A Maldição do Demônio (1960)

Ok, vamos começar pelo título do filme, até para evitar confusões. Aqui no Brasil deve existir uma penca de “maldições do demônio”, mas eu estou adotando a tradução tal como consta no IMDb. Se foi livre, se é oficial, eu não posso dizer. A única coisa que posso ajudar para que você não procure pelo filme errado é dar o título original, La maschera del demonio (até porque mesmo em inglês ele tem vários títulos, hehe). Esta produção italiana é de 1960, dirigida por Mario Bava e levemente baseada em um conto de Gogol chamado Viy.

Eu gosto de filmes antigos de terror, mas às vezes por serem “inocentes” demais acho que acaba faltando justamente o elemento “horror” na história. Não que isso seja uma regra, alguns dos melhores que vi são os mais antigões (como Os Inocentes, citado recentemente nos comentários aqui do Hellfire, ou ainda A Casa Mal Assombrada). Mas sabe como é, às vezes você acaba se decepcionando com a falta de cenas realmente assustadoras.

O engraçado é que pensando bem, A Maldição do Demônio não é realmente assustador. Mas é tão bem feito que você até acabaria indicando para algum amigo que é fã do gênero. O enredo é sobre uma bruxa e seu ajudante ((curiosidade: na versão original, é a bruxa e o irmão. Acabaram tirando a relação incestuosa nas dublagens em inglês)) que amaldiçoa uma família, jurando retornar para destrui-la. Aqui é meio misturado elementos de satanismo e vampirismo, mas de uma forma bem interessante: aquela parte da manhã na qual o vampiro precisa se esconder do sol (típico das lendas, certo?) ele realmente está morto, apodrecido – não tem aquela coisa “romântica” de parecer só alguém dormindo.

Lógico, tem algumas coisas meio bobinhas, como o médico se apaixonando pela princesa e praticando atos heróicos em nome do amor (gasp!). Mas fora isso, tudo funciona bem, especialmente no que diz respeito à bruxa – desde as cenas iniciais da maldição (narrada em off, envolvendo Inquisição e uma máscara cheia de pregos por dentro) até à conclusão. O tom que persiste não é exatamente o de horror, mas o mistério está sempre ali, de forma envolvente.

Por algumas críticas que li por aí, bastante gente dá valor à parte estética do filme, o que é realmente algo a se notar. Aquela coisa: em um tempo sem computação gráfica, eles conseguem alguns efeitos que mesmo hoje em dia não são tão bem feitos (a parte da bruxa em contato com a princesa é realmente impressionante). E uou, reza a lenda que é o filme de horror favorito do Tim Burton, que tal heim?

No final das contas não entra naquela lista de filmes assustadores, mas vale a pena ver pelo suspense e pelo capricho que nem sempre são típicos de filmes assim. Além do mais, em tempos em que o pessoal tem focado mais em remakes do que em algo original, vale a pena ver alguma coisa saindo da mesmice como é o caso, não?

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