Guerra Mundial Z e Meu namorado é um zumbi: ou, “Das adaptações”

ZombieLove-1Nem vou entrar nos méritos da obviedade de uma adaptação cinematográfica de um livro não ser exatamente igual ao livro (consigo pensar em poucos casos em que isso de fato ocorreu), mas estava pensando aqui sobre dois lançamentos de 2013 que têm zumbis no enredo, e em como essa questão da adaptação pareceu trabalhar de formas diferentes para cada um.

Vamos começar com Meu namorado é um zumbi (estreia prevista para 8/2), que é baseado no livro Sangue Quente. Pelas primeiras notícias, quando ainda achava que o título aqui no Brasil seria Sangue Quente também, pensei: “O conto é genial, o livro é maizomeno, o filme será um cocô”. Aí apareceu um trailer que fez com que eu mudasse de ideia, esse aqui: Continue lendo “Guerra Mundial Z e Meu namorado é um zumbi: ou, “Das adaptações””

Bonsai (Alejandro Zambra)

bonsai(Observação: e aos poucos eu vou trazendo meus posts sobre leituras que publiquei nos tempos do Meia Palavra e deixei de publicar aqui. Este sobre Bonsai (Alejandro Zambra), foi publicado em junho do ano passado. A essa altura quase todo mundo já leu o livro, mas de qualquer forma, acho que vale a pena o registro, até como sugestão para quem ainda não conheceu a obra.)

De todos os métodos para procurar novos livros para ler, um que nunca falha para mim é o “falatório entre conhecidos”. Se um amigo seu diz que leu e adorou, depois aparece uma resenha de um crítico que você normalmente lê, aí alguém fala no twitter, etc. etc. etc. pode saber: será no mínimo bom. Foi o que aconteceu comigo sobre Bonsai, estreia na ficção do chileno Alejandro Zambra. Lançado no mês passado aqui no Brasil pela Cosac Naify, desde então quase todos os meus contatos literários estão pelo menos em um dos dois estágios com esse livro: leu ou quer ler. E já acostumada a seguir sem medo  o tal do “falatório entre conhecidos”, fui conferir o que esse livro tinha a oferecer (e saber o porquê, afinal, de falarem tanto sobre ele).

O que chama a atenção logo de cara é que Bonsai é curtíssimo. Dá pouco mais de 90 páginas, mas há de se considerar o projeto gráfico da publicação, que ocupa pouco espaço das páginas (ou seja, das 90 dá para dizer que ele provavelmente tem algo em torno de 60). Eu fiquei realmente curiosa se há alguma intenção de que o leitor apare as sobras do livro, como quem cuida de um bonsai. Confesso que ver o pontilhado da capa despertou em mim um desejo irresistível de fazê-lo, mas como sofri com meu Bartleby, resolvi deixar para lá qualquer exercício envolvendo tesouras ou guilhotinas e apenas ler. Continue lendo “Bonsai (Alejandro Zambra)”

O lado bom da vida

lado-posterO leitor é um adivinhador. Inconscientemente enquanto lemos estamos sempre tentando antecipar o que vem a seguir: qual a próxima ação da personagem, quando o autor explicará alguma condição dessa e assim vai. Mesmo quando os temidos “spoilers” são revelados, ainda assim o processo de adivinhação continua: ok, você sabe que “x” acontecerá – mas quais os eventos que levarão até “x”? Muitos autores construíram suas maiores obras partindo justamente dessa dinâmica do leitor com o texto, buscando inclusive romper com as expectativas mais óbvias. Outros, criam a expectativa através dos famosos “ganchos” que finalizam um capítulo o outro.

Porém, há os que buscam de certa forma colocar o leitor na mesma condição de seus protagonistas. Aquela sensação de pegar “o bonde andando” e ter que se atualizar sobre o que andou acontecendo, a estranheza ao estar em um ambiente que deveria ser familiar mas que não é mais. É exatamente o que Matthew Quick faz em seu romance de estreia, The Silver Linings Playbook (publicado lá fora em 2008 e chegando no Brasil agora pela Instríseca como O lado bom da vida). Situando a história no momento em que o protagonista Pat está deixando um hospital psiquiátrico, e fazendo com que essa personagem seja também o narrador da história, revivemos um sentimento de termos que primeiro encaixar peças de nosso passado para então partir para a brincadeira de adivinhação sobre o que virá a seguir.

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As vantagens de ser invisível (Stephen Chbosky)

As Vantagens de Ser InvisívelNota: Este post foi publicado originalmente no Meia Palavra em abril do ano passado. Eu estava mantendo o histórico no meu blog-arquivo, mas como algumas pessoas andaram pedindo que eu republicasse o texto, estou colocando aqui para vocês. Sobre o filme, eu dei minha opinião neste post aqui.

Não há nada mais bacana que ter um livro em mãos sem qualquer expectativa e ser surpreendido pouco a pouco com o que ele tem a revelar. Com The Perks of Being a Wallflower, de Stephen Chbosky (lançado aqui no Brasil pela Rocco como As vantagens de ser invisível), foi exatamente assim. Comecei a ler porque depois de Psicopata Americano eu queria algo mais leve, para passar o tempo mesmo. E Perks parecia a escolha ideal: livro para jovens publicado originalmente em 1999, mas que se passa em 1991, trata-se de um romance epistolar mostrando um pouco da vida de Charlie, um adolescente de 16 anos que acaba de começar uma nova etapa na vida de estudante. O melhor (e único) amigo acabou de se suicidar, e como ele se encontra completamente sozinho, resolve enviar cartas para uma pessoa que ele não conhece, comentando sobre tudo o que tem vivido. Continue lendo “As vantagens de ser invisível (Stephen Chbosky)”

Parando de comprar livros

10 em cada 10 leitores vorazes sustentam um hábito de comprar mais livros do que conseguem ler. Pode seguir qualquer um deles e as reclamações estarão lá: “Metade do mês e já comprei 20 livros!”, “Não aguentei a promoção e comprei mais livros!” e variações do mesmo tema. Tem pouco tempo estava todo mundo por aí compartilhando esta imagem dizendo que praticava tsundoku.

tsundokuO que é legal, supondo que você tenha bastante dinheiro. E o que é unicamente problema seu, supondo que você não tenha. Não vou criticar quem tem orgulho de comprar livros como se não houvesse amanhã (ou limite no cartão), a questão é que agora no começo do ano resolvi parar de tsundokar por uns tempos.

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Ficção Nacional

Saiu hoje matéria na Folha comentando o óbvio para qualquer um que costuma acompanhar listas de mais vendidos aqui do Brasil: livros de ficção escritos por autores nacionais raramente aparecem entre os sucessos de vendas. O interessante da reportagem é ler o que o pessoal das editoras tem a dizer sobre o assunto. Chama a atenção o fato de que dessa vez a culpa não foi jogada no colo do leitor como normalmente acontece, mas do escritor, como dá para ver neste trecho:

recordOpinião parecida com a do publisher da Companhia das Letras, Otávio Marques da Costa, assim como o diretor-geral da editora Leya, Pascoal Soto, que comenta:

sotoSobre as afirmações do Soto eu vou comentar algo a mais, por enquanto vamos observar essa conversa de que não temos autores nacionais que escrevam “ficção mais popular” ou “de forma mais acessível”.

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Então você quer dar livros de presente de Natal?

Eu adoro ganhar livro de presente e defendo abertamente a ideia de que não há presente mais bacana para dar para uma pessoa do que livro. Portanto, é evidente que eu acho que a melhor sugestão de presente de Natal é dar um livro (oh, really?). Poréééém, muito embora seja algo bacana de ganhar, acho que vale o alerta: não é algo fácil de dar. E isso por ‘n’ motivos, mas principalmente porque, ao contrário de um perfume, uma camisa ou um urso de pelúcia, leitores têm a mania de procurar em livros um “significado oculto”, uma mensagem sutil. Leitores mais vorazes costumam ser especialmente chatos de presentear também, seja porque aparentemente eles já leram tudo o que já foi publicado hoje em dia, ou porque eles já estão naquela fase em que sabem exatamente o que querem, então não dá para agradar com qualquer coisa.

Pensando nisso resolvi elaborar não exatamente um post com dicas de livros para dar de presente, mas de dicas para você que resolveu dar livros de presente. O bom é que você pode usar esse guia para outras situações, como aniversário, formatura e casamento (não, seriously, até para casamento é um presente legal). Então pega na minha mão e vamos lá, pequeno gafanhoto.

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Era final de 2001…

… tinha acabado de ganhar o livro de capa preta da minha mãe – não que ela tivesse adivinhado que eu queria muito aquele, eu sempre deixo muito claro o que eu quero muito ler perto de Natal e aniversário. “O Senhor dos Anéis”. Eu lia a revista SET (na realidade, tinha assinatura) e sabia de toda a agitação ao redor da produção que chegaria ao Brasil no dia primeiro de janeiro, e esse aliás foi um dos ‘n’ fatores que atiçaram minha curiosidade sobre o livro. Devorei em poucos dias (livro favorito: As duas torres. personagem favorito na época: Legolas), empolgadérrima ao ponto de tentar por conta própria aprender tengwar e aquelas runas dos anões cujo nome não lembro mais. Enfim, evidente que eu era uma das malucas que no primeiro dia do ano, com o resto do shopping inteiro fechado, estava lá fazendo fila para conferir o filme A sociedade do anel, o primeiro da trilogia do Peter Jackson.

Entendam: não era aquela nerd apaixonada pelos livros, que já tinha lido tudo o que saiu sobre Tolkien. Tolkien nem passava no meu radar antes de começarem os falatórios sobre a adaptação. Mas o filme me encantou ao ponto de eu começar a querer saber mais daquele mundo. Porém, a vida vai atropelando nossos pequenos prazeres, e em janeiro eu tinha aulas na faculdade para colocar em dia o calendário após uma greve longa, que inclusive só perdeu o posto de “greve mais longa” este ano. Verdade seja dita, acho que meu ex se envolveu muito mais em “tolkienidades” do que eu, tanto que ele que me apresentou o site e o fórum Valinor. Sobre o fórum, no começo eu lia usando a conta dele, adorava os tópicos do Clube da Insônia. Até que resolvi me cadastrar, com o fantástico nick ~·*Preciosssssa*·~ (sim, messsstre, preciossssa), que depois mudei para o ~·*Ana Lovejoy*·~. Fiz amigos lá, ao ponto de fazer uma churrascada em casa com trocentas pessoas que nunca tinha visto pessoalmente até então. Comecei a achar graça de questões que antes nem passavam na minha cabeça (alou, asas de balrog?), e a ansiedade pelo segundo filme foi crescendo. As Duas Torres chegou aos cinemas no dia 27 de dezembro, e eu estava lá na fila da estreia também.

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Música em True Blood

Já passaram aí 5 temporadas e acredito que qualquer um que acompanhe a série já deve ter reparado que True Blood tem uma relação bem forte com música. Ou vai dizer que você nunca percebeu que os títulos dos episódios são títulos de músicas? Eu percebi isso rápido, mas dava mais créditos pelas músicas bacanas que conhecia por conta da trilha sonora das propagandas anunciando temporadas novas (como Beyond Here Lies Nothin’, do comercial da segunda temporada, Fresh Blood da terceira e Future Starts Slow que eu juro que não lembro se era da quarta ou da quinta). Sabe aquela sensação de que mesmo que eles enfiem o pé na jaca e estraguem tudo, pelo menos valeu a pena por poder ter conhecido músicas que em outra situação eu provavelmente teria deixado passar batido.

Então, pensando nessa relação entre Música e True Blood, eu resolvi fazer um top5 de músicas de cada temporada, adicionando alguns comentários sobre a temporada em si. Para ouvir a música basta clicar nos links (e torcer para que os deuses da internetz não façam deles links quebrados no futuro). Vamos lá!

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Barba Ensopada de Sangue (Daniel Galera)

Quando anunciaram os 20 nomes selecionados para a Granta dos jovens escritores brasileiros, lembro que boa parte não vi como surpresa – já sabia que estariam lá. O que é até engraçado, se pensar em casos como o de Daniel Galera, autor que até então nunca tinha lido, mas de quem ouço tantos elogios que só poderia imaginar que estaria entre os 20. E sim, lá está ele, com Apneia, trecho de um romance que até então ainda não havia sido publicado. Não li todos os textos da revista ainda, mas até o momento o do Galera é meu favorito, de longe o que mais me empolgou. Digo isso para explicar minha ansiedade para a chegada de Barba Ensopada de Sangue, o tal do romance de onde foi retirado o trecho da Granta. Se o autor continuasse no livro o que fez naquele pedaço da história, eu sabia que iria adorar. Enrolei um pouco para comprar o livro porque não queria comprar em loja virtual e correr o risco de receber a capa azul ou a verde (sim, sou dessas), mas finalmente com o livro em mãos, devorei as mais de 400 páginas rapidamente. O que já responde a pergunta de todo curioso “É bom?”. Sim, é.

Mas vamos por partes, porque não é um livro que merece ser comentado apenas na base do é bom ou não. Eu sabia alguma coisa da história por conta da leitura de Apneia: o pai do protagonista queria se suicidar, e ao conversar com o filho, conta sobre o passado de seu pai, dado como morto em Garopaba (litoral catarinense) muitos anos antes. Tendo isso em mente, acabei estranhando o texto de abertura do romance, em itálico e na primeira pessoa, falando “meu tio”. Meu tio? Mas não seria o avô? Como assim? Ok, resolvi confiar em uma explicação que surgiria mais para frente (e aparece, falarei sobre isso depois) e deixei o narrador (que passa a ser em terceira pessoa) me conduzir.

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