro). O negócio é que era bem comum naquela época as histórias serem publicadas aos poucos em periódicos. Fazendo uma comparação com a tv, o periódico seria seu canal favorito e algumas histórias seriam novelas ou séries que você costuma acompanhar. Charles Dickens? Vários romances saíram capítulo por capítulo no Household Words. Sir Arthur Conan Doyle? vários contos de Sherlock Holmes apareceram primeiro na Strand Magazine. E isso para citar os dois mais conhecidos.

Nesse formato em série existiam também os penny dreadfuls, publicações que contavam histórias de horror e eram vendidas por, ahnnn… um penny (dona Wikipédia pede para diferenciar e dizer que é o “old penny“). Muito embora eu goste muito de assuntos relacionados à Inglaterra do século XIX, a primeira vez que ouvi falar dos penny dreadfuls foi através da Kika, enquanto ela pesquisava para escrever o livro Construindo Victoria.

Enfim, a ideia era de entretenimento barato para quem gostava de histórias com monstros e sangue, muito sangue. Para ter uma ideia, a primeira vez de Sweeney Todd no mundo da literatura foi em The String of Pearls: A Romance, publicado originalmente como um penny dreadful. Caso queira saber mais sobre o assunto, recomendo esse link aqui. E se eu estou falando tudo isso é um pouco para que você possa entender o espírito da nova série do canal Showtime, chamada (sim, você adivinhou) Penny Dreadful.

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