Black Books

tumblr_moqmteZLik1swfxe7o1_r1_500Eu sei que o esqueminha de sugestões do Netflix normalmente não funciona (ou você acha que um perfil assim surgiu por nada?), mas logo que acabei The IT Crowd sugeriram Black Books, também uma série cômica britânica. E vendo a premissa básica (o dia a dia de um dono de uma loja de livros super mal humorado), meu lado book nerd falou mais alto e lá fui eu conferir. Criada por Dylan Moran (que também interpreta o protagonista Bernard Black) e por Graham Linehan (um dos nomes por trás de The IT Crowd), a série foi ao ar em 2000 e terminou em 2004, com um total de três temporadas, com seis episódios de cerca de 25 minutos cada.

Confesso que achei os dois primeiros episódios engraçadinhos, mas não via muito bem onde aquilo poderia parar. Neles são apresentados além de Bernard os outros dois personagens principais, Manny Bianco (um contador que um dia surta e passa a trabalhar para Black) e Fran Katzenjammer, dona da loja ao lado da Black Books. Hmkay, nada espetacular, fui para o terceiro por pura teimosia. E aí que começou a ficar bom, “Grapes of Wrath” é simplesmente hilário.

O negócio é que como quase sempre acontece em sitcoms, Black Books não nos prende por causa de algum segredo não revelado ou uma trama elaboradíssima: é porque vamos nos apegando às personagens, começando a prever reações e, no caso dessa série em específico, saber que o negócio é realmente esperar o inesperado. O estilo de humor é completamente nonsense, com mini-bares embaixo de mesas de restaurantes até um funcionário sendo contratado por uma empresa e quase chegar em cargo de gerência sem ter a menor ideia do que tinha que fazer lá. Ah, sim, ao contrário do que se imagina, não é o mundinho literário que é o principal foco de zoação, mas simplesmente o cotidiano em uma cidade grande.

Só para avisar: ele fala isso na frente da amiga que quer parar de beber e fumar.
Só para avisar: ele fala isso na frente da amiga que quer parar de beber e fumar.

Claro, há sim algumas piadas literárias, a começar já no primeiro episódio quando Manny engole um livro de auto-ajuda sem querer (e o livro engolido de fato existe, é chamado The Little Book of Calm). Elas começam a ficar mais escancaradas na segunda temporada, quando normalmente o livro em destaque nas prateleiras tinha algo a ver com o tema do capítulo. Mas para quem procura Black Books pelas piadas com livros, sugiro que vá direto para “Elephants and Hens” (segundo episódio da terceira temporada), que mostra Bernard e Manny escrevendo um livro infantil. Ri demais quando eles terminaram o livro e começaram a pensar em como suas vidas ficariam ruins com o sucesso que ele provavelmente faria (ah, sim, e com Bernard escrevendo um romance genial de 1000 páginas em uma noite também).

Acho que considerando todas as temporadas, este só não foi melhor do que “Fever” (segundo episódio da segunda temporada), que mostra os três sofrendo com uma onda de calor: Manny com medo que ficasse calor demais e ele surtasse, Fran com a sensação de que o apartamento estava encolhendo e Bernard do nada interessado em mulheres e precisando de uma “summer girl”. Acho que marca um ponto importante também, que é o de Fran ter mais espaço nas histórias que antes se concentravam mais na relação Black/Bianco (oh, I see what you did there!).

A Fran é muito engraçada, e acho que é justamente o ponto de equilíbrio entre a inocência do Manny e o niilismo do Bernard. Se a série fosse só os dois provavelmente não iria muito longe (sinceramente, as piadas com o modo como Bernard tratava Manny são as mais fracas, na minha opinião), mas com Fran no meio a coisa  muda de figura, até porque muitas vezes é ela que traz o elemento que causará (mais uma vez) o caos na livraria, como quando decide começar aulas de piano.

Terminei ontem à noite (aprendi a lição com The IT Crowd e economizei uns episódios desta vez), o último episódio foi ótimo – embora não dê aquela sensação de conclusão que se esperaria de um fim de série. Explica um pouco o modo de ser de Bernard (você sente até culpa por gostar de uma pessoa tão escrota, ele é um House com péssimos hábitos de higiene), mas o futuro das personagens fica bem em aberto. E não, não tem episódio de retorno previsto – a única coisa que li por aí é que os criadores comentam que as personagens depois de dez anos estariam mais maduras, seja lá o que isso queira dizer. Só sei que vou sentir saudades das tiradas sarcásticas de Bernard, e as bizarrices de Manny e Fran. Por que essas séries britânicas têm que ser tão curtinhas? ><‘

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6 comentários em “Black Books”

  1. Já deixo aqui o meu agradecimento, Anica. Foi lendo um comentário casual seu que acabei descobrindo essa série. Agora, talvez pelo fato de que já fui um TJ, meu episódio favorito ainda é aquele em que o Bernard “quer” fazer a declaração do imposto de renda e é interrompido por duas Testemunhas de Jeová. A cena em que os três discorrem sobre as parábolas, as publicações, etc., é hilária de tão familiar que é para mim. 😀

  2. A Hillé do manual Prático de bons Modos em Livrarias me indicou há tempos o Black Books. Fui até a terceira temporada, pois não encontrei legendas em português para as restantes.
    Que maravilha, era muito engraçado. E até charmoso.

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