The saddest of songs I’ll sing for you

“Talvez não haja comparação entre Ian dormir com Laura e ‘Cães de Aluguel’, afinal. Ian não tem Harvey Keitel e Tim Roth no elenco. E Ian não é engraçado. Nem violento. E a trilha sonora dele é uma bosta, a julgar pelo que ouvíamos através do teto. Já chega disto.” (Nick Hornby, Alta Fidelidade)

Eu sempre tive certeza de que se minha vida fosse uma comédia romântica, o cara responsável pela trilha sonora teria um senso de humor um tanto peculiar. As canções nunca batem com o que está acontecendo, e não vou falar nem de quantidade de música horrível que faz parte da minha biografia.

Por exemplo, a primeira música que dancei com um menino. Era festinha de aniversário de uma amiga, ela convidou algumas pessoas e entre elas um guri por quem eu nutria uma paixão platônica há uns tempos. Era um amigo que eu queria que virasse mais do que amigo, mas nunca foi mais do que amigo – enfim, para ele fica reservado o título de “primeira pessoa com quem dancei uma música lenta”, evento canônico na vida de uma adolescente dos anos 90.

A festa era um jantar e depois minha amiga começou a tocar alguns discos na sala. O guri me chamou para dançar e aí alguns detalhes foram completamente apagados da minha memória: ele foi pressionado por minha amiga para me convidar? Eu que fui doida e chamei e lembro errado como se ele tivesse chamado? Não sei, só lembro que eram poucas pessoas e meio que fomos só nós dois ali na sala dançando, talvez só mais um par. Tenho que reconhecer que ele foi corajoso, mas a música que dançamos foi… BED OF FUCKING ROSES DO BON JOVI. Veja bem, era parte da minha personalidade de adolescente idiota “não ser como as outras garotas” e portanto detestar Bon Jovi. Continue lendo “The saddest of songs I’ll sing for you”

Melhores (e piores) leituras de 2013

Então, sem mais enrolações, a listinha do ano. Clicando no link do título do livro você poderá ler minha resenha (trocentos anos escrevendo sobre livros e ainda não gosto de chamar post de blog de resenha, mas vá lá), por isso o comentário aqui no post é mais breve. Só ressaltando que a lista não conta só com livros lançados em 2013, por isso chamo de “melhores leituras” e não “melhores lançamentos”.  E quando eu vi que ia dar uma roubada descarada com mini-listas, resolvi fazer um top 10 mesmo (só para explicar a quebra de ~~tradição~~, já que normalmente faço só top5). Vamos lá, para a lista:

MELHORES LEITURAS DE 2013

hauntedchuck1. Haunted (Chuck Palahniuk)

Eu sou da opinião que livro bom é livro que fica com você mesmo depois de muito tempo, e Haunted é exatamente o caso. Li em junho mas ainda não posso ver uma piscina e não lembrar da história do Saint Gut-Free e aí consequentemente de como esse livro mexeu comigo. E é isso: a galeria de personagens criada pelo Palahniuk acaba te assombrando, objetos ordinários fazem com que você lembre dos relatos extraordinários de cada um dos confinados. Mas mais do que os contos que mostram o que fez com que aquelas pessoas fossem ao “retiro de escritores”, o comportamento delas no tal retiro é bastante chocante também, e acaba trazendo bastante questões sobre a natureza humana. Saiu no Brasil como Assombro, pela Rocco.

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Love Is a Mix Tape: Life and Loss, One Song at a Time (Rob Sheffield)

LADO A

Love is a mix tape

Muito embora meu contato com música no último ano seja mais Interpol/Paul Banks em eterno repeat no player, a verdade é que gosto de música. Muito. Cresci em uma família de pessoas apaixonadas por música, durante um bom período da minha adolescência música era o que movia meus dias e portanto eu sei bem o que Rob Sheffield quer dizer quando comenta sobre nossa capacidade de conversar através da música em sua autobiografia Love is a Mix Tape: Life and Loss, One Song at a Time, publicado em janeiro de 2007 nos Estados Unidos e, pelo menos após uma rápida googlada, aparentemente sem tradução no Brasil (ainda). Mais do que nos ajudar a falar, a música também tem outra característica (também reconhecida por Sheffield e muito, muito apreciada por mim) de permitir viagens no tempo. Toca Bitter Sweet Symphony e lá estou eu, caminhando pelos corredores da PUC. Escuto Love Me Do e estou em uma viagem de carro com a família quando ainda era criança. Toca Qualquer coisa e tenho quinze anos e estou voltando do colégio com minha amiga e juntas cantamos a música bem alto. E por aí vai. Não tem a ver com o ano de lançamento da canção, mas com o momento em que você conheceu a canção. Quem estava com você. O que você estava fazendo. Quem te apresentou. Quem ouvia muito com você.

E Love is a Mix Tape toma emprestada essa característica da música para que o autor resgate as lembranças do tempo em que conheceu e viveu com sua esposa, Renée Crist. Ambos eram jovens recém-formados e obcecados por música (e mix tapes, é óbvio), casaram cedo mas, infelizmente, tiveram apenas cinco anos para compartilharem essa paixão. Renée faleceu em maio de 1997, vítima de embolia pulmonar. 1

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