Vinte anos após a publicação de Haroun e o Mar de Histórias, Salman Rushdie publica o que seria uma continuação desse primeiro livro, Luka e o Fogo da Vida. De fato, personagens do primeiro livro reaparecem, mas como o foco desta vez é o caçula do contador de histórias Rashid Khalifa, o que temos é uma obra que pode ser lida de forma independente sem apresentar qualquer dificuldade de compreensão.
Luka e o Fogo da Vida foi escrito para o filho mais novo de Rushdie, e assim voltado para o público infantojuvenil. Mas é o típico caso de livro escrito para um público mas que pode agradar todo tipo de leitor, porque resgata não só a magia de histórias já conhecidas (sejam de mitologias milenares, seja do imaginário da cultura pop), mas também a estrutura básica dos contos populares, dando aquela sensação de familiaridade com o texto que permite para quem o lê simplesmente se deixar levar pela história, seduzido página após página pelo mundo encantado criado por Rushdie.
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Há quem diga que o melhor jeito de começar a odiar literatura é cursar Letras. Se isso é verdade, então eu posso dizer que dei sorte, acabei conhecendo professores que me apresentaram gente que ainda não conhecia, e criaram em mim paixão e respeito por outros que já conhecia, mas pensava não gostar. Porém, não vou negar que há algo bastante chato sobre o curso, especialmente se seu bacharelado é em Estudos Literários como foi o meu. Vai soar estranho o que direi, mas a parte chata é que você lê muito.
A crítica literária sempre debate sobre o real peso da biografia de um autor na compreensão de sua obra, debate esse marcado por dois extremos: os que acham que é perigoso interpretar um texto considerando a vida do autor, e os que acham que é simplesmente fundamental. De minha parte continuo achando que o ideal é o meio termo, antes de tudo saber identificar quando dados biográficos realmente vão de encontro ao texto, podendo ser então utilizados para o estudo da obra.
Publicado originalmente em 1955, Lolita do escritor russo Vladimir Nabokov chega com nova tradução no Brasil pelo selo Alfaguara. São aí mais de 50 anos que dividem o momento da primeira publicação (após a recusa de diversos editores) para essa tradução de Sergio Flaksman. E mesmo com todo esse tempo, Lolita ainda é um livro moderno, que mais do que sobrevive ao tempo: consegue se moldar de acordo com o momento em que o leitor tem o livro em mãos.
O lançamento mais recente da série Ficção de Polpa foi lançado com uma proposta bem definida, como já mostra o título “Crimes!”, dando lugar à sequência numerada dos anteriores. E se nos outros volumes mesmo com um tema principal (
Alguns livros parecem estar ligados com nossas memórias dos tempos de escola. O problema é que nem sempre são as memórias gostosas como o recreio, as conversas com os melhores amigos ou a sensação boa de um bom resultado de uma prova. Tem momentos que ouvir nomes como “Dom Casmurro”, “Macunaíma” ou ainda “Senhora” causam um certo arrepio na pessoa, trazendo lembranças de leituras obrigatórias que resultariam em uma prova com perguntas idiotas como “O que disse a personagem x na página y?”.
E então você já está familiarizado com a série e sabe mais ou menos o que esperar do livro que tem em mãos. Pelo menos você pensa isso quando começa a ler Ficção de Polpa vol.3, da Não Editora. Mal passa a Introdução, já damos de cara com uma surpresa: a primeira história não é um conto, é história em quadrinhos! Com roteiro de Guilherme Smee e arte de Jader Corrêa, O Quarto Desejo abre a coletânea já mostrando qual será o tom predominante: o fantástico.
No dia seguinte ninguém morreu. É como José Saramago abre o livro As Intermitências da Morte, publicado originalmente em 2005. O que se vê a seguir é o que aconteceria se a morte (sim, ela insiste no uso da letra minúscula) não cumprisse seus deveres. Inicialmente recebida como uma boa notícia, logo se percebe que “não morrer” não é exatamente o maior desejo do ser humano, visto que “não morrer” quando você está doente e sofrendo não parece uma boa perspectiva, por exemplo.
Então que uma banda que até aquele momento você não conhecia tem um álbum de estréia que é simplesmente viciante, você não consegue parar de ouvir. Um tempo depois, eles anunciam que logo lançarão o segundo álbum. E aí vem aquele medo: será tão bom quanto o primeiro? Tem como ser melhor? E se for ruim, desisto da banda ou faço de conta que só existiu o trabalho que era bom? E com esse medo todo vem misturada uma curiosidade tremenda para saber logo a resposta.