The saddest of songs I’ll sing for you

“Talvez não haja comparação entre Ian dormir com Laura e ‘Cães de Aluguel’, afinal. Ian não tem Harvey Keitel e Tim Roth no elenco. E Ian não é engraçado. Nem violento. E a trilha sonora dele é uma bosta, a julgar pelo que ouvíamos através do teto. Já chega disto.” (Nick Hornby, Alta Fidelidade)

Eu sempre tive certeza de que se minha vida fosse uma comédia romântica, o cara responsável pela trilha sonora teria um senso de humor um tanto peculiar. As canções nunca batem com o que está acontecendo, e não vou falar nem de quantidade de música horrível que faz parte da minha biografia.

Por exemplo, a primeira música que dancei com um menino. Era festinha de aniversário de uma amiga, ela convidou algumas pessoas e entre elas um guri por quem eu nutria uma paixão platônica há uns tempos. Era um amigo que eu queria que virasse mais do que amigo, mas nunca foi mais do que amigo – enfim, para ele fica reservado o título de “primeira pessoa com quem dancei uma música lenta”, evento canônico na vida de uma adolescente dos anos 90.

A festa era um jantar e depois minha amiga começou a tocar alguns discos na sala. O guri me chamou para dançar e aí alguns detalhes foram completamente apagados da minha memória: ele foi pressionado por minha amiga para me convidar? Eu que fui doida e chamei e lembro errado como se ele tivesse chamado? Não sei, só lembro que eram poucas pessoas e meio que fomos só nós dois ali na sala dançando, talvez só mais um par. Tenho que reconhecer que ele foi corajoso, mas a música que dançamos foi… BED OF FUCKING ROSES DO BON JOVI. Veja bem, era parte da minha personalidade de adolescente idiota “não ser como as outras garotas” e portanto detestar Bon Jovi. Continue lendo “The saddest of songs I’ll sing for you”

The Compound (Aisling Rawle)

Lançado lá fora agora em 2025 e ainda sem tradução no Brasil, The Compound é romance de estreia da escritora irlandesa Aisling Rawle e ganhou recentemente o prêmio do Goodreads de melhor Ficção Científica (já vou falar sobre isso). Também apareceu em um monte de lista de melhores livros de 2025, e confesso, sou fraca, acabei cedendo à curiosidade e resolvi ler agora no começo do mês.

A proposta é a seguinte: a narradora participa de um reality show num futuro incerto (mas aparentemente não muito distante) onde 10 homens e 10 mulheres competirão para ganhar produtos luxuosos, talvez patrocínio de marcas, itens para a casa onde estão vivendo. Uma das poucas regras, ou pelo menos a mais importante, é que pelo menos até a casa ficar com apenas cinco participantes, uma pessoa SEMPRE terá que dormir na mesma cama que alguém do outro gênero (sim, terrivelmente heterossexual, e uma personagem faz comentário sobre isso). Caso a pessoa passe a noite sozinha, ao amanhecer ela deverá deixar a casa e a competição.

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Cem absorventes

Sempre que vejo notícia sobre saúde feminina a primeira coisa que vem na minha cabeça é a voz daquela menina cantando “One hundred tampoooons! One hundred tampooooons!“. A música conta uma história da vez que a NASA mandou uma mulher para ficar seis dias no espaço e deram para ela 100 absorventes – e perguntaram se seria o suficiente.

Não sei se a história é real, mas eu entendo totalmente a alma ansiosa que resolveu mandar 100 – porque afinal, a vida do ansioso é imaginar sempre os piores cenários e pensar em soluções antecipadas porque vai que, né. Mas a música é engraçada porque ilustra algo que parece cada vez mais óbvio, o quanto o corpo da mulher e experiências comuns ainda são um mistério. E sabe, não é como se do nada há quinze anos mulheres tivessem começado a menstruar e ficarem grávidas e entrarem na menopausa, isso sempre aconteceu.

Mas aí você lê uma matéria como essa que saiu essa semana na CNN, comentando sobre como as pessoas ainda não sabem sobre a menopausa (e de que forma isso pode ser perigoso) e não dá para não ficar com uma pulga atrás da orelha sobre o que é que possa causar um atraso tão grande não só em estudos sobre saúde feminina, mas também divulgação. Tem coisa aí que já deveria ser conhecimento comum e a gente ainda é obrigada a tropeçar na informação no momento em que está acontecendo com a gente e olha, não é uma boa experiência.

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