O lançamento mais recente da série Ficção de Polpa foi lançado com uma proposta bem definida, como já mostra o título “Crimes!”, dando lugar à sequência numerada dos anteriores. E se nos outros volumes mesmo com um tema principal (horror, ficção científica e conto fantástico) ainda assim os contos circulavam livremente entre gêneros, agora nesse quarto livro isso não acontece: são histórias de detetive, do começo ao fim. Outra diferença sobre os outros números da série é que o número de contos é menor, porém esses são mais longos (e todos são ilustrados).
Uma vez que são menos contos, é até possível falar um pouco de cada um deles. No geral, são todos ótimos e certamente agradarão aos fãs de histórias policiais, até porque são todos combinações de elementos já conhecidos desse universo literário, mas com enredos ou estilos de narrativas bastante inovadores, diferentes.
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E então você já está familiarizado com a série e sabe mais ou menos o que esperar do livro que tem em mãos. Pelo menos você pensa isso quando começa a ler Ficção de Polpa vol.3, da Não Editora. Mal passa a Introdução, já damos de cara com uma surpresa: a primeira história não é um conto, é história em quadrinhos! Com roteiro de Guilherme Smee e arte de Jader Corrêa, O Quarto Desejo abre a coletânea já mostrando qual será o tom predominante: o fantástico.
Então que uma banda que até aquele momento você não conhecia tem um álbum de estréia que é simplesmente viciante, você não consegue parar de ouvir. Um tempo depois, eles anunciam que logo lançarão o segundo álbum. E aí vem aquele medo: será tão bom quanto o primeiro? Tem como ser melhor? E se for ruim, desisto da banda ou faço de conta que só existiu o trabalho que era bom? E com esse medo todo vem misturada uma curiosidade tremenda para saber logo a resposta.
Antes de tudo uma história para ilustrar. Há uns anos fui assistir uma adaptação de Sonhos de uma noite de verão da FAP, dita como releitura modernizada. Esperei bastante para contar essa última parte para meu marido porque sabia que ele não iria gostar muito disso, e resolvi que o melhor momento era já no meio do caminho para o teatro. A resposta dele foi um “Ah, não, vão colocar um Puck repentista na peça!”. Não, não colocaram. A peça foi excelente mas isso não vem ao caso. O que importa disso é um sintoma da criação artística no Brasil: esta necessidade de colocar as ditas “cores” nacionais em tudo que se faz, como se apenas isso validasse o que foi criado como algo “brasileiro”.