A primeira vez que li Isaac Marion foi em uma tradução do conto I am a zombie filled with love que li no blog Jesus Me Chicoteia. Foi paixão a primeira leitura, entrou naquela seleta lista dos contos favoritos. Marion mostra ali um estilo bastante introspectivo mas ao mesmo tempo tão cativante, com passagens como “Não há um motivo real para nada disso mas, como eu disse, o mundo foi simplificado. O amor foi simplificado. Tudo é fácil agora. Ontem minha perna caiu, e eu nem liguei.“. E justamente por ter gostado tanto do conto é que fiquei muito feliz quando soube que Marion o transformou em um romance chamado Warm Bodies, e mais feliz ainda quando vi que a Leya trouxe para o Brasil a tradução desse livro, chegando aqui com o título Sangue Quente.
Mas aí caímos no velho problema das altas expectativas. É evidente que com Sangue Quente finalmente em mãos eu simplesmente devorei o livro, porque precisava ver o que Marion tinha feito daquela história que eu tanto gostara. A questão é que, infelizmente, o romance não fica a altura do conto, talvez justamente por ter que apresentar mais elementos que justifiquem o gênero (mais longo). Então por mais que o livro seja bom e valha a pena conferir, para quem conheceu I am a zombie filled with love fica um gostinho um pouco “agridoce”, digamos assim.
Sempre que me perguntam sobre qual livro ler de um escritor, eu costumo fugir da indicação óbvia dos grandes romances caso ele tenha também criado uma série de contos. O que funciona em ter uma coletânea de contos como porta de entrada para o universo de um autor é que serve como pequenas amostra grátis, aperitivos ou seja lá qual for o termo que achar mais apropriado para uma breve experiência do que será ler algo escrito por essa pessoa. Como contos são breves, se for ruim você não perderá tanto tempo assim. E como são vários, há a oportunidade de conhecer várias facetas e estilos de um escritor antes de se aventurar por seus romances.
O maior problema das séries literárias é que bem, elas são séries. Como tal, por mais que você se divirta em saber um pouco mais das personagens que gostou no primeiro livro, começa então a sentir aquela sensação de que seria melhor parar, antes que a trama desande. Foi o que eu senti ao ler O Pacto dos Vampiros, da brasileira Nazarethe Fonseca. Dando continuidade aos eventos de
Descrever os eventos que ocorreram antes de Hamlet, a peça de Shakespeare. Parece bastante ousado, considerando a quantidade de apaixonados pela peça, a quantidade de estudiosos que ela acumulou ao longo dos séculos e, mais importante, por ser de Shakespeare. Mas John Updike assume a tarefa no romance Gertrudes e Cláudio, livro publicado em 2000 que conta a vida de Gertrude desde um pouco antes de casar com rei Hamlet até o primeiro ato de uma das obras mais famosas do teatro.
Algumas pessoas costumam torcer o nariz quando assunto é História, mais especificamente História do Brasil. Talvez tenha alguma coisa a ver com o processo que na escola transforma futuros leitores em odiadores de Literatura (e Literatura Nacional), mas a realidade é que para muita gente passar no vestibular significa, entre tantas coisas, tirar o peso de “coisas chatas” como essa. E aí que pessoas assim acabam perdendo livros excelentes como Boa Ventura! de Lucas Figueiredo, que já no subtítulo deixa claro sobre do que se trata: A corrida do ouro no Brasil (1697-1810) – A cobiça que forjou um país, sustentou Portugal e inflamou o mundo.

