Uma vida sem regras (How to be)

Art é um perdedor, em todos os sentidos possíveis da palavra. Abandonado pela namorada, cobrado por pais que de certa forma se envergonham pela falta de perspectivas do filho, com um subemprego e bem, ele manda muito mal naquilo que mais gosta de fazer (música). Sempre envergonhado, escondendo o rosto atrás de um cabelo ridículo e com os ombros baixos de quem carrega um peso enorme só de viver em um mundo que não o aceita e enquanto ele precisa desesperadamente dessa aceitação.

A personagem em questão é protagonista da produção inglesa independente Uma vida sem regras (How to be), que chegou ontem aos cinemas nacionais. O que surpreende não é exatamente a personagem em si, já que o cinema conta com uma infinidade de personagens assim. A questão é que Art é interpretado pelo tchotchó do momento, Robert Pattinson.Eu juro que pagava para estar em uma sessão cheia de fãs de Crepúsculo, só para ver a reação dessas ao Pattinson que aparece nesse filme. Deixando de lado qualquer vaidade, ele dá conta de Art de uma maneira que surpreende quem passou momentos de vergonha alheia (como eu comentei sobre Lua Nova). Comparar o que ele faz com as duas personagens dá até a sensação que ele não viu desafio algum no vampiro e resolveu levar a personagem meio nas coxas, não mostrando todo o potencial que tem.

E a verdade é que o melhor de Uma vida sem regras é justamente ele. Porque o filme em si parece pecar em vários pontos importantes, como o roteiro, por exemplo. Parece que o estreante Oliver Irving leu um monte de Nick Hornby mas não entendeu bem a ideia. E não comento isso pelo título do filme se parecer com o de Como ser legal do Hornby. Quando Art se dá conta de que sua vida está um lixo e que precisa melhorar, o que ele faz? Paga um guru da auto-ajuda  para orientá-lo. Soa familiar? Poisé.

E não digo que a inspiração seja o lado ruim do filme, o problema é como é executado. Alguns diálogos simplesmente não funcionam (na maior parte das vezes quando envolvem os amigos de Art), e mesmo a narrativa parece pouco coesa, perdendo tempo em mostrar como Art é um fracasso e passando rapidamente no momento que ele decide tomar as rédeas da vida. No final das contas é uma pena, porque é o tipo de filme que no geral é só mediano, e para uma produção independente talvez nem o nome do Pattinson garanta muitas salas de exibição aqui no Brasil.

De qualquer forma, vale a pena assistir para desfazer a má impressão sobre o ator. Não acho que ainda seja o equivalente de Seven na carreira do Brad Pitt, mas pelo menos dá para começar a pensar nele não só como um rostinho bonito (até porque convenhamos, boniiiiito, bonito mesmo ele não é). Segue o trailer para quem ficou curioso:

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