Horror espanhol

Então que segui a sugestão do Jedan e assisti Quem pode matar uma criança? (no original, ¿Quién puede matar a un niño?). Eu não vou escrever um post dizendo que estou surpresa, porque a verdade é que há muito que tenho percebido o quanto eles mandam bem quando o assunto é horror. Vocês sabem, um dos meus filmes favoritos é uma produção hispano-mexicana, A Espinha do Diabo. E tem pouco tempo chegou [REC], que até ganhou uma versão americana, por exemplo.

Enfim, não foi surpresa. Mas ao mesmo tempo, Quem pode matar uma criança? surpreende pelo modo como lida com a ideia de horror. O filme é de 1976 e começa com uma sequência de trechos de documentários e reportagens mostrando guerras e as consequências dessas para as crianças. Muda então para um casal em férias que decide visitar uma pequena ilha na região, e quando chegam lá descobrem que não há adultos no lugar.

Ok, você é espertinho e sabe juntar o título com essas informações, e sabe o que vem a seguir. O fato é que seja lá qual for a razão (a explicação não fica clara no filme), as crianças passaram a atacar os adultos, por isso a ilha só é habitada por elas no momento em que o casal chegue. Mas aqui vem o que comentei sobre como a ideia de horror é trabalhada. Para começar, a ambientação. Temos aquele conceito fácil do horror acontecendo à noite, em tempestade, no frio. Enfim, aqui temos o oposto. É uma ilha, e antes mesmo de perceberem que lá só vivem crianças, o casal se dá conta do calor dos infernos.

E esse calor vai tomar conta de toda a história, do começo ao fim – dando ênfase para o clima claustrofóbico em cenas típicas de filme de horror nas quais os mocinhos tentam fugir se encondendo em um quarto, por exemplo. E mais do que isso, a própria ideia de tornar as crianças os vilões – sim, eu sei, eu vi Colheita Maldita também, mas vamos lembrar que tem um intervalo de quase 10 anos entre o lançamento espanhol e o americano – acaba criando a ideia genial que é a que dá título para o filme: quem é que pode matar uma criança? Como reagir?

Muito bom, mesmo. Foge da mesmice e desenvolve a tensão de um modo muito interessante. O mesmo não pode ser dito do também espanhol Exorcismo. De 1975, o filme peca um pouco na montagem da narrativa em si. O começo parece ter sido feito às pressas, com um evento correndo atrás do outro sem muita chance de desenvolver bem personagens e afins: Leila participa de um ritual satânico (wtf!) e é possuída por um demônio. Entre o ritual e a possessão de fato temos muito blablabla, incluindo um irmão que pega a empregada, um motorista alemão meio taradão, crimes acontecendo na família, etc.

E com tanta enrolação, o que acaba acontecendo é que você pode passar uns 40 e tantos minutos achando que é só uma história de assassinato e que o culpado é o motorista taradão, mas eis que tchans, finalmente começa a parte de possessão e a coisa engrena. Quanto a isso ficou realmente legal, uma pena que tenham dedicado uma parte tão pequena do filme para isso. De qualquer modo, acho que pelos minutos finais, o pessoal que é fã de filmes do tipo pode acabar pelo menos se divertindo.

De qualquer modo, para quem está meio sacudo com o horror que tem saído lá das terras do Tio Sam, vale a pena ficar atento aos espanhóis. E não precisa necessariamente sair cavocando produções dos anos 70, mesmo atualmente esse pessoal tem mandado muito bem, como comentei acima. E por favor, fujam desses remakes americanos. Se é para ver o que eles estão fazendo, que seja o original, certo?

4 comentários em “Horror espanhol”

  1. Sabe, eu não curti o Quem pode matar uma criança. A trilha sonora me incomodou de um jeito ruim e, apesar de ser anterior, é bem inferior ao Colheita Maldita.

    Um filme espanhol legal foi a Herança Valdemar, cheio de referências lovecraftianas. Mas a dica é deixar para ver quando sair a continuação, em outubro, porque o final do filme é tipo o da Sociedade do Anel.

  2. Não assisti nenhum desses filmes antigos espanhóis, mas entre os novos, gostei de El Orfanato (o melhor), El espinazo del diablo e REC (o primeiro, pois destruíram a história com o segundo).

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