Para quem conheceu Hunter S. Thompson através de Medo e Delírio em Las Vegas, Rum: Diário de um Jornalista Bêbado vem como um choque. Não espere em momento algum aquela loucura regada a todo tipo de drogas visto no primeiro, porque Rum, apesar do que o título indica, é um título bem mais sóbrio do escritor. Tem tons autobiográficos, alguns indícios dos delírios que veremos em títulos futuros, mas fica por aí. Talvez uma explicação para a falta de exagero seja que trata-se do primeiro romance do escritor, que ficou engavetado por quase quartenta anos e só foi publicado em 1998.
Na história temos Paul Kemp, um jornalista que viaja até Porto Rico para trabalhar no Daily News. Ele procura esse trabalho buscando fugir da vida que levava em Nova York, também tomado um pouco pelo ideal de fazer a diferença em sua área de atuação. Chegando lá ele logo torna-se amigos de alguns colegas do jornal, numa relação que vai da camaradagem à traição, com todos vivendo em um país extremamente instável, e trabalhando em um lugar que não oferece de fato qualquer garantia.
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Muito embora em Só Garotos Patti Smith justifique a obra como uma promessa que fizera à Robert Mapplethorpe, de escrever a história de suas vidas, a verdade é que o livro vai muito além de uma simples biografia e mostra um retrato perfeito do que é se comprometer com a arte, viver por isso. De como quem está nesse mundo respira influências e transforma o contato com cada pessoa que cruza seu caminho em um poema, uma canção, uma fotografia, um quadro.
Há pouco através de
A primeira vez que li Isaac Marion foi em
Sempre que me perguntam sobre qual livro ler de um escritor, eu costumo fugir da indicação óbvia dos grandes romances caso ele tenha também criado uma série de contos. O que funciona em ter uma coletânea de contos como porta de entrada para o universo de um autor é que serve como pequenas amostra grátis, aperitivos ou seja lá qual for o termo que achar mais apropriado para uma breve experiência do que será ler algo escrito por essa pessoa. Como contos são breves, se for ruim você não perderá tanto tempo assim. E como são vários, há a oportunidade de conhecer várias facetas e estilos de um escritor antes de se aventurar por seus romances.
O maior problema das séries literárias é que bem, elas são séries. Como tal, por mais que você se divirta em saber um pouco mais das personagens que gostou no primeiro livro, começa então a sentir aquela sensação de que seria melhor parar, antes que a trama desande. Foi o que eu senti ao ler O Pacto dos Vampiros, da brasileira Nazarethe Fonseca. Dando continuidade aos eventos de
Descrever os eventos que ocorreram antes de Hamlet, a peça de Shakespeare. Parece bastante ousado, considerando a quantidade de apaixonados pela peça, a quantidade de estudiosos que ela acumulou ao longo dos séculos e, mais importante, por ser de Shakespeare. Mas John Updike assume a tarefa no romance Gertrudes e Cláudio, livro publicado em 2000 que conta a vida de Gertrude desde um pouco antes de casar com rei Hamlet até o primeiro ato de uma das obras mais famosas do teatro.
Algumas pessoas costumam torcer o nariz quando assunto é História, mais especificamente História do Brasil. Talvez tenha alguma coisa a ver com o processo que na escola transforma futuros leitores em odiadores de Literatura (e Literatura Nacional), mas a realidade é que para muita gente passar no vestibular significa, entre tantas coisas, tirar o peso de “coisas chatas” como essa. E aí que pessoas assim acabam perdendo livros excelentes como Boa Ventura! de Lucas Figueiredo, que já no subtítulo deixa claro sobre do que se trata: A corrida do ouro no Brasil (1697-1810) – A cobiça que forjou um país, sustentou Portugal e inflamou o mundo.
Carregado do preconceito de “coisa para criança”, o livro ilustrado (ou picture book em inglês) parece render pouca discussão e até mesmo merecer pouca atenção do público mais velho. Mas fica a ênfase para a palavra “parece”, como mostra Sophie Van der Linden em seu excelente Para ler o livro ilustrado (publicado no Brasil recentemente pela Cosac Naify). Através de uma pesquisa bastante aprofundada ela nos mostra que de simplório esses livros não têm nada, e possuem mecanismos próprios e complexos, no que vem a ser uma combinação do texto com a imagem.