
(Queria começar dizendo: tem outros livros. Se eu consegui largar a mão do Neil Gaiman você também consegue se libertar de Harry Potter, amiguinho.)
Para os cronicamente online há uma espécie de calendário anual de temas a serem debatidos, aqueles assuntos esgotadíssimos que incrivelmente conseguimos sempre retomar e todo ano discutimos com uma paixão que aparentemente só seria possível para um tema novo. Pois ontem me mandaram um print da rede falecida onde uma pessoa leitora (booktwitteira? booktoker? booktuber? não sei.) sugere que o problema do ensino de Literatura no Brasil é que os professores obrigam os alunos a ler Machado de Assis ao invés de Harry Potter. E com isso declaro aberta a temporada de “As crianças deveriam ler Harry Potter ao invés de Machado de Assis“.
Eu já me irritava com essa sugestão mesmo na versão do bem da Rowling, quando ela ainda fazia revisionismo da obra e do nada dizia coisas tipo “Dumbledore é gay”. Na forma atual a gente nem deveria estar mais sugerindo esse tipo de coisa, mas ok, não vou me fazer de boba, eu sei que no fim das contas a ideia é basicamente “O jovem deveria ler young adult, coisas atuais e divertidas, e não clássicos empoeirados e cheios de palavras difíceis”. Então ao longo do post, entenda “Harry Potter ao invés de Machado” como tal.
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O Machado de Assis contista sempre se apresentou aos poucos para mim. Fora a coletânea Contos Fluminenses, não lembro de ter buscado outras coletâneas, mas os contos de forma avulsa mesmo. Sem nem pensar duas vezes penso em A Igreja do Diabo, Missa do Galo e outros textos que mostram que quando o assunto era prosa, Machado de Assis sabia muito bem o que estava fazendo. E justamente por isso quis conferir a edição de Papéis Avulsos que saiu pela Penguin & Companhia das Letras: mesmo que já conhecesse alguns contos, sabia que seria um prazer reler.
Poucas obras nacionais mexem tanto com o imaginário popular quanto Dom Casmurro, de Machado de Assis. Algumas vezes mesmo aqueles que terminaram o ensino médio com um certo trauma da obra, ainda assim embarcam em discussões sobre o romance, que invariavelmente acabam na velha pergunta “Capitu traiu ou não traiu?”. A crítica literária já se debruçou sobre essa questão, mas a verdade é que nunca há de se saber. E por não existir resposta que talvez tantos escritores busquem romancear sua visão do que aconteceu.
Natal? Agora, Anica? Sim, eu sei que é dia 27. Mas eu estou caradepaumente copiando um post que coloquei no Meia Palavra no dia 25/12, só porque não gosto de deixar o blog sem atualização por muito tempo (e nesta semana estranha entre o natal e o ano novo a tendência é que ele fique às moscas mesmo). O original você pode conferir 
