Como ser mulher (Caitlin Moran)

comoser(Atrasei o post para o dia 08/03 de propósito, há.)

Então que eu tinha me apaixonado por How To Build a Girl da Caitlin Moran e resolvi não me enrolar muito para ler o How To Be a Woman, que chegou aqui no Brasil em 2012 pela Paralela (Companhia das Letras) com o título Como ser mulher. 1 Comecei a ler e senti um certo déjà vu: a chegada à adolescência de uma garota que vivia em uma família enorme e de baixa renda, que passava longe dos padrões de beleza típicos e estava desesperada para ter suas primeiras experiências sentimentais/sexuais. Ou seja: How to Build a Girl pode ser um romance, mas tem MUITA coisa da vida da Moran ali.

Tanta que ler Como ser mulher poderia ser até um pouco de desperdício de tempo, não fosse a estrutura do livro: apresentação de uma anedota do passado da autora para então passar a discutir o tema de um modo mais geral, enfatizando a abordagem feminista de diversos momentos que qualquer mulher atravessou da adolescência à fase adulta – mudanças no corpo, menstruação, primeiro beijo, primeira vez, gravidez, etc.

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Por Lugares Incríveis (Jennifer Niven)

porlugaresVou confessar uma coisa: embora eu viva dizendo que não tenho preconceitos sobre YA, que tenho 30 e poucos mas leio merrrmo, que adoro e me divirto horrores e etc. etc. etc., a verdade é que eu andava meio sem paciência para esse tipo de livro. Pegando minha lista de leituras do ano passado, fora Isla and the Happily Ever After que achei fofo, o resto (do pouco) que li variou do mais ou menos para o simplesmente ruim. Então comecei a achar que eu que estava ficando crica, que logo ia virar aquele tipo chato que diz que não lê bestseller e só lê clássicos (seria uma recaída, eu já fui assim, haha), mas Por Lugares Incríveis de Jennifer Niven chegou para me salvar. Ufa.

Lançado por aqui pela Seguinte, o livro entrou no meu radar por causa da capa (essa que ilustra o post). É, a capa. Achei tão colorida, tão linda, e aqueles bloquinhos do kit pequeno engenheiro, que nostálgico! Enfim, parecia cute, e depois da paulada que foi The First Bad Man eu estava precisando de algo assim e lá fui eu.

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The First Bad Man (Miranda July)

TFBM_book__together_01_02Lançado em janeiro deste ano lá fora, The First Bad Man é o primeiro romance de Miranda July. Ênfase para romance, ela já publicou outros livos, um deles o ótimo O Escolhido Foi Você (que chegou por aqui pela Companhia das Letras). Somando aí os filmes, dá para dizer que ela é uma artista multimídia com uma grande bagagem e muitos fãs, mas eu (vergonhosamente) ainda conheço só esses dois trabalhos dela (nem os filmes eu vi, gente, socorro). Então o que for comentar aqui é meio que baseado só nisso, hmkay?

O fato é que eu notei uma semelhança grande na forma de desenvolver a história nessas duas obras, por mais que O Escolhido Foi Você não seja ficção. Duh, sim, óbvio, é a mesma autora, Anica. Calma, já explico. Quando você compara The First Bad Man com O Escolhido Foi Você dá para perceber que Miranda July não tem lá muita pressa de chegar onde realmente interessa. Para quem já leu o Escolhido, vale lembrar: páginas e páginas com boas histórias sobre os vendedores do PennySaver, para finalmente chegar na do velhinho que a tocou de tal maneira que ela até quer incluí-lo no filme que estava fazendo. Não que as outras histórias não fossem boas ou não estivessem conectadas ao encontro em questão. É só que o livro pareceu se transformar e ganhar uma força enorme a partir dali.

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Trigger Warning: Short Fictions and Disturbances (Neil Gaiman)

Ler Trigger Warning (coletânea de contos e poemas de Neil Gaiman que saiu recentemente lá fora) é um pouco como reencontrar um velho amigo querido. Ok, um velho amigo querido, mas que provavelmente tem uma mania chata que 10 minutos após o reencontro te faz lembrar porque, no final das contas, você não retornou aquela ligação ou deixou a coisa no “vamos marcar!” sem nunca marcar nada.

Não entenda mal, não é que o livro seja ruim. É só que por conta de alguns textos fica um tanto irregular. Eu entendo o que Gaiman fala logo na Introdução sobre o conto ser o lugar onde o autor pode experimentar mais, o negócio é que em uma coletânea supostamente houve uma seleção e o que sai ali pode ser resultado de experimentos, mas suponho que sejam os melhores resultados. Não é o caso. Tem coisa ali que eu teria definitivamente deixado de fora, mesmo que o livro ficasse um tanto menor do que as 350 páginas da edição gringa.

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Nobody is Ever Missing (Catherine Lacey)

18490560A sensação que tive ao terminar a leitura de Nobody is Ever Missing de Catherine Lacey foi de decepção. “O quê? Vai ficar nisso?”. Acho que o que mais incomodou foram as perguntas levantadas ao longo da história e que ficaram simplesmente sem resposta na conclusão. Como se a autora jogasse migalhas para traçar um caminho que levava para lugar nenhum, entende?

E aí passou um dia, outro, e outro. E eu ainda com o livro na cabeça. Não que eu estivesse buscando motivos para gostar da obra (não teria nenhuma razão para isso), é mais que eu não conseguia afastar a impressão de que as tais das migalhas tinham sim um destino, digamos assim. Aí caiu a ficha e meio que revisei minha opinião sobre Nobody is Ever Missing. E claro, este post estará cheio de spoilers porque vou passar minha interpretação do romance.

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Bough Down (Karen Green)

siglio-bough-down-green-1Não é de propósito. Juro que queria embarcar na onda e ler Graça Infinita do David Foster Wallace agora que a tradução do Caetano Galindo chegou (tá bonito de ver o Verão Infinito lá no Posfácio, btw), mas serei daquelas leitoras atrasadas que em uns anos vai encher o saco de todo mundo que leu querendo conversar sobre o livro. É que eu já comecei a leitura uma vez (ainda em inglês) e sei que ele demandará uma atenção que no momento não posso dar. Enfim, não deu. Ainda.

Negócio é que nessa avalanche de reportagens anunciando o lançamento da Companhia das Letras, acabei lendo uma assinada por Paulo Nogueira que saiu na revista Época. Fala daquilo que temos lido aqui e acolá mas veio com um extra: um comentário sobre um livro recentemente escrito pela viúva de Wallace, chamado Bough Down. A passagem citada por Nogueira automaticamente despertou meu interesse pela obra. Tanto que já coloquei na wishlist de aniversário – e bem, acabei de ler.

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We Have Always Lived in the Castle (Shirley Jackson)

we_have_always_lived_in_the_castle_coverJá tem aí vários dias desde que terminei a leitura de We Have Always Lived in the Castle da escritora norte-americana Shirley Jackson. Estava quase desistindo de escrever sobre ele e ia saltar direto para o Bough Down de Karen Green (fica para outro dia), mas minha resolução de ano novo (cofcof) é que vou escrever um post para cada livro que adorei, então vamos lá.

Motivos para gostar de We Have Always… são vários. A capa pode enganar (parece de livro infantojuvenil), a autora também (Jackson é conhecida pelo terror The Haunting of Hill House, além de ser influência de autores como Stephen King e Richard Matheson – o que levaria o leitor a pensar que teria em mãos um livro de terror, pelo menos no sentido mais genérico da palavra). Mas se posso dar um conselho é: abandone as tentativas de adivinhações e se deixe levar pela história das duas irmãs Blackwood.

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How To Build a Girl (Caitlin Moran)

howtobuildcA história você conhece: um livro começa a aparecer aqui e ali, várias pessoas recomendando e então chega o fim do ano com aquelas ‘n’ listas de melhores e lá está ele, com a capinha verde dizendo LEIA-ME, LEIA-ME. Foi o que aconteceu comigo agora no final do ano. How To Build a Girl de Caitlin Moran ganhou o primeiro lugar na minha infinita lista de livros para ler meio que na base da insistência. Assim, não que eu não-seja-o-tipo-de-leitora de Caitlin Moran, é só que ela ainda não tinha entrado no meu radar e olhando pela sinopse não tinha nada em How To Build a Girl que fosse assim, livro para entrar em top5 de leituras do ano, por exemplo.

E aí eu comecei a ler, fechei meu top5 de leituras e agora queimei a língua e vou ter que colocar uma bônus track para a Dona Moran porque olha, garrei morzinho no livro. Antes de começar a falar dele, preciso avisar que: a) não acho que seja um livro para todo tipo de público. Já li resenha de gente que ficou ofendida com o senso de humor da autora, por exemplo. b) ele é um livro simples, que te ganha pelas ideias. c) além das ideias, é provável que role uma identificação se você foi um adolescente meio bizarro.

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Só para manter o registro

O bom e velho post com um breve comentário sobre livros que li mas dos quais não falei aqui.

subjectThe Subject Steve (Sam Lipsyte): Fiquei sabendo sobre esse livro porque a Sutil Companhia tinha feito uma peça baseada nele, mas como só tinha livro de papel fiquei me enrolando até sair uma edição para o kindle. Enfim, é legal, mas acho que fiquei no “meh” porque li com as expectativas lá no alto já que outros dois livros que renderam peça da Sutil eu adorei, Alta Fidelidade (A Vida é Cheia de Som e Fúria) e Love is a Mixtape (Trilhas Sonoras de Amor Perdidas).

A proposta é bem maluca e o desenvolvimento mais ainda: um cara saudável (Steve) é diagnosticado com uma doença que lhe dá poucos dias de vida. Detalhe é que mal avançamos na leitura e ficamos sabendo que o que o que Steve tem é meio que o que todos nós temos: a certeza de que morreremos eventualmente já que estamos vivos.

Boa parte das melhores piadas saem disso, mas a metralhadora do Lipsyte dispara para todo lado da nossa vida “moderna” e todas as maluquices inclusas no pacote. Em um outro post já tinha comentado um tico dele aqui, dizendo que “é um livro com bons momentos mas que não mexeu comigo o suficiente para sentar aqui e escrever sobre ele. Basta dizer que tem uma pitada de Tibor Fischer (alou, Sol!), que tem uma ideia bem sacada só que em determinado momento ele começa a se repetir tanto, tanto, que cansa. Seria uma novela excelente, e é um romance mediano“.

“Was I living?” I said.

“Wow”, said Desmond. “Don’t talk. Don’t say another thing. Those should be your last words. Mythic, man. I knew you had style.”

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The House of Impossible Loves (Cristina Lopez Barrio)

casaamoresEu entrei em um período de ressaca literária forte – comecei trocentos livros, com nenhum a leitura realmente engatava. O único que engatou (Por Escrito, da Elvira Vigna) era livro de papel e no momento eu só estou conseguindo ler no kindle porque acredite, por mais que mães sejam mestres da arte perdida de fazer tudo com uma mão só, virar páginas com uma criança no colo não é bolinho. Enfim, surge esse The House of Impossible Loves, parece interessante, amostra para o kindle, uou, interessante mesmo, comprei (a facilidade do processo de comprar um e-book só pode ser coisa do diabo).

Tem uma frase do Tibor Fischer que ficou martelando na minha cabeça: “Nunca existira um livro que não contivesse fibras de outro livro”. The House of Impossible Loves da espanhola Cristina Lopez Barrio parece ser a prova disso. Ecos de outros autores estão ali, de forma bastante clara – não à toa quase todas as resenhas desse livro acabam invariavelmente falando de García Márquez e Isabel Allende. Talvez o que diferencie a influência da mera cópia seja o fato de que no primeiro caso esses ecos surgem como ingredientes de um grande ensopado, e não como o prato principal. Barrio consegue fazer o tal do ensopado ao contar a história da estranha família Laguna e suas mulheres, amaldiçoadas há séculos a ter apenas filhas e sempre serem infelizes no amor.

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