Rushmore

Aparentemente eu estou em uma fase “filmes que ganharam títulos ridiculamente bizarros”, não sei. Primeiro foi Heathers (Atração Mortal). Agora vou lá no IMDb ver qual é o nome aqui no Brasil para Rushmore e pans, TRÊS É DEMAIS. Aposto que a tradução foi feita a partir da sinopse e que essa tinha aquele tom de narração de Sessão da Tarde ou qualquer coisa do tipo, porque não consigo pensar em título mais equivocado para o filme do que esse. Aliás, que fosse “Rushmore – Inclua aqui um subtítulo tosco”, já faria mais sentido.

Eu reclamo dessas traduções ruins porque elas podem fazer com que um filme que até tenha potencial fracasse miseravelmente aqui no Brasil, sendo completamente ignorado por conta de um título estúpido. Veja lá o caso de The Fall, lindíssimo, que virou Dublê de Anjo. Nem eu perderia minutos preciosos da minha vidinha para assistir a um filme com esse nome. E acho que o mesmo acaba valendo para Rushmore.

Não que Rushmore seja genial, inesquecível, etc. Ele é bonitinho. Daqueles que vale a pena ver para se distrair e tudo o mais. E tem o Bill Murray interpretando um daqueles losers perdidos como ele mostrou que sabe fazer tão bem em Lost in Translation e Broken Flowers. Mas a verdade é que eu consigo contar nos dedos de uma mão só amigos que tenham em algum momento feito alguma menção a esse filme, o que mostra que claramente ele acabou passando batido desde seu lançamento (tem mais de uma década já, saiu em 1998).

O filme conta a história de Max Fischer, um garoto de 15 anos que tem uma bolsa de estudos na escola Rushmore. Isso é a vida dele, e ele se dedica como louco… às atividades extra-curriculares. Nas disciplinas obrigatórias ele está reprovando indo mal em tudo, o que acaba causando a expulsão dele de Rushmore. Nesse meio tempo ele conhece dois adultos que passam a influenciar todas suas ações: o ricão Herman Blume (interpretado por Bill Murray) e a professora Rosemary Cross.

Ok, temos três personagens aqui e disso já dá para concluir de onde saiu o título tosco em português, certo? Sim, como seria previsto um tipo de triângulo amoroso se forma entre os três, aquele tipo bem familiar de uma penca de adolescente, que apresenta um vértice platônico. Mas eu acho que esse não é o combustível de Rushmore, seria quase que uma engrenagem, digamos assim. O que sustenta a história é a maturidade, o que vem a ser isso. Max é precoce, mas é um bebezão. Blume é um adulto, mas também é um crianção. Quem aparece como o ponto de equilíbrio é Rosemary Cross, que no final das contas é quem deixa claro para os dois o quanto eles são imaturos.

É um filme leve, despretensioso. Tem alguns detalhes que são meio exagerados, como que para lembrar que é só uma história (reparem nas produções que o Max consegue fazer no teatro), mas por outro lado não parece em nenhum momento querer prometer mais do que entrega, o que é até bastante raro, se for pensar bem.

Um comentário em “Rushmore”

  1. Eu amo esse filme. Vi pela primeira vez quando saiu no cinema, e me identifiquei demais, talvez por ser adolescente na época. Virei fã desse clima agridoce dos filmes do Wes Anderson.

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