
Robert Frost e T.S. Eliot são dois poetas nascidos no fim do século XIX que tem em comum o fato de apesar de serem tecnicamente norte-americanos (o Eliot se tornou cidadão britânico em 1927), estavam na Inglaterra no início da Primeira Grande Guerra Mundial. É o tipo de informação que nunca passou pela minha cabeça checar até esse momento, quando eu estava para começar o post fazendo um comentário sobre poetas imaginando o fim do mundo em suas poesias.
Caiu a ficha que o tema não só é parecido, mas eles publicaram os poemas mais ou menos na mesma época (primeira metade da década de 20, já no pós-Guerra). O meu comentário inicial seguiria mais ou menos na linha “lembra quando falar de fim do mundo era só um exercício de imaginação de poetas?“, chamando a atenção para o fato de que agora parece que todo dia alguma coisa nos aproxima do momento final. E aí eu vi a desilusão deles e, ah. É sempre um baque perceber que nada é novo e que aparentemente estamos sempre cometendo os mesmos erros. Nem nossas ansiedades são novidade.
O Eliot tem aquele final de The Hollow Men:
This is the way the world ends
This is the way the world ends
This is the way the world ends
Not with a bang but a whimper.
O Frost tem os versos de Fire and Ice que já citei aqui mais de uma vez:
E esse caminho todo só para chegar em um RPG recomendado pela Anna Schermak no Pausa Para um Café: A Playlist for the End of the World. Ela explica super bem o jogo – tão bem que até eu que não sou muito fã de RPG fui atrás, então recomendo o clique no link para assistir ao vídeo dela. De qualquer modo, uma explicação rápida: é um jogo para uma pessoa só, você usa caneta, papel e baralho normal de cartas, além da folha com a descrição do jogo (criado por Ludipe e disponível para download na plataforma itch.io, alguém já foi bacana e inclusive traduziu para o ptbr).
A ideia é que você está sozinho em uma estação de rádio, e faltam 42 minutos para acabar o mundo. Você pode fazer uma transmissão para as pessoas. Sobre o que falará? Que músicas tocará? Alguém escutará sua transmissão? Qual o tom do que você falará no rádio?
A ideia é muito legal e eu ainda quero jogar, mas desde que fiquei sabendo desse jogo, o que eu tenho pensado mesmo é quais seriam as músicas que eu escolheria para tocar na minha transmissão. E como há anos que eu não faço um top5 aqui (o último foram os livros da quarentena), resolvi brincar mais uma vez com o…
TOP5 MÚSICAS PARA O FIM DO MUNDO!
5. It’s the End of the World As We Know It (And I Fell Fine) – R.E.M.
Eu começaria WITH A BANG, e aí é meio cair no óbvio, mas é inescapável uma trilha sonora de fim do mundo com It’s the End of the World As We Know It.
4. Doomsday (Mephiskapheles)
E para manter o clima ainda festivo, por que não um skazinho com Doomsday dos Mephiskapheles, não é mesmo?
3. O Último Dia (Paulinho Moska)
Paulinho Moska com O Último Dia para mudar o tom e fazer todo mundo pensar no que faria se só restasse um dia para viver.
2. Apocalyptic Love Song (Josh Radnor)
Uma baladinha do ex-Ted Mosby para acalmar os ânimos (e fazer todo mundo torcer encontrar alguém que cante Cause if the world is ending/I’d prefer to be with you antes do fim do mundo chegar).
1. As the World Falls Down (David Bowie)
Porque talvez a saideira só com o David Bowie cantando But I’l be there for youuuuuu as the world falls doooooown mesmo.