Oscar 2015: O dia seguinte

ao3lrjk

E aqui estou eu com minha canequinha de café para comentar o que aconteceu ontem na cerimônia de entrega do Oscar. Foi dormir cedo? É, tem momentos que eu também acho que deveria ter ido, mas já são o quê? 20 anos acordando zureta na segunda-feira seguinte, eu acho que é o tipo de coisa que vou fazer mesmo depois de velha (e aí meus netinhos vão dizer “Vó, você tá vendo o Troféu Imprensa, vai dormir, vó“).

Enfim. Nenhuma graaaaande surpresa, se você pegar os vencedores dos prêmios dos sindicatos já tinha lá uma tendência a dar isso mesmo. Eu só acho que não tinha feito as contas direito, porque achava que Boyhood iria um pouco melhor (foi o tchibum da noite: o mais indicado, voltando só com o Oscar de atriz coadjuvante da Patricia Arquette).

Continue lendo “Oscar 2015: O dia seguinte”

Esquenta para o Oscar 2015

Oscar_2015

Seguindo a tradição, vale lembrar que amanhã é noite de Oscar! Com apresentação de Neil Patrick Harris (e um monte de apresentações musicais, aposto), a transmissão está prevista para começar às 23:45 na Globo (sim, aquela velha história, não dá para tirar uns poucos minutos de Faustão, Fantástico e BBB para passar toda a cerimônia dane-se quem gosta de acompanhar e só pode ver pela tv aberta). Para quem tem tv a cabo, na TNT a previsão é de que a transmissão comece às 20:30.

E agora alguns links relacionados:

Guia para seu Bolão do Oscar, lá no Vida Ordinária

Palpitando o Oscar 2015, por Ana Maria Bahiana

Também da Ana Maria Bahiana, um artigo no Blog da Companhia: O prêmio, essa força estranha

As 10 pessoas que mais receberam agradecimentos no Oscar (para surpresa geral, Harvey Weinstein está em segundo)

Oscars Bingo!, no Guardian

E continuando os joguinhos, o Guardian também tem esse: You don’t know Oscar

O Hollywood Reporter publicou como no ano passado entrevistas “brutalmente honestas” com membros da academia comentando seus votos. Tem aqui parte 1, 2, 3, 4, 5.

E quando você terminar de ler esses artigos, vai achar que o Oscar é decidido desse jeito.

Continue lendo “Esquenta para o Oscar 2015”

The First Bad Man (Miranda July)

TFBM_book__together_01_02Lançado em janeiro deste ano lá fora, The First Bad Man é o primeiro romance de Miranda July. Ênfase para romance, ela já publicou outros livos, um deles o ótimo O Escolhido Foi Você (que chegou por aqui pela Companhia das Letras). Somando aí os filmes, dá para dizer que ela é uma artista multimídia com uma grande bagagem e muitos fãs, mas eu (vergonhosamente) ainda conheço só esses dois trabalhos dela (nem os filmes eu vi, gente, socorro). Então o que for comentar aqui é meio que baseado só nisso, hmkay?

O fato é que eu notei uma semelhança grande na forma de desenvolver a história nessas duas obras, por mais que O Escolhido Foi Você não seja ficção. Duh, sim, óbvio, é a mesma autora, Anica. Calma, já explico. Quando você compara The First Bad Man com O Escolhido Foi Você dá para perceber que Miranda July não tem lá muita pressa de chegar onde realmente interessa. Para quem já leu o Escolhido, vale lembrar: páginas e páginas com boas histórias sobre os vendedores do PennySaver, para finalmente chegar na do velhinho que a tocou de tal maneira que ela até quer incluí-lo no filme que estava fazendo. Não que as outras histórias não fossem boas ou não estivessem conectadas ao encontro em questão. É só que o livro pareceu se transformar e ganhar uma força enorme a partir dali.

Continue lendo “The First Bad Man (Miranda July)”

Trigger Warning: Short Fictions and Disturbances (Neil Gaiman)

Ler Trigger Warning (coletânea de contos e poemas de Neil Gaiman que saiu recentemente lá fora) é um pouco como reencontrar um velho amigo querido. Ok, um velho amigo querido, mas que provavelmente tem uma mania chata que 10 minutos após o reencontro te faz lembrar porque, no final das contas, você não retornou aquela ligação ou deixou a coisa no “vamos marcar!” sem nunca marcar nada.

Não entenda mal, não é que o livro seja ruim. É só que por conta de alguns textos fica um tanto irregular. Eu entendo o que Gaiman fala logo na Introdução sobre o conto ser o lugar onde o autor pode experimentar mais, o negócio é que em uma coletânea supostamente houve uma seleção e o que sai ali pode ser resultado de experimentos, mas suponho que sejam os melhores resultados. Não é o caso. Tem coisa ali que eu teria definitivamente deixado de fora, mesmo que o livro ficasse um tanto menor do que as 350 páginas da edição gringa.

Continue lendo “Trigger Warning: Short Fictions and Disturbances (Neil Gaiman)”

Dois Lados do Amor (The Disappearance of Eleanor Rigby)

eleanor-rigby

Se tem algo que eu adoro em literatura é quando o autor se dá ao trabalho de explorar diferentes pontos de vista para a mesma situação. De como uma história pode ser outra completamente diferente dependendo de quem conta. E foi por ter a oportunidade de ver esse exercício repetido no cinema que fiquei tão empolgada quando fiquei sabendo sobre The Disappearance of Eleanor Rigby (que no Brasil passou no Festival do Rio com a horrenda tradução ‘Dois Lados do Amor‘).

É um projeto audacioso: um filme mostrando a visão do homem, outro mostrando a da mulher e finalmente um terceiro que mescle essas duas versões. Não sei bem por qual motivo, achei que seria uma história típica montada do começo do relacionamento até o fim, mas não é bem por aí: os filmes abordam o modo como Connor (James McAvoy) e Eleanor (Jessica Chastain) lidam com a perda do filho.

Continue lendo “Dois Lados do Amor (The Disappearance of Eleanor Rigby)”

Janeiro é o mais cruel dos meses (Ou Filmes que vi em janeiro)

tumblr_ne7wmdu3CV1s4ks7so1_500
Quicksilver também aprovou.

Mentira, nem é não. Melhor época para quem gosta de cinema. Por causa da temporada de premiação, o pequeno pirata mirim pode fazer a festa sem ter que ficar frustrado porque os multiplexes da sua cidade quase que só passam filme para a gurizada de férias (e dublados ¬¬). E tem o Netflix também, que está sendo bem esperto e investindo um bocado em filmes que por aqui quase que foram lançados direto em (dvd? blu-ray? a locadora aqui de perto de casa fechou, nem sei mais o que as locadoras alugam).

Enfim, foi um ótimo mês. E tanta coisa boa, que aí você até entra naquelas de sempre COOOOOMO NÃO FOI INDICAAAAADO PARA O OOOOOOSCAAAAR? e tudo o mais. E sim, você já deve ter adivinhado: post com comentários rápidos sobre o que assisti agora em janeiro.

Continue lendo “Janeiro é o mais cruel dos meses (Ou Filmes que vi em janeiro)”

Nobody is Ever Missing (Catherine Lacey)

18490560A sensação que tive ao terminar a leitura de Nobody is Ever Missing de Catherine Lacey foi de decepção. “O quê? Vai ficar nisso?”. Acho que o que mais incomodou foram as perguntas levantadas ao longo da história e que ficaram simplesmente sem resposta na conclusão. Como se a autora jogasse migalhas para traçar um caminho que levava para lugar nenhum, entende?

E aí passou um dia, outro, e outro. E eu ainda com o livro na cabeça. Não que eu estivesse buscando motivos para gostar da obra (não teria nenhuma razão para isso), é mais que eu não conseguia afastar a impressão de que as tais das migalhas tinham sim um destino, digamos assim. Aí caiu a ficha e meio que revisei minha opinião sobre Nobody is Ever Missing. E claro, este post estará cheio de spoilers porque vou passar minha interpretação do romance.

Continue lendo “Nobody is Ever Missing (Catherine Lacey)”

Bough Down (Karen Green)

siglio-bough-down-green-1Não é de propósito. Juro que queria embarcar na onda e ler Graça Infinita do David Foster Wallace agora que a tradução do Caetano Galindo chegou (tá bonito de ver o Verão Infinito lá no Posfácio, btw), mas serei daquelas leitoras atrasadas que em uns anos vai encher o saco de todo mundo que leu querendo conversar sobre o livro. É que eu já comecei a leitura uma vez (ainda em inglês) e sei que ele demandará uma atenção que no momento não posso dar. Enfim, não deu. Ainda.

Negócio é que nessa avalanche de reportagens anunciando o lançamento da Companhia das Letras, acabei lendo uma assinada por Paulo Nogueira que saiu na revista Época. Fala daquilo que temos lido aqui e acolá mas veio com um extra: um comentário sobre um livro recentemente escrito pela viúva de Wallace, chamado Bough Down. A passagem citada por Nogueira automaticamente despertou meu interesse pela obra. Tanto que já coloquei na wishlist de aniversário – e bem, acabei de ler.

Continue lendo “Bough Down (Karen Green)”

We Have Always Lived in the Castle (Shirley Jackson)

we_have_always_lived_in_the_castle_coverJá tem aí vários dias desde que terminei a leitura de We Have Always Lived in the Castle da escritora norte-americana Shirley Jackson. Estava quase desistindo de escrever sobre ele e ia saltar direto para o Bough Down de Karen Green (fica para outro dia), mas minha resolução de ano novo (cofcof) é que vou escrever um post para cada livro que adorei, então vamos lá.

Motivos para gostar de We Have Always… são vários. A capa pode enganar (parece de livro infantojuvenil), a autora também (Jackson é conhecida pelo terror The Haunting of Hill House, além de ser influência de autores como Stephen King e Richard Matheson – o que levaria o leitor a pensar que teria em mãos um livro de terror, pelo menos no sentido mais genérico da palavra). Mas se posso dar um conselho é: abandone as tentativas de adivinhações e se deixe levar pela história das duas irmãs Blackwood.

Continue lendo “We Have Always Lived in the Castle (Shirley Jackson)”

Os melhores filmes de 2014

Opa, caaaalma aí que o ano não pode acabar sem este post. Sei que fiquei devendo muito post aqui (Boyhood! Snowpiercer! The Obvious Child!), mas vá lá, com sorte em 2015 eu melhoro o ritmo de postagens. Explicando para quem chegou agora: há 10 anos eu faço um top10 com filmes que estrearam no Brasil (ou seja, filmes de outros anos ficam de fora). Este ano estou incluindo lançamentos de 2014 que não necessariamente chegaram por aqui (alguns só em festivais), vocês saberão quais são porque eles ainda não têm título em português. Ah, sim. Nunca é demais lembrar que é uma lista pessoal e yadda yadda yadda.

As listas dos anos anteriores você pode encontrar aqui: 2004 | 2005 | 2006 | 2007 | 2008 | 2009 | 2010 | 2013.

1. Boyhood: Linklater ainda tentando achar um jeito de conquistar o Tempo. Queria ter feito um post só dele, fica para outra hora (outro ano, outro dia).
1

Continue lendo “Os melhores filmes de 2014”