Eu já estava curiosa para ver O Artista desde que o título surgiu como um dos indicados ao Oscar. É uma mania que persiste mesmo quando já não tenho mais tempo para correr atrás de todos os lançamentos: ver os indicados a melhor filme do Oscar (fazia isso com a Sol, anos atrás). Enfim, sexta à noite, finalmente fui dar uma conferida no filme. Não tinha muitas expectativas – já sabia que era um filme mudo e preto e branco, mas vá lá, a ideia nem é tão original se pensarmos em filmes como The House of the Devil que também recriam a estética e a técnica do período da história que conta (embora nesse caso ele faça referência ao cinema de horror do final da década de 70 e começo da de 80). Mas mesmo assim, eu tinha lá o palpite de que tinham acertado no que fizeram – não pelo Oscar, mas pela quantidade de pessoas que sei que não são exatamente as que assistem cinema mudo dizendo que adoraram o filme.
E meu palpite estava certo, mas vamos por partes. Se a parte técnica não é uma novidade, o plot também não é: a ideia da transição do cinema mudo para o cinema falado já havia sido explorada por um grande clássico do cinema, o Dançando na chuva. Então você me pergunta: se o filme não tem realmente nada de novo, como pode ter agradado tanto? Bom, acho que porque as qualidades não são as supostas inovações, ao contrário do que se imagina. Os aspectos mais positivos de O Artista estão no fato de – assim como o cinema que está homenageando – saber mostrar que simplicidade nada tem a ver com má qualidade ou desleixo. É trazer novamente aquele gosto pelo cinema pelo que ele tem de melhor, a possibilidade de fazer com que acreditemos num mundo que não mais existe.


Sim, aqui estou eu de novo. Após comentar 
Sim, eu traí o ~movimento~, continuei a ler a trilogia 

A história da criação de Cinquenta Tons de Cinza (de E. L. James, cuja tradução foi lançada esta semana no Brasil) é no mínimo curiosa. Nos tempos de sucesso da saga Crepúsculocomeçaram a aparecer sites que reuniam fanfics baseadas nos livros de Stephenie Meyer. Algumas tentavam contar de outro jeito o romance entre Bella e Edward, outras iam além e usavam as personagens em histórias completamente diferentes, algumas com muito “lemon“, um termo utilizado pelo pessoal que escreve fanfic para as cenas de sexo. E entre essas ‘n’ fanfics que surgiram na época, havia uma chamada Masters of the Universe, que depois foi modificada (com Edward virando Christian e Bella virando Anastasia), publicada de modo independente, mas que então fez tanto, tanto sucesso que começou a ter o direito disputado a tapa entre editoras grandes.
Então você pensa que não conhece muitas poesias de determinado escritor e resolve ler uma “antologia poética” para ter uma noção mais ampla da criação literária do poeta. Lê um poema, vai para outro e todos os versos começam a passar um tom de estranha familiaridade. Tão estranha, que em alguns poemas você começa a prever o verso seguinte (e consequentemente se dá conta de que conhecia o texto de cor). É quase como uma sensação de voltar para casa, ou até mesmo de reencontro com um amigo – foi o que senti ao lerAntologia Poética de Carlos Drummond de Andrade.