Festa estranha com gente esquisita

Eu era até bem tolerante sobre filmes de terror, pensava assim “ok, você sabe que está vendo algo que serve para se divertir, então não vá cobrar genialidade do entretenimento”. Mas depois de uma série de filmes maizomeno eu fico pensando aqui, se as boas opções estão se esgotando ou se os hormônios zoados da gravidez estão esculhambando meu gosto para filmes, não só comida. Não é que eu tenha odiado, mas faz tempo que não vejo um filme e me empolgo um monte pensando “Uou, tenho que indicar esse para um amigo”.

Enfim, vamos a um esquema meio pá-pum, checando o que vi até o momento. Eu queria fazer uma menção honrosa ao Valhalla Rising, que embora não seja de terror é tão bizarro que quase parece um. Lembrei na hora da imagem que eu tinha de filme europeu antes de começar a assisti-los, era exatamente aquilo, hehe. Mas ok, vamos à lista.

The Signal: Uma transmissão misteriosa faz com que as pessoas fiquem violentas. A história é contada sob três pontos de vista, de personagens que tem relação entre si: a garota, o namorado e o amante. É esquisitão e tem alguns momentos impagáveis como a festa de ano novo com um cadáver, mas acaba perdendo o pique quando chega mais próximo da conclusão. Achei que rolaria um twist básico na história, mas não é bem isso. Vale pela curiosidade. Não sei se saiu aqui no Brasil, a produção é de 2007.

Herança Paranormal: O título original é “The Skeptic” (o cético) e cheirava tão forte aos clichês de filme de horror que tinha tudo para ser bacana. Sujeito cético (há, por isso o título) herda uma casa de uma tia que odeia. Descobre logo depois que a casa é mal assombrada e então o rapaz começa a rever seus conceitos sobre o sobrenatural. Esse aqui tem o tal do twist no final, mas ele meio que esculhamba a história que já estava meio maizomeno. Produção de 2009, deve ter saído direto em dvd aqui no Brasil.

Survival of the Dead: Eu ia escrever um post só sobre o filme, mas a verdade é que fiquei tão decepcionada, mas tão decepcionada que não conseguiria sair de um parágrafo, no qual diria como Romero está estragando uma trilogia perfeita com filmes ruins como esse ou Terra dos Mortos. Aqui, um grupo tenta se esconder em uma ilha e descobrem que lá as pessoas decidiram manter os zumbis vivos e “sob controle”. Parece que Romero viu Fido, gostou, mas não sacou bem a história e aí fez isso.  Eu dormi nos minutos finais, sério. Fuja. É de 2009, aparentemente sem previsão de estreia no Brasil.

Heartless: Esse aqui ganhou o prêmio da bizarrice. O pior é que até que é legal, sério. Rapaz de rosto marcado por uma mancha em forma de coração jura que começou a ver demônios nas ruas de Londres. E aí que ele acaba encontrando uma chance de ter um rosto “normal”, o que pode lhe custar um pouco caro. Tem o Jim Sturgess de Across the Universe no papel principal, e surpresa! Também tem twist no final. Aqui não chega a comprometer, mas é até bem previsível. Filme interessante, não sei se sai aqui no Brasil, mas vale a pena procurar, nem que seja pela curiosidade.

Martin: Mais um do Romero, mas esse aqui pelo menos é curioso. Rapaz que acredita ser um vampiro (Martin) vai viver na casa de um primo que está disposto a destrui-lo. O legal aqui é mais pela apresentação da figura do vampiro, sem grandes pirações e mais próxima da realidade, digamos assim. Mas é um filme esquisito com alguns momentos meio “WTF?”, vale principalmente para quando Martin liga para uma rádio local para contar sobre suas experiências sob o apelido de “O Conde”. Interessante, pelo menos não lembra o lixo recente que foi Survival of the Dead. E bem, é Romero lidando com outro tipo de monstro, né?

A saber, comecei a ver a continuação de Abismo do Medo (The Descent 2) mas larguei mão na primeira meia hora. Esse sim, ruim de danar. E o pior que até que começava de uma ideia bacana, poderia ter dado certo.

10 comentários em “Festa estranha com gente esquisita”

  1. Anica,

    Acho que já te recomendei antes, mas volto a ressaltar: ¿Quién puede matar a un niño? (1976), do Serrador. É basicamente um Pássaros mas com crianças. E consideravelmente mais pertubador. Aliás, é o filme preferido dos responsáveis por REC e provavelmente o mais influente da nova gerão de Suspense/Terror espanhol.
    Do mesmo diretor tem também o excelente La Residencia (1969).
    Outra dica é Os Inocentes (1961), um terror psicológico inglês de tirar o fôlego.
    Agora, não necessariamente de terror, mas certamente muito pertubador, é o filme austríaco Angst (1983), a experiência mais real em se tratando de representação de serial killers. E talvez o uso das câmeras mais genial da história do cinema. Se gostou de “Aconteceu perto da sua casa”, recomendo fortemente.

  2. Anica,

    obrigada por todas as dicas de filmes 🙂 alegra meu dia ver uma atualização aqui no Hellfire.
    Eu vi um filme mês passado chamado Martyrs. É frances, e mais um suspense que terror, mas eu achei ótimo e que vale a pena conferir.
    É só isso mesmo 😀 tchau tchau

    1. Eu e a Dani vimos o Martyrs. É um filme bem estranho. É bem desagradável de ver, mas essa é a proposta dele. O final é surpreendente.

      Estão fazendo um remake dele, com a Kirsten Stewart. Duvido que tenha os cojones da versão francesa.

  3. Valeu pelas dicas, pessoal, estão anotadas =D Thiago, dos que vc recomendou eu só tinha visto Os Inocentes, e concordo, é de tirar o fôlego. ^^ Era *esse* tipo de filme que eu queria conseguir ver, desses de recomendar depois e tudo o mais =D

  4. Bom, tendo tirado o Sábado a noite para finalmente assistir “Valhalla Rising”, posso finalmente fazer um comentário; muito bom! Sinceramente, nunca vi um filme tão parado ser tão interessante. Prende a atenção, e o realismo é brutal. Naturalmente, ajuda o meu interesse em mitologia nórdica e vikings em geral, e acho que qualquer pessoa com interesse mínimo em história e a natureza humana e da religião pode achar o filme interessante. Incrível atuação do “Bond Villain” Mads Mikkelsen, e menção honrosa à trilha sonora minimalista, mas poderosa.

    Um adendo, esqueci de comentar que tempos atrás assisti o “Survival of the Dead”, e nossa, que decepção. Não esperava grande coisa, já não tendo gostado do “Diary of the Dead” (Olha que eu gosto do “land of the dead” hein!), mas é absurdamente patético. Dia ruim para o mestre…

    Para fechar, você já assistiu o coreano “Thirst”, sobre um padre que vira vampiro? Me falam boas coisas dele, estou baixando agora, e me pareceu algo que você poderia gostar.

    Sorry pelo comment imenso 😀

    1. Pablo, isso que vc falou sobre o Valhalla Rising define bem o filme: nunca vi um filme parado ser tão interessante. É quase hipnótico. Mas convenhamos, ele é esquisitão, não? Foge completamente do que se esperaria de um filme assim.

      Sobre os Romeros, para mim esses três últimos são péssimos, sendo o Land o mais “maizomeno” (não gostei da ideia dos zumbis ficando mais espertos). Mas o Survival é de longe o pior +_+

      E sobre o Thirst, não vi não. Valeu a dica =D

  5. Anica, fico feliz que tenha gostado. Já viu Audition do insano Takashi Miike? Tem umas cenas de fazer pular da poltrona. E também bem pertubador. Há vários registros de pessoas passando mal no cinema e coisas do tipo.

    E Thirst é muito bom, mas está longe de ser Terror. É mais um filme bem criativo sobre vampiros. Uma abordagem completamente diferente. E um final deveras batuta.

    1. O Audition eu comecei a ver uns anos atrás, mas não lembro mais pq paramos (na verdade eu acho que foi problema com legenda, pq não lembro de ter passado dos créditos). Mas sempre foi bem recomendado, acho que está inclusive na lista dos top de terror do imdb, né?

      Sobre o Thirst, fui pedir para o Fábio depois da dica do Pablo aí ele mostrou que já tínhamos o filme e que eu que não quis ver porque estava meio sacuda de filme oriental. Argh. As vezes eu mordo a língua. >< Mas vou conferir em breve ^^

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