Melhores leituras de 2016

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Eita, que ano. Quase nem consigo atualizar aqui. O balanço: 2016 li menos do que gostaria (37 livros, talvez 38 se engatar o Hot Milk). Li mais livro maizomeno do que gostaria, mas tive minhas boas descobertas. Fico feliz por ter terminado o ano com pelo menos cinco livros que sei que vou continuar recomendando para todo mundo mesmo depois que passar o hype.

Então sem maiores enrolações, vamos para a lista? Vamos. Aquela coisa de sempre, sem ordem definida porque fazer a seleção já é difícil por si só e yadda yadda yadda. Comentários bem breves, título com link é porque escrevi sobre o livro por aqui.

(Ah, sim. As antigas estão aqui: 2012 | 2013 | 2014 | 2015)

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enclausurado10. Enclausurado (Ian McEwan): nas primeiras notícias sobre o livro fiquei com um baita pé atrás, mas olha, valeu vencer a desconfiança. Enclausurado é hilário ao mesmo tempo que distribui uns tapas na cara aqui e acolá. A relação com Hamlet vai além dos nomes, enredo (e piadinhas com rubricas): como o narrador é um feto, que coleta informação a partir do que ouve e sente, toda a ação acaba se passando ao redor de Trudy, dentro da casa. Assim, com espaço limitado e diálogos marcantes, fica fácil notar o DNA do teatro no romance. Aqui no Brasil saiu agora em 2016 pela Companhia das Letras.

tony-e-susan-austin-wright9. Tony & Susan (Austin Wright): não vou mentir, fui atrás do livro depois de ver o trailer de Animais Noturnos (Amy <3). Negócio é que Tony & Susan vai te pegando, página após página, e quando você vê entende aquela definição que os gringos tanto adoram usar para livros que não conseguimos parar de ler, page-turners. Perguntas atrás de perguntas são levantadas e, o mais satisfatório como leitor, nem todas as respostas são entregues na bandeja. Deixa aquela sensação boa de refletir sobre o livro mesmo quando você tem que deixá-lo de lado para tocar a vida. Aqui no Brasil saiu em 2011 pela Intrínseca.

perdido8. Perdido em Marte (Andy Weir): Caramba, que romance mais divertido. Divertido do tipo: li o livro em março e ainda lembro de algumas passagens e dou risada. Não tem muita novidade ali, é aquela fórmula de quest atrás de quest e você só torcendo para que a personagem chegue bem ao final, sabe? Mas Weir criou um protagonista-narrador tão legal (e sim, tão engraçado), que até as situações que seriam mais sem graça (plantar batatas) acaba divertindo. Aqui no Brasil saiu em 2013 pela Arqueiro.

sandman_overture_vol_1_17. Sandman Overture (Neil Gaiman): Vale HQ? Vale porque a lista é minha, pans. Entra na lista primeiro porque com Overture ganhei de graça uma viagem no tempo e revivi as sensações da primeira vez lendo Sandman. Segundo porque é Gaiman afiadíssimo, o contador de histórias e moldador de mitos que os gaimetes como eu conhecem tão bem. Notícia boa: aqui no Brasil os seis volumes foram publicados pela Panini em três livros, e o terceiro saiu tem um mês – então já dá para ler toda a história.

alittlelife6. Uma Vida Pequena (Hanya Yanagihara): eu passei um bom tempo tentando pensar no que faz Uma Vida Pequena algo tão especial – meu palpite é que por cobrir uma porção grande da vida das personagens o leitor acaba se apegando. Mas aí lembrei de Destinos & Fúrias que também cobre uma porção grande da vida das personagens e é apenas meh e bem, vou ter que pensar em outra coisa. Porque convenhamos, um livro que te faz sofrer como Uma Vida Pequena faz e mesmo assim você segue até o fim, não tem como negar que tem algo de especial. Saiu aqui no Brasil em setembro desse ano pela Record.

today5. Today Will Be Different (Maria Semple): eu estava ansiosa pelo novo da Semple porque Cadê Você Bernadette era bacana demais mas This One is Mine era fueeem e aí eu queria logo tirar a prova dos três (a Claire North, por exemplo, infelizmente reprovou este ano – Harry August por enquanto é o único livro bom dela). Enfim, aprovada. Segue a mesma linha de Bernadette – quase parece roteiro de sitcom transformado em romance. E seguindo a tendência das comédias da tv (faço lista de séries? estou pensando em começar algo nessa linha este ano), é engraçada ao mesmo tempo que dá umas cutucadas. Ainda não saiu no Brasil.

topicos4. Tópicos Especiais em Física das Calamidades (Marisha Pessl): E ocupando a vaga “migo, tem YA que vale a pena” está aí Tópicos Especiais. Acho até meio sacanagem chamar de YA, porque a pessoa já pensa em todos os elementos que se repetem em livros do tipo e Tópicos Especiais é um negócio diferente, que vai se desdobrando e se transformando conforme avança. Gostei demais de Blue, o que no meu caso pesa favoravelmente, já que via de regra tenho probleminhas com narradoras de YAs. O livro saiu aqui no Brasil em 2008 pela Bertrand (e recomendo fortemente se você curtiu A História Secreta da Donna Tartt).

waystodisappear3. Ways to Disappear (Idra Novey): Como eu queria que esse livro tivesse recebido mais amorzinho. Como queria que mais amigos tradutores tivessem lido. E, principalmente: como queria que já tivesse saído aqui no Brasil. Não é ufanismo, não é por ter Brasil na história. É porque é simplesmente uma declaração de amor ao trabalho do tradutor de literatura. E deixa eu me achar aqui, com o tweet em que a Novey linkou meu post, deixa? (é meu jeito de agradecer já que quando autor faz isso eu nunca sei como responder, pans).

vozes2. Vozes de Tchernóbil (Svetlana Aleksiévitch)Quem acompanha o blog sabe que não-ficção não é exatamente minha praia, dá para contar nos dedos quantos eu li nos últimos anos. Mas Vozes é um daqueles casos que te fazem ficar feliz quando o resultado do Nobel é um nome não muito conhecido, porque ele finalmente ganha tradução no Brasil e, principalmente, começa a aparecer no nosso radar. Quando falei de livros que recomendaria mesmo depois de passado o hype, era especialmente em Vozes que estava pensando. Saiu pela Companhia das Letras em abril desse anos.

9781501126925_3dhc_pgsout1. I’m Thinking of Ending Things (Iain Reid): Foi o último livro UOUUUUUUU que li este ano e tinha que estar nessa lista e estará em listas de recomendações futuras também porque… UOU. Talvez a melhor coisa que eu possa dizer sobre ele sem entregar muito (e sim, é daqueles “melhor não saber muito sobre ele”) é que você fica tenso do começo ao fim e nem sabe o motivo. Está só ali, aquela sensação constante de que há algo de muito errado naquela viagem do casal. Infelizmente não saiu no Brasil ainda.

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Últimas:

  • Queria ter lido A Filha Perdida (para ter dois anos seguidos de Ferrantinha na minhas listas), mas não rolou, de repente será o primeiro de 2017.
  • Curtinhos e que valeram a pena: O Adulto (Gillian Flynn), What Belongs to You (Garth Greenwell), Story of Your Life (Ted Chiang) e Grief is The Thing With Feathers (Max Porter).

 

2 pensamentos em “Melhores leituras de 2016”

  1. Olá!

    Nossa, ouvi tantos comentários ruins sobre o Tópicos especiais que até o deixei encostado na estante, mas foi bom vê-lo num top 10 melhores leituras do ano, acho que darei uma chance para ele em 2017. Para o ano que vem também estou com o Vozes de Tchernóbil. <3

    Beijo,

    Samantha

    1. Eu acho que o pessoal deve ficar meio puto com o fim do livro, que fica meio em aberto, pelo menos sobre algumas questões. Noto até pelos termos de busca que trazem as pessoas aqui para o bró que muita gente não gosta de ficar sem uma resposta do autor (ou de terceiros, hehe) sobre as perguntas levantadas no livro. Eu não tenho problemas com isso, na real até gosto mais, porque você pode conversar com outras pessoas e ver outras leituras possíveis do desfecho, sabe como?

      E Vozes é muito amor <3 saiu uma adaptação esse ano, mas não consigo achar em lugar nenhum pra ver > https://en.wikipedia.org/wiki/Voices_from_Chernobyl_(film) =(

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