Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Assim como o grande filósofo Raul Chequer, eu também acho que tem que acabar com estereótipo do idoso sábio, com o tempo dá para acumular burrice também. Então eu antecipo que nada do que falarei aqui tem qualquer relação com a noção de sabedoria, inteligência e muito menos maturidade – é uma questão de mudança de percepção. Eu gosto muito do exemplo que o Michio Kaku dá para falar de outras dimensões, o peixinho de boas no lago achando que o mundo é aquilo e então chega alguém e tira o peixe da água e ele descobre que tem “para cima” e que tem “ar ao invés de água” e “meu deus olha só esse monte de gente esquisita”.

Enquanto ele está só no lago, ele percebe as coisas de um jeito. Saindo do lago, a percepção se altera porque agora ele tem novas informações. No caso do tempo, quanto mais velho você fica, mais tiram seu corpo da água, digamos assim. Tem coisas que a gente não consegue deixar de perceber, e a cabeça faz revisões constantes reformulando a noção do período que certos eventos aconteceram.

Um exemplo para ilustrar o que estou tentando dizer: estava conversando com minha mãe sobre como na minha cabeça “eu sempre tinha passado o natal na casa da vó”, e quando eu tinha uns treze anos isso de fato era verdade. Mas considerando aí meus 40 e tantos natais, eu passei menos da metade na casa da vó. A frase não é mais verdadeira.

Tem um site que eu acho genial chamado Why Time Flies, que busca explicar através do uso do scrolling do mouse justamente essa sensação de que o tempo está voando conforme vamos envelhecendo. Ele diz que isso acontece porque percebemos o tempo o comparando com o nosso tempo total de vida: se você tem 10 anos, 5 anos parecem muito tempo. Se você tem 50, 5 anos parecem bem menos.

O legal do site é que ele te deixa visualizar essa noção de tempo – e assim que os anos avançam, você precisa mexer bem menos no scrolling para avançar o tempo. Nesse momento, considerando que eu vá viver 100 anos, um ano representa 2,27% de toda a minha vida. Quando o Augusto nasceu, um ano representava 3,03%. Quando Arthur nasceu, um ano representava 3,45%. Quando eu conheci o Fabio, um ano representava 4,76%. Deixo a sugestão do clique porque é realmente uma experiência bem interessante.

Tem uma outra proposta que achei bacana (embora terrivelmente norte-americana em toda a concepção), um vídeo no YouTube chamado To Scale: TIME. A ideia é colocar a existência humana em escala (mais especificamente, cada quilômetro equivale a .6 milhões de anos), e aí marcar pontos de luz em um deserto para mostrar quanto tempo percorremos para chegar em determinadas efemérides. O visual é tão lindo que é fácil se distrair e perder o ponto principal: de como o nosso tempo aqui é um pontinhozinho pequeno comparado ao todo.

Depois eles fazem uma versão com o Big Bang que é bem legal também, e que coloca o todo da existência humana num cantinho bem pequeno e te faz pensar em pálidos pontos azuis e tudo o mais. Não vou nem falar do indivíduo e seus poucos “100 anos”. Jeremy Bearimy, baby.

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Falando de tempo não dá para deixar de recomendar a publicação mais recente no xkcd, 15 years.

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Eu acabei de me dar conta de como a historinha do peixe do Kaku para explicar outras dimensões é um tanto parecida com a historinha do peixe do Foster Wallace em Isto é Água.

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