Mr. Nobody

Você tem que fazer a escolha certa. Enquanto você não escolhe, tudo é possível.” Eu poderia usar essa frase para resumir Mr. Nobody (sem data de estreia no Brasil, infelizmente), o problema dela é que deixaria de lado outros tantos detalhes que combinados fazem desse um dos melhores filmes que vi esse ano. Mr. Nobody é daqueles dramas com pinceladas de romance, sci-fi, fantasia. Aquela história que no final das contas acaba te pegando de jeito, das que você gostaria de ter contado para alguém.

Começamos com Nemo Nobody completando 118 anos, em um futuro daqueles bem clichezões (feche os olhos e pense em filmes futuristas que não são distopias e vai entender o que estou falando). Em conversa com um médico, começa a relembrar tudo o que viveu até aquele momento. E não demora muito para quem está assistindo ao filme perceber que o passado dele tem algo de atípico: parece ser vários, como se ele tivesse a permissão de viver várias vidas ao mesmo tempo.

Os elementos visuais são bem importantes em Mr. Nobody, e o trilho de trem se abrindo em vários caminhos representa de forma perfeita a vida de Nemo. O momento que tem que decidir se ficará com a mãe ou com o pai parece ser decisivo, criando essas várias linhas de história para uma mesma personagem. É a partir dessa decisão que todas as outras de Nemo acabam se encaixando, o conduzindo a vida com uma garota ou outra, um emprego ou outro, uma morte ou outra.

Tudo isso misturado a questões como entropia, teoria do caos (por favor, esqueça de O Efeito Borboleta), teoria das cordas e muito mais. Não temos só o(s) passado(s) de Nemo, mas também a apresentação de temas relacionados basicamente com aquilo que mais vezes remoemos quando achamos que as coisas não estão indo tão bem: o que deixamos para o acaso, o que seria diferente se tomássemos uma outra decisão. Ou, como fica bem representado em uma carta que Nemo escreve:

There comes a time in life where everything seems narrow. Choices have been made. I can only continue on. I know myself like the back of my hand. I can predict my every reaction. My life has been cast in cement with airbags and seatbelts. I’ve done everything to reach this point and now that I’m here, I’m fucking bored. The hardest thing is knowing whether I’m still alive.

E se você parar para pensar que são 2 horas e 35 minutos de filme, e que em nenhum momento você pensa que ele poderia acabar logo, dá para ter ideia de como é bem executado. Eu acho que talvez o único problema é que Jean (uma das esposas) acaba aparecendo muito como um tapa-buraco, não sei explicar. Anna e Elise tem muito mais tempo na história, e talvez fosse melhor focar apenas nelas, já que uma é consequência da decisão dele de ir embora com a mãe e a outra com o pai.

Mas não estraga o filme, que é ótimo mesmo. E lindo também – esteticamente falando. O cuidado com a parte visual é impressionante, rendendo cenas que parecem sonhos. E mesmo a questão dos símbolos, como falei, os trilhos, ou mesmo a estação de trem se chamar “Chance”, ou seja, acaso. As cores que representam cada uma das esposas (Anna/vermelho, Jean/amarelo e Elise/azul, esse último até a ironia de azul, blue, tristeza, e talz).

Sério, eu sei que vai custar um trabalho meio Jack Sparrow (produção europeia, parece que só tem sido lançada em festivais, etc.) mas vá atrás desse filme. Você não vai sentir o  tempo passar, vai se emocionar sem ser de uma forma barata e certamente se surpreender. E para as meninas tem o incentivo extra de Nemo Nobody ser interpretado pelo Jared Leto, há.

5 comentários em “Mr. Nobody”

  1. Acabei de assistir por sua recomendação e não me arrependo. Que filme bacana, puts. Fazia tempo que não via um filme desses… de parar pra pensar sobre… tudo. 🙂

    Ah! A trilha sonora também é muito boa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *