A menina que não sabia ler (John Harding)

Há algum tempo aparecendo em listas de sugestões de leitura, estava bastante curiosa para conferir A menina que não sabia ler de John Harding. O problema é que sempre atrasava a leitura pensando que seria mais um drama como A menina que roubava livros (títulos similares, e convenhamos, não saber ler é triste). Então li uma resenha e fiquei sabendo que tratava-se de uma história de fantasmas. Na hora a curiosidade virou necessidade de ler e finalmente pude conferir o título.

Não me admira muito que resenhas, orelhas e tudo o mais que falem sobre o livro tragam à tona o nome do escritor Henry James. Apesar da tradução do título aqui no Brasil, o livro em muitos momentos é quase como se A volta do parafuso fosse recontado sob o ponto de vista das crianças, tamanha a semelhança com tema e estrutura.As semelhanças não param aí. Os nomes são “ligeiramente” diferentes de uma obra para outra. Na de James contamos com as crianças Flora e Miles, na de Harding são Florence e Giles. O lugar onde vivem é Blithe, enquanto em A volta do parafuso temos Bly. São pequenas mudanças assim. Também temos o romance se sustentando no fato de que os órfãos vivem com os criados em uma casa no interior, enquanto o tio, que vive na cidade e é responsável pela educação deles, manda uma preceptora/governanta para cuidar das crianças.

É da relação com essa preceptora que vem toda a história de A menina que não sabia ler. A narradora (Florence) conta brevemente sobre a srta. Whitaker, que morre no lago da propriedade. Logo depois chega a sra. Taylor, assustadora e que a menina está convencida de que deseja roubar Giles para si.

Apesar de ser muito parecido com A volta do parafuso em diversos aspectos, a obra de Harding ainda assim tem seus méritos. O horror realmente está presente em variados momentos, e a narrativa não deixa de tomar rumos surpreendentes mesmo para o leitor que já imagina qual pode ser a conclusão. Há também questionamentos levantados ao longo da história que são bastante interessantes, mas o ponto alto em A menina que não sabia ler é o que Harding consegue fazer com sua narradora, conquistando automaticamente a simpatia do leitor, o que é crucial para o desenvolvimento da história.

Leitura rápida e bastante agradável, é daqueles livros que você simplesmente devora porque quer saber o que virá a seguir, quais serão os desdobramentos da narrativa. E se você já leu e gostou, mas não conhece a obra de Henry James, recomendo a leitura de A volta do parafuso. É terror puro, e ao mesmo tempo alta literatura. Vale a pena conferir.

Um comentário em “A menina que não sabia ler (John Harding)”

  1. Estou no comecinho de “A menina que não sabia ler”. Quando li que seguia a tradição do Henry James, eu quase dei pulos de alegria, pq adorei “a volta do parafuso”! Gostei da sua resenha, que me deixou ainda mais curiosa pelo livro. 😀

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.