(500) Dias Com Ela

500O bacana de alguns filmes é que mesmo que apresente personagens bastante atípicas, ainda assim conseguem fazer com quem está assistindo acabe se identificando com o que elas estão vivendo. É o caso de (500) Dias com Ela, que estreou nos cinemas brasileiros na semana passada. Summer é a soma dos sonhos de qualquer nerd, e como qualquer ser idealizado é claro que foge da realidade. Mas as ações dela não são muito diferentes das de qualquer pessoa que busque ser feliz, e é daí que surge a identificação imediata com a personagem.

O filme começa com um aviso que não trata-se de uma história de amor. E não é, não no sentido que esperamos quando assistimos a algum filme que tenta contar esse tipo de história – do mocinho se apaixonando pela mocinha, passando por dificuldades e então ficando juntos no final. Mas é de certa forma uma história de amor, sim. De como podemos nos confundir sobre o que esperamos daqueles que amamos ou que julgamos amar, para ser mais precisa.

Tom é um sujeito que trabalha como escritor de cartões de aniversário. Ele cresceu ouvindo música pop (alou, Rob Fleming?) e vendo filmes como A Primeira Noite de um Homem, e bem, tornou-se um romântico sem grandes sucessos amorosos. Até que conhece Summer no escritório. A menina é linda e aparentemente inantingível, mas um dia começa a conversar com ele (que está ouvindo There’s a Light That Never Goes Out dos Smiths, segunda referência em menos de um mês a essa música que eu achava que era só minha, humft!). E aí eles ficam juntos, com Summer deixando bem claro que não acredita no amor e Tom lutando para aceitar a condição de ser só o amigo-que-beija dela.

É evidente que toda a tensão da história se constrói sobre o que Tom espera de Summer, e o que obviamente ela não oferecerá. De qualquer modo, o filme prende sua atenção mesmo com você sabendo o que está por vir: talvez porque todo mundo já esteve também no lugar de Tom, insistindo em um relacionamento por acreditar que aquela é “a” pessoa de sua vida, mesmo que falte a essa pessoa um pequeno detalhe: retribuir o sentimento.

Filme bacana, até porque foge do formato comum das comédias românticas – veja o caso dos flashforwards, que em alguns momentos até emprestam graça, junto com a repetição de alguns elementos só que em contexto diferente, como quando Tom começa a dizer que odeia tudo que dias antes amava em Summer. Vale a pena aproveitar e conferir enquanto ainda está em cartaz. Até porque tem toda aquela pinta de ser o alternativo fofo queridinho do ano.

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