A importância de ser prudente e outras peças (Oscar Wilde)

Há algo de irônico na produção teatral de Oscar Wilde: as falas e ações de suas personagens parecem a todo momento um festival de tapas de luva de pelica na mesma sociedade que iria aos teatros assistir às peças, ou que aceitaria o dramaturgo em seu convívio (obviamente aceitação anterior ao período que passou na prisão de Reading). O artista que falava da arte pela arte, de escrever sem querer passar morais edificantes, no final das contas conseguia através de suas peças fazer as mais ácidas críticas a uma sociedade que vivia de aparências, um jogo de máscaras onde ninguém de fato era o que aparentava ser.

É o que se pode ver em A importância de ser prudente e outras peças, lançado recentemente através do selo Penguin-Companhia da editora Companhia das Letras. As três peças que fazem parte da coletânea têm em comum o fato de servirem como retrato perfeito do comportamento da grande sociedade da época, cheia de figuras que mostram a mais completa frivolidade sobre assuntos considerados importantes, como o casamento, por exemplo.

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Balanço Literário: Março

Livros lidos: Cabelo Doido (Neil Gaiman e Dave McKean), Falling Angel (William Hjortsberg), The Book of Lost Books: An Incomplete History of All the Great Books You’ll Never Read (Stuart Kelly), Vampiro Secreto (L.J. Smith), The Shining (Stephen King), Mortalha para uma enfermeira (P D James), Oscar Wilde (Daniel Salvatore Schiffer), There Once Lived a Woman Who Tried to Kill Her Neighbor’s Baby (Ludmilla Petrushevskaya), You Might Be a Zombie and Other Bad News (Cracked.com), Tequila Vermelha (Rick Riordan), I’m Not Hanging Noodles on Your Ears and Other Intriguing Idioms From Around the World (Jag Bhalla) e O Império dos Vampiros (Nazarethe Fonseca).

Leituras em andamento: What Alice Knew: A Most Curious Tale of Henry James and Jack the Ripper (Paula Marantz Cohen) e Ficção de Polpa V.2 (Vários)

Livros que chegaram: Cabelo Doido (Neil Gaiman e Dave McKean), O Mundo das Sombras (L.J. Smith), Mortalha para uma enfermeira (P.D. James), Absolute Sandman V.1 (Neil Gaiman), Oscar Wilde (Daniel Salvatore Schiffer), Tequila Vermelha (Rick Riordan), Intermitências da Morte (José Saramago), Ficção de Polpa V.2 (Vários), Ficção de Polpa: Crimes! (Vários) e Trsite Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto).

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Oscar Wilde (Daniel Salvatore Schiffer)

Vigésimo título da coleção Biografias da editora L&PM, Oscar Wilde de Daniel Salvatore Schiffer apresenta uma pesquisa completíssima sobre a vida do autor britânico. Trechos de cartas de Wilde e seus amigos, biografias de pessoas que conheceram o escritor, depoimentos de seus filhos, etc. tudo foi utilizado para montar um retrato fiel do que foi esse grande homem, que de certa forma dá até para dizer que foi maior do que sua própria obra.

Antes da “era paparazzi” isso acontecia com poucos artistas: ter a vida pessoal tão esmiuçada pelo público, ser de fato artista e celebridade. Wilde criou uma personagem que serviria como uma máscara protetora para quando passou a frequentar a sociedade inglesa, que tão ferinamente criticava em suas peças e em seu único romance, O Retrato de Dorian Gray. É justamente por ter a difícil tarefa de separar o homem da personagem que Schiffer merece destaque entre os biógrafos de Wilde.

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Ah, as personagens!

Falando sério, acho que alguns livros não são legais necessariamente por causa do enredo, mas por causa das personagens. Aquela coisa, história não muito original, mas aí chega aquela figura que se destaca por dizer coisas que você adoraria ter dito, ou por agir de um jeito que às vezes só funciona na Literatura mesmo. Eu tenho certeza que você já passou por isso também – assim como sei que em algum momento na adolescência até uma paixão platônica deve ter aparecido (ou no mínimo o desejo de poder conhecer a personagem na vida real).

Foi pensando nisso que resolvi fazer esse meu top5, só com meus personagens favoritos de todos os tempos. Se eu lembrar, estenderei isso para o cinema também. E fique à vontade para postar sua lista aqui nos comentários, até porque aquela coisa, consequentemente acaba virando sugestão de leitura para todos, né?

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Hellfire Club Onze e Meia

Sempre imaginei como seria bacana poder entrevistar alguns escritores que admiro mas que já bateram as botas. Foi pensando nisso que resolvi criar o Hellfire Club Onze e Meia, uma entrevista de mentirinha na qual pego frases do autor para elaborar as respostas. Vou começar com o Oscar Wilde, pelo simples fato do cara ter sido praticamente uma fábrica de citações, o que facilita bastante a brincadeira. As “respostas” foram todas retiradas do livro Aforismos, publicado pela editora Newton Compton em 1995 mas eu sugiro fortemente a leitura das obras do Wilde para o caso de quererem contextualizar o que está escrito aqui.

Sugestão de leituras: o artigo da wiki em inglês, para começar. Tem algumas edições de obras (quase) completas do Wilde rolando por aí, entre elas Obras Primas de Oscar Wilde da Ediouro, e a editora Landmark acabou de publicar uma edição bilíngue de O Retrato de Dorian Gray, que no final das contas é a obra mais conhecida dele. E se quiser falar sobre ele, lá no Meia Palavra já temos um tópico do autor, dá uma passadinha para conferir. E agora vamos ao Hellfire Club Onze e Meia!

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Plano 9 do Espaço Sideral

Algumas coisas ganham fama por causa da história por trás dos fatos. Eu sei que corro o risco de soar herege, mas Oscar Wilde era um sujeito que provavelmente ficaria ali na maré dos escritores querendo ser famosos se ele não fosse o indivíduo que era: aquele que a cada momento que abria a boca, lançava uma pérola pronta para ser repetida por anos e anos1. Não é que ele não seja bom, longe disso. É um dos meus favoritos, como muitos bem o sabem. Mas tem muita gente boa que não ganha destaque porque é conta histórias de forma excelente, mas não tem uma história de vida digna de nota, digamos assim.

É seguindo essa trilha que chegamos ao Plano 9 do Espaço Sideral. A fama do filme? Simplesmente a de ser a pior produção de todos os tempos. A história acabou se espalhando com maior facilidade após o lançamento de Ed Wood, cinebiografia sobre o diretor de Plano 9, lançada em 1994 (e apresentando um Johnny Depp ainda começando a brilhar no papel principal).

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  1. por exemplo, na alfândega: “não tenho nada a declarar, a não ser o meu gênio” 

O Retrato de Dorian Gray

(Aquela citação sobre A Insustentável Leveza do Ser me deu idéia para isso…)

SÉRIE: LIVROS DA MINHA VIDINHA

Livro: “O Retrato de Dorian Gray”
Autor: Oscar Wilde
Se gostar, leia também: “O Marido Ideal”

Único romance de Oscar Wilde, já reconhecido como clássico, O Retrato de Dorian Gray desde o início revela a marca fundamental do autor: seu sarcasmo. Esse tom é fácil de ser percebido em suas diversas frases paradoxais, outras de humor cáustico, em sua grande maioria proferidas pelo personagem Lorde Henry Wotton.

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O Retrato de Dorian Gray

(Aquela citação sobre A Insustentável Leveza do Ser me deu idéia para isso…)

SÉRIE: LIVROS DA MINHA VIDINHA

Livro: “O Retrato de Dorian Gray”
Autor: Oscar Wilde
Se gostar, leia também: “O Marido Ideal”

Único romance de Oscar Wilde, já reconhecido como clássico, O Retrato de Dorian Gray desde o início revela a marca fundamental do autor: seu sarcasmo. Esse tom é fácil de ser percebido em suas diversas frases paradoxais, outras de humor cáustico, em sua grande maioria proferidas pelo personagem Lorde Henry Wotton.

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