Uma vida sem regras (How to be)

Art é um perdedor, em todos os sentidos possíveis da palavra. Abandonado pela namorada, cobrado por pais que de certa forma se envergonham pela falta de perspectivas do filho, com um subemprego e bem, ele manda muito mal naquilo que mais gosta de fazer (música). Sempre envergonhado, escondendo o rosto atrás de um cabelo ridículo e com os ombros baixos de quem carrega um peso enorme só de viver em um mundo que não o aceita e enquanto ele precisa desesperadamente dessa aceitação.

A personagem em questão é protagonista da produção inglesa independente Uma vida sem regras (How to be), que chegou ontem aos cinemas nacionais. O que surpreende não é exatamente a personagem em si, já que o cinema conta com uma infinidade de personagens assim. A questão é que Art é interpretado pelo tchotchó do momento, Robert Pattinson. Continue lendo “Uma vida sem regras (How to be)”

Rapidim:

  • Moon chegará em janeiro do ano que vem no Brasil direto em DVD. Sim, é triste, mas poderia ser pior né. Ah, sim, o título em português ficou como Lunar.
  • Contos Completos da Virginia Woolf por 29 reais de novo na Saraiva. Eu aproveitaria, se fosse você.
  • Aparentemente Zombieland terá continuação. E não só uma continuação, será também em 3D. Lembrando que o primeiro (hehe) ainda não chegou no Brasil (estreia prevista para janeiro do ano que vem).
  • Eu já comentei que estou apaixonada pela banda White Lies? O engraçado é que a música que mais gostei (Death) já tocou em mais de um lugar (não que Vampire Diaries e Jennifer’s Body sejam uma boa referência, mas de qualquer forma…). Enfim, caso não conheça, escuta lá.

(500) Dias Com Ela

500O bacana de alguns filmes é que mesmo que apresente personagens bastante atípicas, ainda assim conseguem fazer com quem está assistindo acabe se identificando com o que elas estão vivendo. É o caso de (500) Dias com Ela, que estreou nos cinemas brasileiros na semana passada. Summer é a soma dos sonhos de qualquer nerd, e como qualquer ser idealizado é claro que foge da realidade. Mas as ações dela não são muito diferentes das de qualquer pessoa que busque ser feliz, e é daí que surge a identificação imediata com a personagem.

O filme começa com um aviso que não trata-se de uma história de amor. E não é, não no sentido que esperamos quando assistimos a algum filme que tenta contar esse tipo de história – do mocinho se apaixonando pela mocinha, passando por dificuldades e então ficando juntos no final. Mas é de certa forma uma história de amor, sim. De como podemos nos confundir sobre o que esperamos daqueles que amamos ou que julgamos amar, para ser mais precisa.

Tom é um sujeito que trabalha como escritor de cartões de aniversário. Ele cresceu ouvindo música pop (alou, Rob Fleming?) e vendo filmes como A Primeira Noite de um Homem, e bem, tornou-se um romântico sem grandes sucessos amorosos. Até que conhece Summer no escritório. A menina é linda e aparentemente inantingível, mas um dia começa a conversar com ele (que está ouvindo There’s a Light That Never Goes Out dos Smiths, segunda referência em menos de um mês a essa música que eu achava que era só minha, humft!). E aí eles ficam juntos, com Summer deixando bem claro que não acredita no amor e Tom lutando para aceitar a condição de ser só o amigo-que-beija dela.

É evidente que toda a tensão da história se constrói sobre o que Tom espera de Summer, e o que obviamente ela não oferecerá. De qualquer modo, o filme prende sua atenção mesmo com você sabendo o que está por vir: talvez porque todo mundo já esteve também no lugar de Tom, insistindo em um relacionamento por acreditar que aquela é “a” pessoa de sua vida, mesmo que falte a essa pessoa um pequeno detalhe: retribuir o sentimento.

Filme bacana, até porque foge do formato comum das comédias românticas – veja o caso dos flashforwards, que em alguns momentos até emprestam graça, junto com a repetição de alguns elementos só que em contexto diferente, como quando Tom começa a dizer que odeia tudo que dias antes amava em Summer. Vale a pena aproveitar e conferir enquanto ainda está em cartaz. Até porque tem toda aquela pinta de ser o alternativo fofo queridinho do ano.

Zombieland

ZombielandO bacana dos filmes de zumbi é que eles não precisam necessariamente serem filmes de terror. No sentido de sangue jorrando, tripas voando e outras nojeiras, aí é óbvio que sim. Mas de quando em quando um sujeito pode contar a história não de modo a provocar medo, mas riso. É exatamente o caso de Zombieland, filme que provavelmente chegará aqui no Brasil no dia 04 de dezembro mas que já está sendo muito bem recebido lá fora, tanto pelo público quanto pela crítica.

Também não é à toa. O filme cumpre muito bem seu objetivo, e diverte bastante e isso já desde os minutos iniciais, quanto o protagonista conta para o público a situação na qual tem vivido desde que pessoas que comeram carne infectada se tornaram zumbis. Nesse momento inicial já somos apresentados a uma ideia recorrente durante todo o filme, das regras da personagem principal para sobreviver aos ataques dos mortos-vivos. A graça aqui é que as regras são baseadas em clichês de filmes de horror, lembrando bastante o livro do Seth Grahame-Smith, How to Survive a Horror Movie.

E então quando você acha que o filme se baseará em piadas que aproveitam-se do fato do narrador ser um nerd, ou mesmo da questão dos clichês que acabei de falar e eis que chega Tallahassee, personagem brilhantemente interpretada por Woody Harrelson, que obviamente tem um talento especial para interpretar malucos, vide o que ele fez em Assassinos por natureza, O povo contra Larry Flynt e mais recentemente em Onde os fracos não tem vez.

Ambos se encontram na estrada quando seguem rumo ao leste, e logo depois são assaltados por duas irmãs, que levam o carro e as armas. Uma das irmãs é Abigail Pequena Miss Sunshine Breslin, que parece estar atravessando bem a fase de menina gracinha para adolescente. Os dois homens são enrolados pelas irmãs uma segunda vez, quando começam então a viajar juntos. É a aí que o terrir vira uma história bem bacana de amizade. Especialmente

SPOILER!!

no momento em o narrador descobre que Tallahassee não perdeu um cão para os zumbis, mas um filho.

O bacana é que dá para ser tocante sem ser piegas, talvez até pelo tom de humor negro que domina toda a história. É o tipo de filme engraçado e que pode agradar qualquer um com um pingo de senso de humor, independente de curtir filmes de zumbi ou não. E ainda tem momento impagável com Bill Murray interpretando ele mesmo. Tá aí o trailer para quem ficou curioso:

 

Antichrist

anticDe tempos em tempos chegam aos cinemas (ou NÃO chegam, se considerar Curitiba) filmes que causam tanta polêmica que acabam chamando a atenção do público mais pela controvérsia do que pelo filme em si. Acredito ser o caso de Anticristo, de Lars von Trier. O que tem sido comentado por aí mais do que qualquer coisa são as “cenas fortes” e extremamente explícitas. E aí as pessoas correm para o cinema para saber o que é a tal da cena da tesoura, e esquecem que para um minuto de “cena da tesoura” tem pelo menos uma hora e meia de filme sem isso.

Os primeiros 10 minutos de Anticristo são geniais. A cena em preto e branco com o casal (sem nome) fazendo sexo enquanto o filho acorda e acaba caindo da janela do apartamento é bem forte – mas aqui não por ser explícita (e o é, acreditem), mas forte por ser bem montada, conduzindo os sentimentos de quem está assistindo, mesclando a beleza com o horror da situação (eu não tenho filho, mas fiquei agoniada com o moleque se aproximando da janela). Continue lendo “Antichrist”

A Órfã

orphanAproveitando a promoção da UCI (Amigo assina embaixo), milagrosamente fui assistir a um segundo filme em duas semanas (ótima média para quem estava indo ao cinema duas vezes por ano no total, hehe). Dessa vez conferi o lançamento dessa semana, A Orfã. Eu meio que já sabia o que encontraria por ali (ou pelo menos achava que sabia), qualquer coisa tipo Joshua, agora com uma menininha. E olha só a coincidência: a atriz que interpreta a mãe adotiva de Esther (a órfã), também interpreta a mãe de Joshua. Uou. Dá até para colocar no currículo “Especialista em papéis de mães que sofrem o diabo nas mãos de crianças psicopatas”.

As histórias são mais ou menos parecidas mesmo, pelo menos alguns elementos se repetem. A criança aprontando um monte (e por aprontando não estou falando em fazer sujeira no quarto, não) e ninguém acreditando na figura adulta que já sacou o nível de maldade da criança. O que é AGONIANTE. Sério, eu tinha vontade de entrar no filme e falar para todo mundo EI, ESSA GURIA É O CAPETA!! Ou algo que o valha. Continue lendo “A Órfã”

Grace

graceGrace é um filme estranho. Estranho no bom sentido, daqueles que você não sabe bem para que veio, para onde vai e quando se dá conta já estão subindo os créditos (e você nem notou o tempo passando). O IMDb o classificou como Drama/Horror/Thriller, embora eu ache que a parte “Horror” da história é extremamente sutil, é mais aquela situação que faz você ficar pensando após assistir ao filme como seria se você estivesse no lugar da protagonista, ou ainda: até que ponto somos capazes de ir, nós que achamos que somos tão humanos.

A história é sobre uma mulher que tenta engravidar após já ter sofrido dois abortos naturais. Ela obviamente parece bastante desesperada para ter um bebê, e fica extremamente feliz quando finalmente consegue engravidar e levar a gestação para mais de seis meses. Mas em uma noite ela tem complicações e, ao voltar do hospital, sofre um acidente de carro. Como consequência, tudo indica que ela perdeu o bebê, porém…

Porém não é bem o caso. E eu acho que para ter alguma surpresa, caso não tenha visto é melhor não continuar lendo os parágrafos a seguir, mas acredite em mim: vale a pena assistir, embora não seja um filme imperdível (como o Arrasta-me para o Inferno, hehehe). Caso vá procurá-lo, não esqueça que esse é o de 2009, filmado depois que o curta de 2006 foi bem recebido pelo público.

Então, sobre o bebê…

… a verdade é que o bebê, como esperado, nasce morto. Mas quando a parteira vai dar um basta na cena mórbida da mãe embalando o bebê como se ele estivesse vivo, upz, ele está. Maizomeno. É um bebê zumbi. Alimenta-se inicialmente do sangue da mãe, que mais para frente vê na intromissão da sogra super controladora uma oportunidade para arrumar mais comidinha para a filha. Só que tudo isso começa a acontecer quase que na meia hora final do filme, antes são só situações que sugerem que Grace não é normal. O público vai percebendo junto com a mãe que a criança gosta de sangue, por exemplo.

Ou ainda, cenas em que contam mais a sugestão, como  o aparecimento de moscas perto do berço da criança e o fato de que a mãe em dado momento pensa que o cheiro ruim que sente é da areia do gato, mas então se dá conta que vem do próprio bebê. Imagine só. Mas como disse, no geral acaba sendo um filme meio estranho, porque não é daqueles de dar susto, mas dá medo. Porque ok, um bebê zumbi é bastante impossível de se ver por aí, mas uma mãe matando pessoas para alimentar o filho, não. Como falei, aquela história toda dos limites de nossa humanidade.

De qualquer forma, é bastante curioso. Na realidade agora fiquei curiosa sobre o curta. Pelo que eu vi, é bem mais gore que o longa, hehe. No mais, parece que foi lançado em Sundance e depois saiu direto em DVD, então não contem com a possibilidade de ver nos cinemas (ainda mais nos daqui).

Arrasta-me Para o Inferno

drag_me_to_hellPrimeiro a palhaçada: Arrasta-me para o inferno ganha pré-estreia em Curitiba. Não fui porque Fábio não estava aqui e eu obviamente queria assistir ao filme com ele, mas ok, eu aguento esperar mais uma semana. Só que então no que seria a semana de estreia, pans: o filme simplesmente não está em cartaz em Curitiba. Tem em Maringá e em Londrina. Mas não em Curitiba. Dá para entender uma coisa dessas? No final das contas do que adianta ter várias salas em toda a cidade se no final das contas estão passando as mesmas coisas sempre? Aí os filmes “diferentes” ou chegam com quase duas semanas de atraso, ou ficam apenas em salinhas de cinema de qualidade meio chinfrim. Enfim, fica registrado meu protesto aqui (pelo menos o Estação se redime com o cinema a 6 reais nas segundas, hehe).

De qualquer modo, FINALMENTE consegui conferir Arrasta-me para o inferno. E fico feliz que tenha feito isso no cinema, e não em casa: o som potencializa a tensão, trabalhando muito bem com alguns efeitos de sombras. Muito do horror fica na sugestão, na soma desses fatores – embora sim, tenha lá um punhado de cenas nojentas daquela de fazer você querer olhar para o lado (vermes, moscas, sangue… etc.). E é Sam Raimi, então é óbvio que tudo isso regado com muito humor.

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Adaptações: é possível separar livro do filme?

untitled-5-1Então que essa semana chegou aos cinemas brasileiros a primeira adaptação internacional para o cinema de uma obra de Paulo Coelho, Veronika Decide Morrer. A protagonista que dá nome ao filme é interpretada por Sarah Michelle “Buffy” Gellar, mostrando a história de uma garota que tem tudo na vida mas que decide morrer (entendeu a razão do título? hehe). Aparentemente a película não está sendo muito bem recebida pela crítica tupiniquim, já que em seu blog (uia!) um Paulo Coelho bastante chateado apareceu para defender a adaptação da seguinte maneira: Continue lendo “Adaptações: é possível separar livro do filme?”

Paris

paris2008filmposterHá alguns dias estava curiosa sobre o filme Paris. Fiquei lembrando de quando assisti Catacombs, que era um thrillerzinho chimfrim mas que eu acabei gostando só porque eu via Paris e reconhecia lugares onde tinha estado (Catacumbas inclusas, hehe). Então pensei “Ah, dane-se. Se for ruim, pelo menos mato tempo e as saudades de Paris”. Mas de uma forma meio estranha Paris acabou me envolvendo já no começo, sem ser por causa da cidade, mas pelas histórias.

Sim, histórias. Dirigido por Cédric Klapisch (de quem eu nunca tinha ouvido falar, hihihi), Paris começa com a história de um dançarino profissional que descobre estar com um problema no coração que pode ser fatal. Já no começo a personagem conversa com sua irmã sobre o que faz para passar o tempo agora que não está trabalhando, revelando que gosta de observar as pessoas que passam, imaginando quem elas são, para onde vão. Tornando-os heróis de suas histórias.

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