Em algum momento ali em 2023 quando eu estava em uma fase mais crackuda de Anime (o que incluiu assinar o Crunchyroll e finalmente me apaixonar por Yuri!! on Ice como 11 em cada 10 pessoas que assistem Yuri!! on Ice) fiquei sabendo de uma duologia que, reza a lenda, a sua percepção da história muda conforme a ordem que você assiste aos filmes. Achei que seria algo na linha de Dois Lados do Amor, mas não foi bem assim.
To Me, The One Who Loved You (filme rosa) e To Every You I’ve Loved Before (filme azul) são romances envolvendo realidades paralelas – sempre que você ler comentários sobre as duas histórias, notará que as pessoas mencionarão a ordem que assistiram. Eu vi o rosa e depois o azul, e jamais poderei confirmar se a ordem afeta a percepção porque afinal de contas, agora eu já tenho a informação sobre as duas animações. De qualquer forma, gostei dos dois, mas senti que o segundo me pegou de jeito (como já falei aqui mais de uma vez, sou chorona então quando eu digo “me pegou de jeito” entenda-se: fiquei chorando e achando lindo um amor que existiu em todas as realidades possíveis e blablabla).
Se resgato a memória de ter assistido aos animes é porque recentemente passei por uma experiência parecida, mas com livros. Tem uma pamonhice típica minha aí no meio, então senta que lá vem história. Em 2020 saiu um livro chamado Writers & Lovers da escritora Lily King. Chamou minha atenção pelo enredo e porque vi muita gente comentando positivamente, mas eu sempre começava, lia um tanto e largava (largava quando a Casey ainda estava conversando com o Adam, para ter uma ideia de como realmente não me prendia).
Salta para 2025, li Heart the Lover da mesma autora e como quem leu meu post de outubro sabe, eu adorei. Já estava ensaiando dar uma nova chance para Writers & Lovers quando tropecei nesse artigo do Guardian que fala que Heart the Lover funciona como prequel e sequel de Writers & Lovers.
Bom, aí comecei a ler, né. E foi uma experiência bem estranha, porque Writers & Lovers narra a vida da protagonista de Heart the Lover no intervalo de tempo depois de ela ter se relacionado com o Yash, mas antes daquele reencontro com o Yash vinte e tantos anos depois. Yash nem é mencionado no livro, embora a sombra dele esteja por ali. Mas é uma sombra que eu reconheço porque li os livros na ordem errada (pelo menos se considerar a ordem de lançamento?).
A diferença de tom também é enorme, o livro mais antigo é MUITO engraçado, e a Casey tem um jeito meio de protagonista hot mess de comédias românticas do início dos 2000, enquanto o livro mais recente segue uma linha melancólica, não só por causa da nostalgia que marca a primeira parte, mas por causa dos eventos das outras duas partes da história.
A questão da ordem dos fatores alterando o produto é que com Writers & Lovers em mãos depois da leitura de Heart the Lover, eu sei que a protagonista está em um lugar bem mais complicado do que ela narra para os leitores – não é só a morte da mãe que está pesando, tem a Daisy, tem o Yash. Talvez se eu lesse Writers & Lovers primeiro eu não entenderia as decisões da protagonista como entendo conhecendo todo o contexto, e certamente minha reação seria completamente diferente quando já no começo chego nesse trecho aqui:
Porque eu li todo o Writers & Lovers sabendo quem era o Silas na vida da Casey, e aí foi um “aproveitar a jornada porque eu já sei qual é o destino”. É também um livro que apresenta melhor a relação dela com a mãe e com o pai. No fundo, tudo o que eu comentaria que estaria faltando no Heart the Lover já estava escrito, eu só fui meio bocó e não sabia.
Tive um momento O QUEEEEEEEE???? quando descobri que o nome dela não é Casey, mas Camila. Como comentei no post do Heart the Lover, eu achei que o Silas chamando a protagonista pelo nome real encerrava muito bem a história, mas agora entendo o que foi aquele “Casey, you’re here” – uma piscadela da Lily King para quem leu o livro na ordem certa descobrir que tinha em mãos uma obra que complementa Writers & Lovers. Se eu tivesse lido lá em 2020, quando eu chegasse nessa parte eu não pensaria “O Silas a reconhece pelo nome real, ele não apaga a identidade dela como Yash e Sam faziam”, mas sim “AHHHHH ÉÉÉÉ A CASEY!!”.
Enfim, tudo isso só para deixar registrada a experiência e também a lição aprendida: quando começar a ler um livro, tente se informar mais. Ainda não entendi como a informação sobre serem obras complementares passou totalmente batido para mim. E para quem se interessou, achei Heart the Lover melhor, mas aí talvez também tenha um pouco mais da maturidade da autora, não exatamente pela ordem da leitura. Mas mesmo assim, Writers & Lovers é um bom livro. Vale mais naquela linha de história para distrair das suas péssimas decisões de vida lendo sobre gente fictícia que toma péssimas decisões de vida.
Então eu recomendo os dois, mas não recomendarei ordem de leitura, eu achei que a minha na sorte acabou sendo a melhor, mas vá saber. Ah, sim, recomendo os animes que citei ali no começo também, mesmo que anime não seja muito sua praia.

