Na apresentação dessa coletânea de contos de Guy de Maupassant publicada pela Companhia das Letras, Noemi Mortiz Kon conta que a educação literária do escritor ficou por conta de ninguém mais, ninguém menos do que Gustave Flaubert. A condição para ser aceito como pupilo é que escrevesse sem parar e que não publicasse seus primeiros textos. O resultado desse “treinamento” de Flaubert fica óbvio ao constatarmos o tamanho do livro (mais de 800 páginas) e a qualidade dos contos nele presentes. E se pensar que foram escolhidos (ou seja, outros ficaram de fora), temos aí um autor que realmente levou a sério a tarefa de escrever ininterruptamente.
Os 125 contos presentes na coletânea mostram o que há de melhor na prosa de Guy. Os grandes contos, mais conhecidos do público, como Bola de Sebo e O Horla estão lá, assim como obras geniais do horror, o caso do conto A Morta e Sobre a água. Retratos ácidos da sociedade em que vivia também ganham destaque, sempre com uma conclusão irônica a respeito do que foi contado.
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O belga Georges Simenon conta com um currículo invejável para qualquer escritor: são mais de 200 romances, 155 contos e 25 textos autobiográficos. Com tamanha produção literária, não é de se espantar que ele pegue um gênero e consiga sair da mesmice, fugindo das fórmulas básicas que se repetem em outras tantas obras de escritores variados.


Poucas obras nacionais mexem tanto com o imaginário popular quanto Dom Casmurro, de Machado de Assis. Algumas vezes mesmo aqueles que terminaram o ensino médio com um certo trauma da obra, ainda assim embarcam em discussões sobre o romance, que invariavelmente acabam na velha pergunta “Capitu traiu ou não traiu?”. A crítica literária já se debruçou sobre essa questão, mas a verdade é que nunca há de se saber. E por não existir resposta que talvez tantos escritores busquem romancear sua visão do que aconteceu.
Sempre lembro de um momento em O Tempo e o Vento de Érico Verissimo no qual uma personagem dizia que O Capital de Marx era o livro mais citado e menos lido de todos os tempos. Se fôssemos esticar o raciocínio para um autor, tenho certeza que o campeão seria o russo Fiódor Dostoiévski. Por alguma razão que me escapa ele ganhou fama de “leitura difícil”, e por consequência quem o lê seria automaticamente uma pessoa inteligente. Portanto o autor consta em diversas listas de livros favoritos, muitas vezes mais como uma espécie de troféu “ah, eu venci essa leitura!” do que como uma indicação de prazer. O nome na lista não significa necessariamente que o autor foi lido, pelo menos não no sentido de imersão na obra.
Eu não sei exatamente qual era a intenção da Conrad ao partir Fragile Things de Neil Gaiman em dois. A impressão que fica após a leitura do primeiro volume é que a seleção dos contos e poemas presentes na coletânea do escritor inglês funcionariam muito melhor se viessem como no original. Isso porque o primeiro volume ficou só com os contos (e uma novela), e alguns deles já apareceram em outras coletâneas de Gaiman, e também porque não respeita a ordem de apresentação da publicação original.
Há algum tempo aparecendo em listas de sugestões de leitura, estava bastante curiosa para conferir A menina que não sabia ler de John Harding. O problema é que sempre atrasava a leitura pensando que seria mais um drama como A menina que roubava livros (títulos similares, e convenhamos, não saber ler é triste). Então li uma resenha e fiquei sabendo que tratava-se de uma história de fantasmas. Na hora a curiosidade virou necessidade de ler e finalmente pude conferir o título.