Assim como o grande filósofo Raul Chequer, eu também acho que tem que acabar com estereótipo do idoso sábio, com o tempo dá para acumular burrice também. Então eu antecipo que nada do que falarei aqui tem qualquer relação com a noção de sabedoria, inteligência e muito menos maturidade – é uma questão de mudança de percepção. Eu gosto muito do exemplo que o Michio Kaku dá para falar de outras dimensões, o peixinho de boas no lago achando que o mundo é aquilo e então chega alguém e tira o peixe da água e ele descobre que tem “para cima” e que tem “ar ao invés de água” e “meu deus olha só esse monte de gente esquisita”.
Enquanto ele está só no lago, ele percebe as coisas de um jeito. Saindo do lago, a percepção se altera porque agora ele tem novas informações. No caso do tempo, quanto mais velho você fica, mais tiram seu corpo da água, digamos assim. Tem coisas que a gente não consegue deixar de perceber, e a cabeça faz revisões constantes reformulando a noção do período que certos eventos aconteceram.
Um exemplo para ilustrar o que estou tentando dizer: estava conversando com minha mãe sobre como na minha cabeça “eu sempre tinha passado o natal na casa da vó”, e quando eu tinha uns treze anos isso de fato era verdade. Mas considerando aí meus 40 e tantos natais, eu passei menos da metade na casa da vó. A frase não é mais verdadeira.
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