Os (não) casais favoritos

Eu não vou entrar nos méritos de definições e afins, tenho certeza que já falaram muito sobre shipping por aí (se você não faz ideia do que estou falando, pula na wiki e depois volta para cá). A questão é que de uns tempos para cá percebi o quanto eu sou azarada nessa coisa de shippar. Tão azarada que dia desses, ao perceber que mais uma vez torcia por um casal que nunca ficaria junto, até cantarolei no twitter:

O que acho engraçado é que isso não acontece tanto com filmes ou livros, meu lado noveleira só fala mais alto quando estou assistindo séries (e quando eu era mais nova, com o X-Men, hehe). Pensando aqui, acho que desde Brenda e Dylan em Barrados no Baile, minha torcida nunca deu certo. NUNCA. E nem é só questão de dois personagens que eu achava que tinham algo a ver nunca ficarem juntos, porque até quando finalmente engatavam um relacionamento, acontecia algo e pans, eles se separavam/morriam/insira aqui um outro final infeliz. Quer ver como sou pé frio? Está aí o meu top5 que não me deixa mentir.

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Trilogia Jogos Vorazes (Suzanne Collins)

Então que há tempos toda vez que vou mencionar Jogos Vorazes eu lembro que não coloquei os posts que publiquei no Meia Palavra aqui no Hellfire, tenho só meus comentários sobre o filme. Eu li os livros entre fevereiro e março do ano passado, daquele jeito meio imerso que depois dá até uma ressaca literária depois. No Meia escrevi separadamente sobre cada um deles, mas convenhamos, sendo isso aqui só uma republicação, não vejo motivo para separar em três posts. Portanto senta que lá vem história, porque aqui vou falar de Jogos Vorazes, Em chamas e A Esperança.

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JOGOS VORAZES

Confesso que comecei a ler Jogos Vorazes com uma certa carga de preconceito que tenho sobre o que se publica ultimamente para o público infantojuvenil. Pensei “Lá vem mais uma história romântica com um casal improvável…”. Mas estava dando um crédito mesmo assim para o primeiro livro da série escrita por Suzanne Collins porque pessoas cujo gosto é parecido com o meu falavam muito bem do livro. Primeiras páginas, fico conhecendo Katniss Everdeen, adolescente que vive em um futuro para lá de distópico: o mundo se organiza em distritos, cada qual com sua matéria-prima principal, todos tendo que servir a Capital sem perguntas. A última vez que uma revolta aconteceu, a Capital acabou com quem ia contra seu poder e criou a partir daí os Jogos Vorazes. Continue lendo “Trilogia Jogos Vorazes (Suzanne Collins)”

Escolhas, escolhas…

canecaSe me perguntarem do que sinto falta sobre ter parceria com uma editora, eu diria: de não precisar ter critérios para escolher o que leria. Os livros já chegavam até mim com uma pré-filtragem (normalmente os lançamentos ou livros que as editoras queriam divulgar) e, como eu tinha o compromisso de resenhá-los, tinha que ler todos até o fim – mesmo achando o começo sem graça. Eu sei que muita gente pode ver isso como algo negativo (já li muita reclamação de pessoas sobre “todo mundo sempre falar dos mesmos livros”, por exemplo), mas para mim, como leitora, era uma benção. Porque eu tenho um sério problema na hora de escolher o que ler.

Fico tão ansiosa com essa ideia de que não poderei ler tudo o que foi publicado que acabo encontrando dificuldades na hora da escolha. Quem vem primeiro na fila dos ‘n’ livros para ler? Aquele livro recomendadíssimo por um amigo com gosto similar ao seu? O outro que tem sido elogiadíssimo em várias resenhas? O novo do seu autor favorito? Qual o critério para quem não tem qualquer obrigação com a leitura? Pois é. Eu não tenho. Ou às vezes até tenho, mas são bizarríssimos ou completamente contraditórios, do tipo “Leia antes que chegue o filme” (como fiz com O lado bom da vida) e “Leia porque você gostou do filme” (como fiz com As aventuras de Pi). No final é tão aleatório que não dá para dizer que há um critério (ou um método nessa loucura, como dizia o tio Will).

O problema disso tudo é que na ansiedade, você acaba largando livros mais rápido do que normalmente abandonaria. Ou ainda, quando você não tem critério fica muito fácil começar a tender para um só tipo de leitura. Porque a gente se acomoda. Gosta de um autor em específico e aí quer ler tudo dele (oi, Gillian Flynn!), fica confortável com um determinado tipo de livro e aí basicamente só troca de autor (ou título), mas o enredo continua sempre o mesmo. E mesmo assim, a tal da ansiedade de não poder ler tudo continua, dando espaço para um sentimento que faz com que eu lembre muito de uma cena em especial do filme Quase Famosos: Continue lendo “Escolhas, escolhas…”

Se eu Ficar (Gayle Forman)

if-i-stayEu tenho certeza que o Book Riot fez uma lista semelhante, mas semana passada vi uma lista no BuzzFeed com 14 livros para ler antes que chegassem às telonas, e alguns títulos chamaram minha atenção, mais especificamente os três últimos: If I Stay, The Spectacular Now e Reconstructing Amelia. Ok, kindle carregado, vamos lá. Comecei por If I Stay, não sei bem por qual razão. Escrito por Gayle Forman e publicado lá fora em 2009, ele chegou aqui no Brasil no mesmo ano pela editora Rocco, com o título Se eu Ficar. A adaptação para o cinema ainda está naquele limbo de pré-produção, com mais rumores do que notícias, sabe como é. Entre os tais rumores, há o de que a Hit Girl Chloë Grace Moretz interpretará a protagonista, e até que o brasileiro Heitor Dhalia (de O Cheiro do Ralo) assumiria a direção, que no momento está por conta de R. J. Cutler, de quem nunca ouvi falar mas o IMDb diz que dirigiu alguns episódios de Nashville (que eu também nunca vi, há!). Enfim, se você quer ler “antes que chegue às telonas”, pode ficar tranquilo que antes de 2014 não chega, não.

Então, sobre o livro. Se eu ficar conta a história de Mia, uma adolescente de dezessete anos que sofreu um acidente de carro bem feio com sua família. Ela está em coma e passa por uma daquelas experiências fora do corpo, viagem astral, projeção de consciência ou seja lá como chamam isso. Enfim, ela vê o corpo dela lá, todo entubado. Vê as pessoas conversando com ela, e aos poucos vai percebendo que ela terá que tomar uma decisão: a de viver (ou seja, “ficar”, sacou o título, ahn, ahn?) ou desistir e morrer. Aos poucos vão aparecendo os argumentos para cada uma das opções, que é o que de forma segura a atenção do leitor até o fim da narrativa: o que aconteceu com sua família? Como o namorado Adam reagirá ao acidente?, etc.

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Love Is a Mix Tape: Life and Loss, One Song at a Time (Rob Sheffield)

LADO A

Love is a mix tape

Muito embora meu contato com música no último ano seja mais Interpol/Paul Banks em eterno repeat no player, a verdade é que gosto de música. Muito. Cresci em uma família de pessoas apaixonadas por música, durante um bom período da minha adolescência música era o que movia meus dias e portanto eu sei bem o que Rob Sheffield quer dizer quando comenta sobre nossa capacidade de conversar através da música em sua autobiografia Love is a Mix Tape: Life and Loss, One Song at a Time, publicado em janeiro de 2007 nos Estados Unidos e, pelo menos após uma rápida googlada, aparentemente sem tradução no Brasil (ainda). Mais do que nos ajudar a falar, a música também tem outra característica (também reconhecida por Sheffield e muito, muito apreciada por mim) de permitir viagens no tempo. Toca Bitter Sweet Symphony e lá estou eu, caminhando pelos corredores da PUC. Escuto Love Me Do e estou em uma viagem de carro com a família quando ainda era criança. Toca Qualquer coisa e tenho quinze anos e estou voltando do colégio com minha amiga e juntas cantamos a música bem alto. E por aí vai. Não tem a ver com o ano de lançamento da canção, mas com o momento em que você conheceu a canção. Quem estava com você. O que você estava fazendo. Quem te apresentou. Quem ouvia muito com você.

E Love is a Mix Tape toma emprestada essa característica da música para que o autor resgate as lembranças do tempo em que conheceu e viveu com sua esposa, Renée Crist. Ambos eram jovens recém-formados e obcecados por música (e mix tapes, é óbvio), casaram cedo mas, infelizmente, tiveram apenas cinco anos para compartilharem essa paixão. Renée faleceu em maio de 1997, vítima de embolia pulmonar. 1

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Black Books

tumblr_moqmteZLik1swfxe7o1_r1_500Eu sei que o esqueminha de sugestões do Netflix normalmente não funciona (ou você acha que um perfil assim surgiu por nada?), mas logo que acabei The IT Crowd sugeriram Black Books, também uma série cômica britânica. E vendo a premissa básica (o dia a dia de um dono de uma loja de livros super mal humorado), meu lado book nerd falou mais alto e lá fui eu conferir. Criada por Dylan Moran (que também interpreta o protagonista Bernard Black) e por Graham Linehan (um dos nomes por trás de The IT Crowd), a série foi ao ar em 2000 e terminou em 2004, com um total de três temporadas, com seis episódios de cerca de 25 minutos cada.

Confesso que achei os dois primeiros episódios engraçadinhos, mas não via muito bem onde aquilo poderia parar. Neles são apresentados além de Bernard os outros dois personagens principais, Manny Bianco (um contador que um dia surta e passa a trabalhar para Black) e Fran Katzenjammer, dona da loja ao lado da Black Books. Hmkay, nada espetacular, fui para o terceiro por pura teimosia. E aí que começou a ficar bom, “Grapes of Wrath” é simplesmente hilário.

O negócio é que como quase sempre acontece em sitcoms, Black Books não nos prende por causa de algum segredo não revelado ou uma trama elaboradíssima: é porque vamos nos apegando às personagens, começando a prever reações e, no caso dessa série em específico, saber que o negócio é realmente esperar o inesperado. O estilo de humor é completamente nonsense, com mini-bares embaixo de mesas de restaurantes até um funcionário sendo contratado por uma empresa e quase chegar em cargo de gerência sem ter a menor ideia do que tinha que fazer lá. Ah, sim, ao contrário do que se imagina, não é o mundinho literário que é o principal foco de zoação, mas simplesmente o cotidiano em uma cidade grande.

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Liberal Arts

liberalartsJesse (Ted Mosby Josh Radnor) está ali na casa dos trinta e poucos, aquele momento em que os sonhos da adolescência deveriam estar se concretizando, mas a realidade mostra que não é algo assim tão fácil. Seu diploma em língua inglesa não lhe rendeu o futuro cheio de conversas com pessoas que amassem os livros como ele, não há nem sinal de um relacionamento estável em sua vida (pelo contrário, acabou de tomar um fora) e seu emprego não parece lá muito interessante. É quando ele recebe uma ligação de um antigo professor da faculdade, o convidando para um jantar onde seria homenageado já que está se aposentando. Jesse prontamente aceita o convite e seu retorno à pequena faculdade de artes no Ohio acaba trazendo aquela óbvia nostalgia de um tempo em que tudo parecia possível.

Com este plot parece que o público do filme Liberal Arts (dirigido por Josh Radnor) se restringiria a pessoas na mesma faixa etária do protagonista, mas o fato é que chegando em sua alma mater Jesse conhece (e se encanta por) Zibby, uma adolescente de dezenove anos que está justamente vivendo o período do qual ele sente tanta saudades. Zibby surge um  pouco como a representação de tudo que ficou em Ohio assim que ele se graduou, aquela avidez por novas experiências e ao mesmo tempo uma certa inocência sobre o que está por vir. Sim, ela também é uma manic pixie dream girl (aparentemente todo cara na casa dos trinta e poucos sonha com uma guria assim), mas vá lá, deixando de lado a birra pelo que já é um clichê do cinema atual, a personagem é até bem interessante, rendendo bons diálogos ao longo da história.

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Tempo para ler

avid-reader-clock1O texto a seguir foi publicado originalmente no Meia Palavra em 30 de novembro de 2011. Eu já tinha planejado colocá-lo aqui tem algum tempo, mas sempre acabava adiando a publicação, até que hoje cedo dei de cara com uma citação no tumblr e pensei: “uou, isso basicamente resume tudo o que eu quis falar naquele texto, mas de um jeito mais bonito”. Então vou colocar a citação seguida do texto, iepiiii.

“By making time to read, like making time to love, we expand our time for living. If we had to think of love in terms of our busy schedule, who’d risk it? Who’s got time to fall in love? But have you ever seen someone in love not finding time for it? I’ve never had time to read, but nothing’s ever stopped me from finishing a novel I loved. Reading isn’t about managing your social life better; it’s a way of being, like being in love.”

The Rights of the Reader by Daniel Pennac

É inevitável: pessoa aleatória começa a fazer parte da minha rotina, repara nos livros que leio e logo comenta: “Nossa, mas quantos livros você lê por semana? Está sempre mudando!” . Eu fico meio sem jeito de dizer que são em média dois por semana, ainda mais considerando que tem alguns anos 2 era a média de leitura anual do brasileiro. Aquela coisa, fica parecendo que estou querendo me exibir. Aí o que eu invariavelmente escuto é algum elogio ao meu hábito de leitura (obrigada) normalmente seguida pela famosa frase “Puxa, queria ter tempo para ler.” Continue lendo “Tempo para ler”

E foram todos para Paris (Sérgio Augusto)

E-foram-todos-para-ParisAntes de tudo, um relato pessoal. Antes de conhecer Paris, eu pensava na cidade como um clichêzão, não tinha lá muita curiosidade para conhecê-la. Lembro que, ao contrário de Londres, sobre a qual já tinha lido tanto, tanto que já parecia conhecer as ruas que ainda nem visitara, cheguei na Cidade Luz tendo em mente dois destinos: o cemitério Pere Lachaise (meta ainda mais definida: túmulo de Oscar Wilde) e a óbvia Torre Eiffel (seguindo a dica do 1001 lugares para conhecer antes de morrer, de ser a última visita ao local). Sei que no final das contas foram poucos dias, mas serviram para eu compreender porque a cidade é um clichê. Ela é de fato apaixonante. Não dá para visitar Paris e sair ileso. Fica um pouco de você ali, aquela vontade de voltar, de rever lugares que parecem ter saltado da tela de um filme.

E muito dessa saudade que sinto da cidade fez com que eu me encantasse perdidamente por Meia Noite em Paris, filme de Woody Allen lançado no ano passado. Misturando figuras populares da década de 20, de Fitzgerald até Hemingway, a mescla entre figurinhas carimbadas do universo literário e a cidade dos sonhos inevitavelmente tinha que ser encantadora. E creio que não só para mim, já que o filme foi um sucesso (que se refletiu nas livrarias, com leitores procurando os autores que aparecem na história). E é na esteira do sucesso desse filme que o jornalista Sérgio Augusto lança seuE foram todos para Paris: um guia de viagem nas pegadas de Hemingway, Fitzgerald e cia. Continue lendo “E foram todos para Paris (Sérgio Augusto)”

(MTV) A menina sem qualidades

meninasem5Já tem mais de um mês que o primeiro episódio de A menina sem qualidades estreou. Chegou junto com uma série de notícias nebulosas anunciando o que seria o fim da MTV, é verdade, mas naquela segunda-feira de estréia não se falava de outra coisa nos cadernos culturais. Se era mesmo o fim da MTV, a adaptação de Felipe Hirsch para o livro da alemã Juli Zeh seria o canto do cisne. Confesso que nem tanto a premissa mas mais o nome de Hirsch que fizeram com que eu ficasse bastante curiosa. Sabe como é, o sujeito ganhou meu coração para toda a vida com as peças da Sutil, então eu tinha que ver o que ele faria na tv. Anunciaram a estreia para às 23h, fiquei lá esperando, ansiosa e… e aí que meio em cima da hora jogaram o horário para meia noite e meia. Fuééém… Esse negócio de ter que acordar cedo no dia seguinte estraga um pouco as coisas.

Mas, felizmente, a MTV faz um negócio bacana (e que contraria completamente o argumento de que ela está acabando porque não soube acompanhar a “revolução digital”): no dia seguinte, na página do canal, lá estava disponível bonitinho o primeiro episódio para quem perdeu poder assistir. Comecei a acompanhar, episódio por episódio (bastante curtos, diga-se de passagem, cada um não passava de 20 minutos) e terminei a primeira semana já completamente encantada, procurando lista de músicas que tocaram e, principalmente, as referências literárias (falo disso mais adiante).

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