Literatura na escola (ou: Harry Potter ao invés de Machado não é a solução.)

Sam Reid como Lestat na série Entrevista com o Vampiro representando a cara que eu faço sempre que vejo alguém falando sobre ler Harry Potter ao invés de Machado de Assis na escola.

(Queria começar dizendo: tem outros livros. Se eu consegui largar a mão do Neil Gaiman você também consegue se libertar de Harry Potter, amiguinho.)

Para os cronicamente online há uma espécie de calendário anual de temas a serem debatidos, aqueles assuntos esgotadíssimos que incrivelmente conseguimos sempre retomar e todo ano discutimos com uma paixão que aparentemente só seria possível para um tema novo. Pois ontem me mandaram um print da rede falecida onde uma pessoa leitora (booktwitteira? booktoker? booktuber? não sei.) sugere que o problema do ensino de Literatura no Brasil é que os professores obrigam os alunos a ler Machado de Assis ao invés de Harry Potter. E com isso declaro aberta a temporada de “As crianças deveriam ler Harry Potter ao invés de Machado de Assis“.

Eu já me irritava com essa sugestão mesmo na versão do bem da Rowling, quando ela ainda fazia revisionismo da obra e do nada dizia coisas tipo “Dumbledore é gay”. Na forma atual a gente nem deveria estar mais sugerindo esse tipo de coisa, mas ok, não vou me fazer de boba, eu sei que no fim das contas a ideia é basicamente “O jovem deveria ler young adult, coisas atuais e divertidas, e não clássicos empoeirados e cheios de palavras difíceis”. Então ao longo do post, entenda “Harry Potter ao invés de Machado” como tal.

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Hiraeth (“hee-rayeth”)

Edifício Iza Anitta e ao fundo o prédio branco onde a vó morava, pelas lentes de Flavio Antonio Ortolan, publicada no Fotografando Curitiba: https://www.fotografandocuritiba.com.br/2017/08/edificio-iza-anitta.html


Tem uns poucos dias estava lá perdendo uns minutos de vida no Instagram quando vi um post da conta Centro de Curitiba
contando que estão para demolir “o predinho rosa do Batel”. Aparentemente, a ideia é construir um hotel no local. Dando um contexto para quem é de fora: o Edifício Iza Anitta fica em uma dos endereços mais famosos de Curitiba, a Avenida do Batel. Se fossem colocar endereços de Curitiba em um tabuleiro de Banco Imobiliário, eu tenho certeza que a Avenida do Batel estaria lá.

E é óbvio que como um endereço de prestígio, qualquer metro quadrado que fique vago abre espaço para um prédio. A questão é que aquele terreno de esquina não está vago, nele há uma construção da década de 1950, um ponto de referência para os curitibanos justamente porque se diferencia das ‘n’ construções de vidro e concreto que sobem toda hora na cidade. Como comentei no Bsky no dia que fiquei sabendo, eu compartilho com todos os curitibanos a tristeza da perda desse prédio, porque faz parte da nossa história. A questão é que nesse caso vai junto para o chão um pouco de história pessoal, porque minha vó morava ali quando eu era criança.

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Cem absorventes

Sempre que vejo notícia sobre saúde feminina a primeira coisa que vem na minha cabeça é a voz daquela menina cantando “One hundred tampoooons! One hundred tampooooons!“. A música conta uma história da vez que a NASA mandou uma mulher para ficar seis dias no espaço e deram para ela 100 absorventes – e perguntaram se seria o suficiente.

Não sei se a história é real, mas eu entendo totalmente a alma ansiosa que resolveu mandar 100 – porque afinal, a vida do ansioso é imaginar sempre os piores cenários e pensar em soluções antecipadas porque vai que, né. Mas a música é engraçada porque ilustra algo que parece cada vez mais óbvio, o quanto o corpo da mulher e experiências comuns ainda são um mistério. E sabe, não é como se do nada há quinze anos mulheres tivessem começado a menstruar e ficarem grávidas e entrarem na menopausa, isso sempre aconteceu.

Mas aí você lê uma matéria como essa que saiu essa semana na CNN, comentando sobre como as pessoas ainda não sabem sobre a menopausa (e de que forma isso pode ser perigoso) e não dá para não ficar com uma pulga atrás da orelha sobre o que é que possa causar um atraso tão grande não só em estudos sobre saúde feminina, mas também divulgação. Tem coisa aí que já deveria ser conhecimento comum e a gente ainda é obrigada a tropeçar na informação no momento em que está acontecendo com a gente e olha, não é uma boa experiência.

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Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Assim como o grande filósofo Raul Chequer, eu também acho que tem que acabar com estereótipo do idoso sábio, com o tempo dá para acumular burrice também. Então eu antecipo que nada do que falarei aqui tem qualquer relação com a noção de sabedoria, inteligência e muito menos maturidade – é uma questão de mudança de percepção. Eu gosto muito do exemplo que o Michio Kaku dá para falar de outras dimensões, o peixinho de boas no lago achando que o mundo é aquilo e então chega alguém e tira o peixe da água e ele descobre que tem “para cima” e que tem “ar ao invés de água” e “meu deus olha só esse monte de gente esquisita”.

Enquanto ele está só no lago, ele percebe as coisas de um jeito. Saindo do lago, a percepção se altera porque agora ele tem novas informações. No caso do tempo, quanto mais velho você fica, mais tiram seu corpo da água, digamos assim. Tem coisas que a gente não consegue deixar de perceber, e a cabeça faz revisões constantes reformulando a noção do período que certos eventos aconteceram.

Um exemplo para ilustrar o que estou tentando dizer: estava conversando com minha mãe sobre como na minha cabeça “eu sempre tinha passado o natal na casa da vó”, e quando eu tinha uns treze anos isso de fato era verdade. Mas considerando aí meus 40 e tantos natais, eu passei menos da metade na casa da vó. A frase não é mais verdadeira.

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A arte perdida de fazer agenda

Ganhei minha primeira agenda em 1993, era uma de capa dura com uma ilustração fofa do Garfield que logo transformei em diário (talvez o que eu mais evite reler, porque quem é que não tem vergonha da sua própria versão aos 12 anos?). Mas a primeira vez que fiz agenda foi no ano seguinte, depois de ganhar uma do Fido Dido de amigo secreto na escola. Era ainda uma mescla, eu escrevia diário, mas começava ali um hábito que seguiu comigo por muitos anos.

Mesmo na época eu já via o ato de “fazer agenda” como uma espécie de registro do tempo que estava vivendo, para além das coisas que contava no diário – letras de música que ouvia, recortes de gibis que eu lia, propagandas legais de revistas, fotos de ídolos, bilhetes de amigos, convites para festas e, depois de uma certa idade, rótulos de bebidas, propagandas de shows e eventos, camisetinhas feitas com caixa de Marlboro. Reabri-las hoje em dia é como abrir uma cápsula do tempo, muita coisa do que tinha lá não existe mais (cinema por R$2,50, por exemplo). É um pouco codificada, um punhado de coisa sem o menor sentido para quem não viveu o momento, como por exemplo: Continue lendo “A arte perdida de fazer agenda”

Informação, cultura e a violência sexual

18605830_nZPA7É até irônico que mesmo que debatido tantas vezes, o assunto continue a ser espinhoso. E é cíclico, não é? Passamos da indignação geral com a notícia para a discussão sobre a tal da generalização (“nem todo homem…”, “ei, eu não sou estuprador!”, etc.) e disso são dois toques para a vítima passar a ser a culpada.

E piora. Porque agora já se assumiu que “não se deve culpar a vítima”, então toda opinião vem lá com um “não estou culpando a vítima mas…”. Sim, você conhece o tom desse começo de frase. É primo do “não sou racista mas…” e do “não sou homofóbico mas…”. Mais ou menos assim: “não sou uma pessoa escrota, juro que não, mas tenho uma opinião meio escrota sobre um determinado assunto”.

É. Complicado. Porque em alguns momentos a pessoa realmente não é escrota, é mal informada. Ignorante não naquele sentido vazio que atribuímos hoje em dia (só mais um xingamento, tipo feio bobo e cara de melão), mas o de desconhecedor de algo, o que ignora algo.

Não, não quero tirar o de ninguém da reta, nem acho que dá para alegar ignorância em casos que no final das contas poderiam ser evitados se tivéssemos o mínimo de respeito pelo próximo.

Enfim.

Desde que explodiu o caso da menina violentada no Rio de Janeiro tenho lido opiniões aqui e acolá. E algo que salta aos olhos é como as pessoas sequer sabem o que diz a lei do estupro, e deixam sua noção pessoal do que é o crime guiar suas opiniões/julgamentos (e pensem que cruel para uma vítima ser exposta a um gigantesco tribunal que sequer conhece a lei).

Talvez uma razão para se perpetuar essa noção ultrapassada que se tem do crime seja porque a lei sobre estupro só foi alterada bem recentemente. Até 2009 valia isso daqui:

Art. 213 – Constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça.

Perceba: MULHER. CONJUNÇÃO CARNAL. É exatamente a ideia de estupro que muitas pessoas carregam, do cara desconhecido que aponta uma arma para uma mulher em um beco escuro para penetrá-la à força. Percebam: a lei nem previa que homem poderia ser estuprado (e pode. e é, infelizmente). Isso até 2009.

O que a lei diz agora:

Art. 213.  Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

Percebem a diferença? ALGUÉM. Tanto homem quanto mulher. E não trata-se apenas de conjunção carnal (o ato de introduzir o pênis na vagina de uma mulher) mas também OUTRO ATO LIBIDINOSO. Sexo anal, sexo oral ou outra coisa que satisfaça a libido do agressor.

Outra alteração relativamente recente é o de violação sexual mediante fraude, que até 2005 ainda usava o termo MULHER HONESTA (!!):

Posse sexual mediante fraude:

Art. 215 – Ter conjunção carnal com mulher honesta, mediante fraude.

Percebem? É justamente a noção que tanta gente carrega. De que moça honesta, “moça direita” não é violentada. Em 2005 (sim, só 11 anos atrás) o texto foi alterado para:

Violação sexual mediante fraude

Art. 215.  Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima.

Só 11 anos. Também chamo a atenção para a alteração de ‘posse’ para ‘violação’.

Isso quer dizer que as pessoas com a minha idade foram criadas em um contexto onde a lei sequer previa o mínimo sobre consentimento, sabe, a tal da MANIFESTAÇÃO DE VONTADE DA VÍTIMA.

Eu não duvido que antes dessas alterações a justiça já tinha arrumado um “jeitinho” de punir agressores em casos mais absurdos, mas não dá para deixar de pensar aqui em quantos acabaram passando batido (ou quantos casos tiveram pena mais branda do que deveriam ter). Daí a noção de impunidade vai se perpetuando e então alguns atos vão se normalizando. Está de boa dar uma dedada em uma menina desacordada, dar umas encoxadas em alguém no ônibus até gozar e atos do tipo. “Não dá nada”.

Mas, mais do que falar da lei, eu estou citando essas mudanças aqui para mostrar a questão do contexto, de como ainda estamos atrasados nesse sentido. Percebe, então, o trabalho de formiguinha que temos que fazer? Conscientizar várias gerações de brasileiros que cresceram achando que vários atos não são crime?

E note: não é uma questão de semântica. Não é ampliar a mente das pessoas para os significados de “estupro” ou “violação sexual”.  É realmente a de uma educação voltada não a como as mulheres podem evitar o estupro, como nessa campanha (britânica, se eu não me engano):

Um em cada três casos reportados de estupro acontecem quando a vítima estava bebendo.
Um em cada três casos reportados de estupro acontecem quando a vítima estava bebendo.

Mas uma educação voltada a conscientizar a pessoa sobre sexo consensual, sobre como mulheres não são objetos a serem usados quando dá na telha e de como você tem que respeitar o corpo de outra pessoa, ou de que (aproveitando a campanha citada acima) se você beber demais é melhor nem chegar perto de uma guria porque você não vai ter condições de discernir se ela está ou não a fim de você. Porque quase nunca levantam essa bola, né? “Estar bêbado” é desculpa para o agressor, mas é agravante para a vítima.

Então é isso, é uma tarefa complicada, mas não acho impossível. E ao contrário do que posso ter dado a entender, a educação não é só para as crianças. Educar marido, namorado, amigo, irmão. O educar é mais no sentido de informar.

E é por isso que acho tão importante a quantidade de livros que estão saindo por aí que tratam do assunto. Até porque tem o outro lado dessa história toda: vítimas que nem sabem que sofreram violência.

Do ano passado para cá já cruzei com três young adults muito comentados, sendo que o melhor (na minha opinião, óbvio) foi o Asking For It da Louise O’Neill (não sei se já saiu tradução no Brasil). O que mais gostei no caso do Asking For It é que a autora trabalha com uma ideia bem interessante: a vítima de estupro em sua história não é a mocinha bacaninha e fofa e querida e inocente etc. que a maioria dos livros trazem (lembram lá do “moça honesta” do começo do post?). Pelo contrário. Sua protagonista é uma Regina George da vida, mean girl mesmo.

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E para “piorar”, na noite em que é violentada, ela estava de roupa curta. Ela tinha bebido. Ela tinha transado um pouco antes com um cara mais velho. Enfim, todos os elementos do “ela estava pedindo” que tanto usam por aí. O livro aborda também uma situação que costuma ser bastante frequente quando o estuprador é um ~~jovem promissor~~. Aquela história de que a denúncia de estupro vai acabar com a vida dele. Que ele tinha um futuro tão brilhante e olha só agora, o que será dele? “Tem certeza que vale a pena denunciar?”, as pessoas ao redor da vítima perguntam.

Veja bem, a situação tal como narrada no livro não é rara. Tanto é que a vida nos presenteou com mais um desses momentos “mais estranha do que a ficção” nessa semana, quando o pai de um acusado de violentar uma menina inconsciente escreveu uma carta para o juiz alegando que o filho não deveria ser punido por 20 minutos de ação. A menina tinha agulhas de pinheiro na vagina, mas oh, não, não vamos punir o menino que tinha um futuro tão brilhante nos esportes e na faculdade.

O que lembra de algo que li ontem no Facebook:

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“(…) eu vejo um padrão emergindo na cultura do estupro que sugere que mulheres têm um passado, enquanto homens têm um potencial.”

Outro que vale a leitura é o Bad Feminist da Roxane Gay (acaba de chegar ao Brasil pela Novo Século como Má Feminista). É uma coletânea de artigos da professora/escritora/editora que, como o título já sugere, acabam girando ao redor do feminismo. Mas o que acho interessante no livro, pelo menos em termo de violência sexual e de como isso pode afetar uma pessoa, é o fato de que a própria Roxane fala da violência que sofreu.

Mas é aos poucos, sabe? Ela vai narrar o dia em que foi estuprada já depois da metade do livro, se eu não me engano. O que você como leitor tem desde o início é um elemento aqui e acolá que sugere o estrago que esse tipo de experiência causa na vida de uma pessoa. Das consequências devastadoras. É uma baita de uma paulada.

Então é isso. Eu confio muito nisso, no diálogo e na troca de informação. Até porque enquanto o debate sobre o assunto continuar girando em torno de escavar o passado da vítima ou de como a vítima poderia ter evitado o estupro, vamos continuar andando em círculos.

***

Não faço ideia se consegui expressar meu ponto de vista aqui. Insisto que não estou querendo arrumar desculpa para agressor nem para troll que fala umas bobagens por aí só para ver o circo pegar fogo.

No mais, malz aí por ter concentrado o texto na violência sexual contra a mulher. Estou ciente de que acontece com homens também, mas infelizmente, o número de casos denunciados por mulheres é bem maior:

relacao-de-vitimas Pode ser porque homens têm vergonha de denunciar? Pode. Mas isso também é reflexo de quanto ainda temos para nos informar sobre o assunto.

***

ATUALIZADO: Estou editando para colocar o comentário do Paulo no twitter porque acho que ele levantou uma questão bem relevante.

paulo

 Outra atualização, contribuição da Kika que vale a pena acrescentar aqui:

kika

Imagina as pessoa tudo

Ontem saiu notícia de que a “bancada evangélica” da câmara de vereadores de Curitiba estava criticando o conteúdo da página da Prefeitura no Facebook, por apoiar o casamento gay. Sei que parece um negócio surreal (tanta coisa para ser feita e vão perder tempo com post no facebook?), mas calma que piora. Cito a reportagem do G1:

Para a vereadora, o casamento só pode ocorrer entre pessoas de sexo distinto. Na opinião dela, o texto publicado pela Prefeitura de Curitiba desconsidera os tradicionais casais heterossexuais que serão atendidos pelo programa. Pimentel ainda argumenta que a benção religiosa seria cerceada e critica a falta de discussão sobre o tema. Carla Pimentel afirmou ainda que não é uma questão religiosa e sim uma questão de princípios de governança, já que considera que a publicação foi tendenciosa para um Estado laico.

Ok, vamos por partes. Primeiro: “o texto publicado pela Prefeitura de Curitiba desconsidera os tradicionais casais heterossexuais que serão atendidos pelo programa”. O post que tanta revolta causou foi esse aqui:

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Livro de papel x livro digital

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Telas! Eu odeio telas!

Então, há tempos que estou matutando sobre isso, mas pensava que seria dizer o óbvio, então largava o rascunho na lixeira. Até que hoje cedo li esta matéria na Folha: Espírito crítico empobrecerá sem o livro de papel, diz Vargas Llosa. Afirma Llosa que “O espírito crítico, que sempre foi algo que resultou das ideias contidas nos livros de papel, poderá se empobrecer extraordinariamente se as telas acabarem por enterrar os livros“. Vamos partir do princípio que o texto é bem vago e não fala especificamente de e-readers e tablets mas de “telas”, mas uma vez que ele insiste bastante no termo “livro de papel”, acredito que esteja sim se referindo às novas formas de ler um livro ou seja, a boa e velha discussão sobre livros de papel e livro digital.

Llosa continua: “Estou convencido de que a literatura que se escreverá exclusivamente para as telas será uma literatura muito mais superficial, de puro entretenimento e conformista“. Eu não sei sobre você, mas eu fiquei com a nítida impressão de que ele não faz a menor ideia do que está falando (pelo menos no caso da tecnologia). Sabe, parece que é daqueles que ainda acham que há um ser contra ou a favor dos livros digitais, como quem veste camisa com um kindle estampado para num jogo qualquer decidir qual será o meio utilizado pelas pessoas para ler. Não, não é por aí. Já começa que não acredito que livros digitais substituirão livros de papel, eles trabalham de forma complementar. Talvez os “profetas” que anunciam o fim do livro de papel tenham em mente a chegada do dvd substituindo as fitas de video cassete, não sei. Se for esse o caso, acho que vale lembrar que não há um “aparelho” para decodificar o livro que não seja o próprio leitor, então onde existir alguém que saiba ler, o livro de papel terá sua função. Outra coisa é que houve uma real melhora na qualidade da imagem e de som do vhs para o dvd, mas no caso do livro de papel para o e-reader, bem, o que importa é o que está escrito, e não como você lê.

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Viajando pelo olhar do outro: Londres e Paris

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Semana passada começou a rolar pela internet um vídeo bem legal mostrando alguns lugares mais conhecidos de Londres. Hum, ok, eu sei que falando assim fica parecendo que não há nada de legal, já que o Discovery Travel já deve dar conta de muitos videos com imagens de Londres. O negócio é que esse é um video de 1926. Sim, quase 90 anos atrás. E mais bacana ainda é que ele é um video COLORIDO de Londres. A história por trás da gravação é de que o cineasta Claude Friese-Greene utilizou as imagens para o que seria uma espécie de “diário de viagem” de sua jornada cruzando a Grã-Bretanha chamada “The Open Road“. O video foi preservado mas esquecido, sendo que em 2007 ele foi completamente restaurado.

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Tweets que valem o clique

Um dos motivos que fizeram com que eu desse uma pausa no Hellfire há um ano foi o fato de passar boa parte do meu tempo no twitter, de modo que às vezes os tais do 140 caracteres sintetizavam o que seria um post por aqui, especialmente quando queria só compartilhar algum link interessante. O problema que não percebi na época é que nem todo mundo que lê o Hellfire frequenta o twitter (e mesmo quem frequenta, convenhamos que às vezes acabamos perdendo uma coisa ou outra na timeline). Bem, problema resolvido: agora de quando em quando (por de quando em quando quero dizer “este pode ser o primeiro e único, ou mês que vem eu volto com mais, ou… etc.) trarei uma seleção de tweets para quem ainda não está por lá (ou mesmo sugestão de gente para seguir caso você esteja por aquelas bandas também). Vamos lá:

Para o pessoal que entende bem inglês e adora Neil Gaiman:

Para quem ainda está na dúvida se compra um e-reader ou não:

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