Quando não está correndo atrás dos filmes do momento, é até engraçado o jeito que outros títulos chegam até você. De repente sai uma referência em um artigo de jornal, uma lista de favoritos, uma imagem de uma cena aleatória. É como se todo mundo estivesse falando dele sem nem se dar conta disso. Eu sempre tomo isso como um sinal de que está na hora de conferir, e foi o que aconteceu com Night of the Creeps, produção de 1986 que pode ser encontrada nas locadoras nacionais como A noite dos arrepios (mas como eu duvido muito que alguém ainda frequente locadoras, fiquemos com o título original que será mais fácil de localizar, sim?). Sabia pela sinopse que teria como elementos alienígenas invasores de corpos que transformavam as pessoas em zumbis, então já esperava alguma tosqueira mas nada, digo NADA me preparou para uma cena de abertura assim:

Aí você percebe pelos olhinhos brancos de um deles que ele é um zumbi, e ele consegue fazer com que um experimento seja lançado para fora da nave. Boooom! Corta, eis que começa uma musiquinha dos anos 50, imagem em preto e branco. Somos apresentados a alguns elementos típicos de filmes de terror com jovens: a fraternidade, a gatinha, o capitão do time que namora a gatinha, a galera namorandinho num lugar onde não deveria estar e bem, o básico, né: um louco fugitivo do hospício. Confesso que achei esses primeiros minutos meio estranhos (a legenda que confirmou que estava tudo ok e que as cores eram propositais, para começar), fiquei pensando “ué, louco com machado? Mas o filme não é de zumbis ets?”. Eis que uma estrela cadente aparece e os jovens (que nunca viram Scooby Doo e não sabem as implicações disso) resolvem ir investigar.
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Publicado pela primeira vez em 1972, o breve romance de ficção científica Roadside Picnicde Arkady and Boris Strugatsky é uma história para agradar não apenas aos fãs do gênero. Na narrativa ficamos sabendo que seres extraterrestres visitaram a Terra por um curto período de tempo, foram embora e deixaram para trás o que os cientistas chamariam de “Zonas de Visitação”, lugares onde estranhos fenômenos acontecem e que por conta dos perigos da região passaram a ser fechados para pessoas que não estivessem estudando os objetos ou os fatos que ocorrem lá. Porém, algumas pessoas tornaram-se “stalkers”, gente que entra nas zonas à noite para roubar o que encontrassem dos alienígenas para então vender por um alto preço para pessoas de fora. É em um desses stalkers que o romance se concentra, Redrick Schuhart.
Então que uma banda que até aquele momento você não conhecia tem um álbum de estréia que é simplesmente viciante, você não consegue parar de ouvir. Um tempo depois, eles anunciam que logo lançarão o segundo álbum. E aí vem aquele medo: será tão bom quanto o primeiro? Tem como ser melhor? E se for ruim, desisto da banda ou faço de conta que só existiu o trabalho que era bom? E com esse medo todo vem misturada uma curiosidade tremenda para saber logo a resposta.
Antes de tudo uma história para ilustrar. Há uns anos fui assistir uma adaptação de Sonhos de uma noite de verão da FAP, dita como releitura modernizada. Esperei bastante para contar essa última parte para meu marido porque sabia que ele não iria gostar muito disso, e resolvi que o melhor momento era já no meio do caminho para o teatro. A resposta dele foi um “Ah, não, vão colocar um Puck repentista na peça!”. Não, não colocaram. A peça foi excelente mas isso não vem ao caso. O que importa disso é um sintoma da criação artística no Brasil: esta necessidade de colocar as ditas “cores” nacionais em tudo que se faz, como se apenas isso validasse o que foi criado como algo “brasileiro”.

Eu não sei quantos de vocês já viram o filme de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisseia 

