Aí hoje cedo vi no uol uma chamada dizendo “Relembre trilhas dos anos 1990 como Pulp Fiction” e eu fui logo clicar e conferir. Blé, para começar, não era trilha só dos anos 90, era tudo misturado. E o pior é que quem fez a seleção conseguiu pegar simplesmente a pior música da trilha de Alta Fidelidade, sendo que essa conta com a excelente Dry the Rain da Beta Band. Aí pensei: a graça da lista é que você nunca concorda e aí pensa logo na sua, então vou lá fazer a minha.
E foi uma viagem no tempo. O engraçado é que a década de 90 diz muito mais para mim do que essa última década que passou (lembro sei lá, das Torres Gêmeas e da faculdade? Que sem graça). Ouvindo novamente algumas músicas daquele tempo, e lembrando de alguns filmes que mesmo bobos foram tão marcantes naquela época, bateu uma nostalgia gostosa. É engraçado como a arte tem esse poder, de nos transportar para alguma época, com seus cheiros e cores.
A leitura de Coração Satânico de William Hjortsberg enfrenta uma série de dificuldades externas. A primeira é que o livro ganhou 
Desde o começo a parceria Neil Gaiman e Dave McKean sempre rendeu ótimos frutos, como por exemplo a excelente HQ
Quando um autor é sugerido por mais de uma pessoa, é natural que o leitor crie alta expectativas sobre sua obra. É um misto de curiosidade, tentando entender a razão pela qual ele agradou tanta gente, com um pouco de dúvida, se para você o livro também será especial. Foi dentro desse contexto que finalmente pude ler Desonra, do sul-africano J.M. Coetzee. Inicialmente achava que seria algo no estilo da narrativa que conquistasse tantos elogios, mas logo pude perceber que não era esse o ponto alto do trabalho do escritor em questão.
Livros lidos: Never let me go (Kazuo Ishiguro), O fio das missangas (Mia Couto), Slam (Nick Hornby), O Palácio de Inverno (John Boyne), Papéis Avulsos (Machado de Assis), Medo e Delírio em Las Vegas (Hunter S. Thompson), Um dia de chuva (Eça de Queiroz), O estranho mundo de Zofia e outras histórias (Kelly Link), O Violinista e outras histórias (Herman Melville), Disgrace (J. M. Coetzee).
A vida de um escritor sempre vem carregada de ironias. Vide o caso do autor norte-americano Herman Melville, famoso pelo catatau Moby Dick, e que por outro lado tem algumas de suas obras mais curtas (contos e novelas) completamente ignorados pelo público. O que não deixa de ser uma pena, porque Melville se sai muito bem nesse estilo de narrativa mais breve, o que fica óbvio em trabalhos como
Desde a primeira vez que bati os olhos na capa do livro O estranho mundo de Zofia e outras histórias de Kelly Link (que ilustra esse post), pensava sempre a mesma coisa: Tim Burton. Tinha algo naquelas pernas com meia calça listrada de preto e vermelho, a rosas em tom meio vitoriano que evocavam a lembraça dos filmes meio estranhos e darks do diretor, como Eduardo Mãos de Tesoura e A Noiva Cadáver. Agora ao terminar a leitura desta coletânea de contos, chego à conclusão de que a referência não está assim tão errada.
Conto publicado após a morte do escritor português Eça de Queiroz, Um dia de chuva foi publicado agora em fevereiro pela editora Cosac Naify, em uma edição em capa dura com ilustrações de Eloar Guazzelli. A curiosidade é que trata-se de um texto inacabado, portanto teve que ser estabelecido por Beatriz Berrini, e no corpo do texto encontram-se diversas notas indicando trocas de nomes de personagens ou lugares, além de trechos perdidos – o que não deixa de ser curioso para o leitor, que pode observar um pouco de como funciona o processo de escrita.