Locke & Key (Joe Hill/ Gabriel Rodriguez)

395px-JoehilllockekeyLembro que quando me perguntavam sobre A estrada da noite, eu costumava dizer que era algo como Stephen King meets Neil Gaiman: há o terror, sem dúvida, mas também aquele jogo de referências que o autor britânico tanto gosta de fazer. Considerando esta definição, é até curioso que Joe Hill tenha trilhado um novo caminho em sua carreira, escrevendo histórias em quadrinhos (fazendo a trilha de Gaiman ao contrário). Então é claro que fiquei com a curiosidade atiçada e quis ir atrás da série Locke & Key, escrita por Hill e ilustrada por Gabriel Rodriguez.

Reza a lenda que a IDW Publishing tinha procurado o Hill para publicar uma versão em quadrinhos da coletânea de contos Fantasmas do Século XX, mas então o autor ofereceu o título até então inédito, e a editora acabou publicando. O que pessoalmente acho muito inteligente da parte da IDW, porque Fantasmas do Século XX é só “meh”, mas Locke & Key é muito legal – das coisas escritas pelo Hill que eu já li, fica só atrás de A estrada da noite.

Continue lendo “Locke & Key (Joe Hill/ Gabriel Rodriguez)”

O Circo da Noite (Erin Morgenstern)

Capa_CircoDaNoite_WEB(alguém fez busca por este post aqui, então acho que já está na hora de trazer do arquivo para cá)

Muitas pessoas torcem o nariz para livros de fantasia, isso é fato. Mesmo que autores como J.R.R. Tolkien e J.K. Rowling conquistem legiões de fãs, parece que livros desse tipo estão sempre com o estigma de “literatura de entretenimento”, como se por serem assim não tivessem qualquer qualidade. Não é verdade. O simples fato de conseguirem nos transportar para um lugar onde as regras do “mundo real” não são mais válidas, de nos permitir romper um pouco com nossa chata realidade já é, por si só, um aspecto mais do que positivo. Pensei nisso enquanto me maravilhava com Le Cirque des Rêves, criado por Erin Morgenstern em seu romance de estreia, O Circo da Noite. Não há outro verbo, é maravilhar mesmo, imaginando pequenos momentos descritos pela escritora e pensando em como isso ficaria lindo se visto “na vida real” (ou, pelo menos, em um filme).

A premissa é até bastante simples: uma garotinha de cinco anos é entregue ao pai logo após a morte de sua mãe. O pai é Próspero, um grande mago (embora não se refira a si mesmo como tal), que finge ser um ilusionista (se não ficou claro, a ideia é parecida com a do Teatro dos Vampiros em Entrevista com o Vampiro, só que ao invés de vampiros estamos falando de pessoas que conseguem manipular a realidade). O sujeito resolve envolver a filha em uma espécie de desafio com outro mago, que acolherá um pupilo para tal fim. O desafio em si não fica claro nem para a menina (Celia) nem para o rapaz (Marco) e ok, nem para o leitor – e em partes é isso que prende a atenção de quem tem o livro em mãos, descobrir o que é o tal do duelo entre Próspero e Alexander.

Continue lendo “O Circo da Noite (Erin Morgenstern)”

Garota Exemplar (Gillian Flynn)

GarotaExemplarJuro que não sei exatamente o que despertou minha curiosidade sobre Garota Exemplar, de Gillian Flynn. Acho que uma reportagem mencionando o fato de que este livro tinha desbancado Cinquenta Tons de Cinza, e aí eu queria saber qual era a nova pira do momento, não sei. O fato é que coloquei no kindle e comecei a ler sem grandes expectativas, primeiro porque a) eu estava um pouco traumatizada com a Intrínseca (ver lista de piores leituras de 2012), b) O enredo parecia de filme que eu assistia no Supercine (ainda passa Supercine?) e c) Meu preconceito bocó dizia que se desbancou Cinquenta Tons de Cinza, boa coisa não poderia ser.

Mas ok, comecei a ler. E poucas páginas depois, já não queria mais abandonar o livro, principalmente quando percebi a jogada que Flynn começou a fazer com as opiniões que o leitor tinha das personagens. E se menciono isso já, assim, segundaparagrafamente, é porque quero dar um aviso para você que ainda não leu Garota Exemplar: fuja da campanha de marketing da editora. Não leia sinopse do livro, orelha, nem nada. Algumas informações que estão sendo colocadas para anunciar o livro acabam te colocando na pista errada e, o principal, afetando seu julgamento das personagens de uma forma diferente do que deveria ocorrer. Sobre isso falo um pouco mais para frente, aguenta aí.

A questão é que minha cabeça está aqui cheia de ideias a serem comentadas sobre o livro, mas não queria estragar a experiência inicial de ninguém, portanto fica a velha recomendação: volte quando tiver acabado de ler. Por incrível que pareça, esse meu cuidado nada tem a ver com o enredo principal que tem sido apresentado por aí (mulher desaparece, marido é o principal suspeito, etc.), aliás, eu acho que é o tipo de livro que “sobrevive” muito bem mesmo que revelem spoilers, só que fica aquela sensação de chupar bala sem tirar o papel (há!). Avisados? Ok, então agora vamos por partes. Três, como no livro.

Continue lendo “Garota Exemplar (Gillian Flynn)”

Max e os Felinos (Moacyr Scliar)

max e os felinosEntão, demorou um pouco para eu poder ler Max e os Felinos porque o livro simplesmente tinha sumido de qualquer livraria online, e até do estante virtual. Fiquei sabendo pela Izze que a L&PM está preparando uma nova edição bem caprichada agora para março, e eu já estava até convencida a esperá-la quando a Clara me escreveu dizendo que achou um Max e os Felinos em uma banca e que mandaria para mim e bem, chegou ontem e já li. Antes que comecem com “E aí, Pi é plágio mesmo?” vou falar sobre o livro, hmkay? Depois tratamos do assunto mais espinhoso.

A edição que ganhei da Clara veio sete anos após a polêmica de 2002 envolvendo o canadense Yann Martel, portanto já veio “equipada” com alguns itens para quem deseja informações sobre a questão do plágio: uma introdução escrita pelo próprio Scliar em 2003, além de Zilá Bernd chamado De trânsito e de sobrevivências, que traça um paralelo entre as duas obras, mostrando suas óbvias semelhanças. Como não queria afetar meu julgamento sobre a questão, deixei para ler esse texto depois (mas que achei bem interessante, com algumas interpretações que passaram batido para mim inicialmente). De qualquer forma, acredito que os dois estarão presentes na nova edição, por motivos óbvios.

Continue lendo “Max e os Felinos (Moacyr Scliar)”

Canibais, baleias e o medo ou: Santa coincidência, Batman!

Não há pinguins neste post, mas essa imagem é tão cute que tive que colocar aqui.
Não há pinguins neste post, mas who cares?

Pois veja como são as coisas: no começo da semana recebi do Matheus Lins via twitter o link para um texto falando sobre o evento que inspirou Herman Melville a escrever Moby Dick, chamado The True-Life Horror that Inspired Moby-Dick (você jura, Anica?). Enfim, o texto é assustador e eu recomendo fortemente a leitura (mas já aviso que sim, está em inglês). O engraçado é que eu realmente desconhecia a história do Essex, e ao mesmo tempo ela me parece tão familiar: lembra muito The Narrative of Arthur Gordon Pym of Nantucket e todas aquelas coincidências envolvendo o nome Richard Parker (sim, o do tigre de As aventuras de Pi).

Enfim, acabei lendo o texto apenas ontem a tarde e deixei a janela aberta para comentá-lo depois. Então, à noite, estava dando uma olhada básica na lista de videos disponíveis no site do TED, e um chamou minha atenção. O título era “O que o medo pode nos ensinar”, e quem falava era a Karen Thompson Walker, autora de A idade dos milagres. Adivinha que história ela conta no video? Sim, a do Essex.

Tanta coincidência só podia ser um sinal de que eu tinha que compartilhar este link aqui no blog. Fica a sugestão então,  The True-Life Horror that Inspired Moby-Dick (sem tradução) e O que o medo pode nos ensinar (com legendas em português). E aproveita que já está no site do TED e vê logo o video da Amanda Palmer, que derreteu meu coração gaimete e de quem agora sou fã: The art of asking (ainda sem legendas em português).

Tipos de leitores

Do tipo: nervoso.
Quem nunca?

Aí que este mês quase só li clássicos e lembrei dos tempos da universidade, que meio que achava que qualquer tempo gasto com literatura de entretenimento era tempo jogado fora. E de como hoje em dia mudei essa visão, e me permito ler para me divertir, e inclusive abandonar livros se estiver achando muito chato. E então me dei conta de como nós mesmos mudamos como leitores, e como existem diversos tipos de leitores por aí.

Se você frequenta fóruns de literatura ou redes sociais voltadas ao assunto, esses variados tipos ficam ainda mais evidentes. E foi pensando nisso (e em tudo o que eu já fui como leitora) que resolvi elaborar aqui uma listinha de tipos de leitores. É bem provável que você nem se veja em nenhum deles (ou talvez se veja em mais de um), mas fica até como uma proposta de exercício para que você reflita como é como leitor. Continue lendo “Tipos de leitores”

Zodíaco (Robert Graysmith)

ZODIACO (CAPA).inddO assassino Zodíaco faz parte daquela galeria de criminosos que acabaram ganhando um estranho status de celebridade. Tal como Jack, o Estripador, ele costumava enviar cartas zombando do fato de a polícia não conseguir capturá-lo – o que de fato não ocorreu até os dias de hoje, mais de 40 anos após os primeiros assassinatos começarem a assombrar San Francisco nos Estados Unidos. Não tendo uma solução para o mistério (o que por si só é bastante frustrante), chega a ser curioso como Zodíaco de Robert Graysmith entrou na minha lista de livros policiais favoritos.

Na época em que Zodíaco começou a atacar Graysmith trabalhava como cartunista no jornal San Francisco Chronicle, e estava presente no momento em que a primeira carta para o editor do periódico chegou. Por conta disso, se envolveu de tal forma com as histórias dos crimes que resolveu investigá-los por conta própria, para tentar encontrar a resposta para quem era o homem que dizia ter matado quase 40 pessoas.

Continue lendo “Zodíaco (Robert Graysmith)”

Oscar 2013: O dia seguinte

Spoiler: Argo vence melhor filme. E também, eu queria começar o post com uma imagem do Ben Affleck.
Spoiler: Argo vence melhor filme. E também, eu queria começar o post com uma imagem do Ben Affleck.

Enquanto vou tomando minha segunda caneca de café para compensar a noite de pouco sono, vamos para alguns comentários sobre a cerimônia do Oscar ontem – que não, não teve nada de muuuito surpreendente. Foi uma noite morna, sem grandes surpresas e que em alguns momentos pareceu que iria se arrastar pela eternidade (quem mais aqui não pensou “Poutz, ainda nem apareceu o In Memorian?!!”).

Sobre o tapete vermelho, a real é que eu acompanho só para ver se acontecerá um grande desastre tipo a Bjork com aquele vestido de cisne, ou algo lindo demais, como aquele vestido da Halle Berry no ano em que ela ganhou o Oscar: não aconteceu. Tudo certinho e dentro da média, morninho como a cerimônia. Vi umas fotos da festa da Vanity Fair e pareceu que as moças guardaram o melhor para lá, saindo dos rosinhas sem graça para muito brilho, muito ouro, inshalá. Tentaram fazer uma piada com o farol aceso da Anne Hathaway, mas parece que era efeito do corte do vestido (mas convenhamos, escolher mal justo na noite em que você finalmente ganha? Aff). Enfim, melhor coisa desse tapete vermelho foi a barba do Ben Affleck.

Continue lendo “Oscar 2013: O dia seguinte”

Wilson (Daniel Clowes)

wilson-222x300

Em tempos de redes sociais você provavelmente já passou por isso: escreveu uma mensagem, pensou melhor e então apagou. Talvez não necessariamente porque fosse ferir o sentimento da pessoa que a receberia, mais para evitar um conflito futuro, ou mesmo que sua imagem de pessoa bacana fique arranhada por dizer algumas verdades para quem supostamente mereceria ouvir. Pois bem, seja lá qual for o motivo que faça muita gente agir assim, Wilson de Daniel Clowes parece não ter essa ferramenta. Fala o que tem vontade sem o menor medo de ser desagradável. E é tão, mas tão desagradável que chega a ser engraçado.

A HQ lançada pela Companhia das Letras segue um formato de episódios de uma página, seguindo uma ordem cronológica que vai alinhavando uma história maior, que de modo resumido dá para dizer que é a luta de Wilson contra a solidão que ele causou contra si, justamente por causa desse jeito de agir. Ele quer “fazer parte”, mas ao mesmo tempo não quer abrir mão de ser como é. Continue lendo “Wilson (Daniel Clowes)”

Esquenta para o Oscar

Pôster-do-Oscar-2013

Amanhã é dia de Oscar! Para quem tem tv a cabo, o evento será transmitido pelo canal TNT a partir das 20:30h. Para quem não tem, podem xingar muito a Globo no twitter, porque a transmissão só começará após o Big Brother (como tem acontecido nos últimos anos). Para quem vai acompanhar pela internet, tem a cobertura do Cinema em Cena. E tem bolão pipocando em todo canto, mas deixo como sugestão o organizado pelo Tisf lá na Valinor (ele organiza isso tem, sei lá, quase 10 anos), para quem quiser tentar a sorte, é só clicar aqui. Outros links relacionados com ao Oscar:

Continue lendo “Esquenta para o Oscar”