O Iluminado (Stephen King)

Todo hotel tem fantasma, diz uma personagem de O Iluminado (do escritor norte-americano Stephen King) em determinado momento. O problema é que diz sem saber quais são os fantasmas que andam pelos corredores do Overlook, localizado em uma região que fica completamente isolada em tempos de nevasca. Jack Torrance e sua família (a esposa Wendy e o filho Danny) vão passar o inverno no hotel, de modo a cuidar dessse para que quando chegasse época de receber hóspedes novamente, ele estivesse impecável.

A questão é que King vai montando aos poucos uma bomba relógio. O que acontecerá no Overlook durante o frio não é mistério para o leitor, que a todo momento recebe elementos de uma tragédia que está por vir: o homem contratado para o mesmo serviço de Jack em um inverno anterior matou mulher e filhos. Jack tem problemas com a bebida, e mais do que isso, simplesmente surta do nada – incluindo no histórico o fato de ter quebrado o braço do filho uma vez. E somando a tudo isso, temos Danny, o “iluminado”, que consegue ler mentes, ver fantasmas e prever o futuro.

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Atividade Paranormal 2

Ontem o Fábio perguntou se eu queria ver um filminho com ele, coisa que não fazemos desde setembro do ano passado. Aí topei, mesmo sendo Atividade Paranormal 2 (bom, eu tenho cá minhas reservas sobre os “2” ((Para provar minha teoria, o melhor filme 2 de todos os tempos não é 2, é 5, que é O império contra-ataca. E De volta para o futuro 2 vem como a exceção que comprava a regra, há!)) , sabe como é). Já tínhamos visto o primeiro, que até deu uns bons sustos fora um erro e outro que agora eles teriam a oportunidade de arrumar, mas a verdade é que o segundo filme escorrega nos mesmos problemas do anterior, e é até um pouco mais chato.

O que temos nessa história são os eventos que antecedem os ataques do demônio à casa de Micah e Katie, que vimos no primeiro filme. O foco agora é a família da irmã de Katie (Kristi), que acabou de ter um bebê. Nos primeiros dias da criança na casa, alguém invade a casa e faz a maior bagunça sem levar nada a não ser um colar que Katie tinha dado para a irmã. Kristi e o marido Daniel resolvem colocar câmeras por todos os cômodos, o que então começa a registrar as atividades paranormais.

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Demônio

Para vocês verem como é o tempo: coisa de uns dez anos atrás, se um filme chegasse com o nome M. Night Shyamalan, você botaria fé e correria para o cinema. Aí depois de tantos fracassos do diretor, quando sai algo dele você fica com aquele pé atrás de quem acha que tem mais o que fazer da vida do que ficar perdendo tempo com filme ruim.

Foi mais ou menos o que senti sobre Demônio (Devil lá fora), que chegou no Brasil no final de novembro do ano passado. Ok, é só o roteiro, não foi dirigido pelo Shyamalan, mas de qualquer forma o nome dele está envolvido. Por isso, fiquei enrolando o máximo possível até que resolvi dar uma chance, já que pelo menos o enredo parecia bem legal: cinco pessoas presas em um elevador, sendo que uma delas é o demônio.

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Ficção de Polpa Vol.1 (Vários)

Antes de tudo uma história para ilustrar. Há uns anos fui assistir uma adaptação de Sonhos de uma noite de verão da FAP, dita como releitura modernizada. Esperei bastante para contar essa última parte para meu marido porque sabia que ele não iria gostar muito disso, e resolvi que o melhor momento era já no meio do caminho para o teatro. A resposta dele foi um “Ah, não, vão colocar um Puck repentista na peça!”. Não, não colocaram. A peça foi excelente mas isso não vem ao caso. O que importa disso é um sintoma da criação artística no Brasil: esta necessidade de colocar as ditas “cores” nacionais em tudo que se faz, como se apenas isso validasse o que foi criado como algo “brasileiro”.

Ficção de Polpa da Não Editora chega justamente para desmentir essa ideia. Ao convidar vários escritores para formar a coletânea, a proposta segundo (Samir Machado de Machado na introdução) era esta: criar um conto de ficção científica, fantasia ou horror com completa liberdade temática. E os autores souberam aproveitar essa liberdade sem usar o conto como “meio” para apresentar brasilidades, eles fazem ficção brasileira, e de qualidade – sem a artificialidade de elementos inclusos única e exclusivamente para dizer que bem, é ficção feita no Brasil. Continue lendo “Ficção de Polpa Vol.1 (Vários)”

Hell House (Richard Matheson)

Publicado em 1971 e sendo relançado agora no Brasil pela Editora Novo Século, Hell House foi escrito por Richard Matheson, o mesmo autor de Eu sou a lenda. E assim como Eu sou a lenda já ganhou versões para o cinema, eu só vi uma, mas bem, já nem lembro mais a razão, mas sei que não curti A Casa da Noite Eterna (1973), dei três estrelinhas só. Então não tinha lá muitas expectativas sobre o livro, apesar de várias pessoas estarem lendo e elogiando.

E o bom de não ter expectativas é que é possível se surpreender. Gostei muito do livro e colocaria fácil em uma lista de melhores histórias de fantasma que já li. Não só pelo fator assustador da história, mas pelo modo como Matheson desenvolve a narrativa, que foi muito bem sacado. Um grupo com quatro pessoas vai investigar uma mansão assombrada: um físico, a esposa dele, uma médium e um rapaz que conseguiu escapar da mansão anos antes.

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Two Thousand Maniacs! (1964)

Tem filme que volta e meia é citado em lista de referências e favoritos de pessoas que você considera ter bom gosto, ou ainda, que fazem filmes que você gosta. É o caso de Faster, Pussycat! Kill! Kill!, sobre o qual comentei brevemente tem coisa de um mês. Agora finalmente tive a oportunidade de conferir Two Thousand Maniacs! ((eu não tenho certeza se o título brasileiro ficou como Maníacos mesmo)), produção de 1964 com roteiro e direção de Herschell Gordon Lewis.

É aquela coisa, você espera uma certa inocência de filmes anteriores a década de 70. Inocência não no sentido do horror em si (oi, Os Inocentes, 13 Fantasmas e A Casa dos Maus Espíritos?), mas mais na ausência do gore. Eu pelo menos fico com a impressão que as coisas eram mais sutis, ficava mais naquela coisa de você imaginar do que você de fato ver as cenas cheias de sangue. Talvez por isso Two Thousand Maniacs! tenha me surpreendido (positivamente, é claro).

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The Human Centipede (First Sequence)

O que esperar de um filme cujo título traduzido seria A centopéia humana? Tosquice, certo? Estávamos para assistir já tem quase dois meses, mas sempre acabávamos desistindo por conta de algum programa da tv a cabo ou outro filme que não prometesse tanta tosqueira. Juro, eu achava que veria um terror levezinho, tendendo mais pelo terrir para ser sincera – algo como aquele O Ataque dos Tomates Assassinos, mas bem, a verdade é que não tem nada de comédia em The Human Centipede (First Sequence).

Dirigido pelo holandês Tom Six e ganhador de alguns prêmios em festivais de terror, a história tem um começo meio inconstante: primeiro vemos um homem contemplando uma imagem de três cachorros e então atacando um caminhoneiro que parou na beira da estrada. Ok, isso promete. Mas logo após essa sequência, passamos para a apresentação do que seriam as protagonistas da história, duas amigas viajando pela Europa (e aí somando ao plot de O Albergue logo chegamos a conclusão que viagens pela Europa são perigosas, ahn?). Elas estão no meio do nada a caminho de uma festa quando o pneu do carro fura e eis que elas acabam parando para pedir socorro na casa do sujeito que atacou o caminhoneiro.

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A Maldição do Demônio (1960)

Ok, vamos começar pelo título do filme, até para evitar confusões. Aqui no Brasil deve existir uma penca de “maldições do demônio”, mas eu estou adotando a tradução tal como consta no IMDb. Se foi livre, se é oficial, eu não posso dizer. A única coisa que posso ajudar para que você não procure pelo filme errado é dar o título original, La maschera del demonio (até porque mesmo em inglês ele tem vários títulos, hehe). Esta produção italiana é de 1960, dirigida por Mario Bava e levemente baseada em um conto de Gogol chamado Viy.

Eu gosto de filmes antigos de terror, mas às vezes por serem “inocentes” demais acho que acaba faltando justamente o elemento “horror” na história. Não que isso seja uma regra, alguns dos melhores que vi são os mais antigões (como Os Inocentes, citado recentemente nos comentários aqui do Hellfire, ou ainda A Casa Mal Assombrada). Mas sabe como é, às vezes você acaba se decepcionando com a falta de cenas realmente assustadoras.

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Horror espanhol

Então que segui a sugestão do Jedan e assisti Quem pode matar uma criança? (no original, ¿Quién puede matar a un niño?). Eu não vou escrever um post dizendo que estou surpresa, porque a verdade é que há muito que tenho percebido o quanto eles mandam bem quando o assunto é horror. Vocês sabem, um dos meus filmes favoritos é uma produção hispano-mexicana, A Espinha do Diabo. E tem pouco tempo chegou [REC], que até ganhou uma versão americana, por exemplo.

Enfim, não foi surpresa. Mas ao mesmo tempo, Quem pode matar uma criança? surpreende pelo modo como lida com a ideia de horror. O filme é de 1976 e começa com uma sequência de trechos de documentários e reportagens mostrando guerras e as consequências dessas para as crianças. Muda então para um casal em férias que decide visitar uma pequena ilha na região, e quando chegam lá descobrem que não há adultos no lugar.

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Festa estranha com gente esquisita

Eu era até bem tolerante sobre filmes de terror, pensava assim “ok, você sabe que está vendo algo que serve para se divertir, então não vá cobrar genialidade do entretenimento”. Mas depois de uma série de filmes maizomeno eu fico pensando aqui, se as boas opções estão se esgotando ou se os hormônios zoados da gravidez estão esculhambando meu gosto para filmes, não só comida. Não é que eu tenha odiado, mas faz tempo que não vejo um filme e me empolgo um monte pensando “Uou, tenho que indicar esse para um amigo”.

Enfim, vamos a um esquema meio pá-pum, checando o que vi até o momento. Eu queria fazer uma menção honrosa ao Valhalla Rising, que embora não seja de terror é tão bizarro que quase parece um. Lembrei na hora da imagem que eu tinha de filme europeu antes de começar a assisti-los, era exatamente aquilo, hehe. Mas ok, vamos à lista.

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