Fangirl (Rainbow Rowell)

FANGIRL_CoverDec2012Dois meses e já li três livros da Rowell. Terei virado fangirl? Ok, usei logo o trocadilho para não cair em tentação mais para frente. O negócio é que sim, a moça tem um jeito gostoso de contar história mesmo. Você começa achando que é meio “meh” e depois está completamente envolvido com as personagens, por mais que o drama central da narrativa seja meio bobinho (no caso de Fangirl, bobinho é eufemismo). É, como comentei sobre Eleanor & Park, uma viagem para a adolescência, aquele “matar saudades” de quando você achava que um carinha era a-coisa-mais-importante-do-mundo e variações de outras coisas que te fazem dar um tapa na testa hoje em dia e pensar “Caraca, eu era uma monga”. Mas ao mesmo tempo que você faz isso, já pensa que bem, eram bons tempos e ser monga era permitido e cá está você de boa, então no harm done, vamos lembrar desse período como algo bom. Enfim, acho que deu para entender.

Continuando, eu acho que Fangirl é um presente da Rowell para os Potterheads. Poderia ser para qualquer outro fandom entre os milhares existentes por aí, é evidente, mas você não consegue deixar de lado as óbvias referências e principalmente, da homenagem que a autora presta aos leitores que cresceram (literalmente) lendo Harry Potter. Você sabe, este não é meu caso. Morro de inveja dessa galerinha que mal tinha entrado na adolescência quando leu o primeiro livro e já estava quase chegando na fase adulta quando leu o último. Deve ter sido uma experiência única, crescer junto com um livro. Não à toa esse pessoal é profundamente devotado, e continua falando dos livros como se o último não tivesse sido publicado há o que? Uns seis anos? É essa paixão pelos livros que a Rowell acaba captando ao contar a história de Cather, uma garota completamente obcecada pelas histórias de Simon Snow (o que seria aqui o equivalente de Harry Potter). Dezoito anos, morando fora de casa pela primeira vez, começando a se ambientar na faculdade e mantendo firme o amor pelas histórias de Snow, bem como o gosto por escrever fanfics sobre a personagem.

Aqui uma pausa. Lembro que era minha primeira semana de aula no curso de Letras, era uma daquelas aulas que serviam para todas as habilitações então os alunos só cabiam no anfiteatro. Eu lá no fundão dando aquela olhada geral na turma, reparei que uma menina do Espanhol abriu o penal e nele estava colada… uma foto do Enrique Iglesias. Eu pensei “Oi, como assim? Estou numa turma de oitava série?”. O engraçado é que julguei a garota quando naquela época eu estava usando minhas aulas de fonética para aprender a escrever em tengwar e bem, quando eu ficava entendiada em alguma aula eu começava a rabiscar um plano para um livro de fantasia envolvendo qualquer coisa sobre encontrar uma espada, reinos em conflito e alguns toques de wicca (porque eu era wiccan).  Acho que deu para entender sem que eu tenha que contar mais coisas. É. Então, esse momento em que entramos na faculdade é meio nebuloso e às vezes você precisa de um par de anos após a formatura para entender que todos naquele anfiteatro estavam no mesmo barco, deixando de ser adolescentes e lidando com isso. Hmm, ok. Nem todos. Toda turma tem sempre um cara mais velho correndo o risco de jubilar.

Mas divago. O fato é que Cath (como gosta de ser chamada) está nessa zona cinza entre adolescência e a fase adulta, tendo que lidar com coisas que antes não tinha, novas responsabilidades. E garotos, claro. Não é um livro da Rowell sem garotos fofos que você que apertar as bochechas, como é o caso do Levi em Fangirl. Ele surge como o namorado da companheira de quarto de Cath, Reagan (e aqui a Rowell me desculpe, mas não consegui tirar a Megan de Felicity da cabeça), e está sempre sorrindo e sendo legal e querido e eu tinha certeza de que até o final do livro ele iria morrer, porque eu só lembro de uma personagem assim em literatura YA e ele tinha câncer (o Augustus de A culpa é das estrelas). Cada vez que Levi entrava no caminhão eu pensava “Pqp, a Rowell vai matar o carinha agora”. Tá, mas Fangirl é sobre uma fangirl (duh) e não sobre o Levi, então vamos deixar isso de lado e voltar para a Cath.

Um trecho de fanfic ou dos livros  Simon Snow antecedem cada capítulo, dando uma pista do que está passando na cabeça de Cath no momento. Sim, fanfic é o elemento principal da história, aliás, o ato de escrever/contar histórias é mais importante do que qualquer interesse romântico da protagonista, porque em vários momentos ela aparece pensando sobre a dificuldade do processo criativo (como quando conta para a professora que não consegue imaginar um mundo por conta própria, e a professora sugere que ela use o próprio mundo nas histórias). É algo bacana de acompanhar, especialmente para quem sabe do que Cath está falando (eu já li fanfics, então estou acostumadas com alguns termos, como slash, por exemplo. E entendo o que a personagem quer dizer sobre a história de suas personagens favoritas não ter fim quando você vê uma possibilidade das fanfics.  E é um jeito novo de lidar com algo que gostamos, pelo menos no formato como vemos na Internet. É um jeito de permitir que o leitor reimagine as personagens, não se prenda só ao que está escrito.

Ok, eu sei que os exemplos que darei para explicar isso não são muito felizes, mas Cinquenta Tons de Cinza e O Inferno de Gabriel eram fanfics de Crepúsculo. O que os dois têm em comum? Putaria. O que não tinha em Crepúsculo? Putaria. Lembro que na época em que os livros estavam saindo a Stephenie Meyer ganhou o apelido de empata-foda porque ela criava situações em que Bella e Edward quase chegavam lá mas hum, Edward só queria depois do casamento etc. etc. etc. Era frustrante, e é por isso que tanta guria saiu escrevendo histórias cheias de sexo: Meyer não tinha mais poder sobre suas personagens, já que eles habitavam a imaginação de suas leitoras, e a imaginação das leitoras queria o Edward mandando ver. O mesmo acontece em outros fandoms, embora o assunto não seja necessariamente sexo ou mesmo formações alternativas de casais. É algo tão comum, aliás, que a Amazon já até arrumou um jeito de lucrar com isso, criando o Kindle Worlds, onde o pessoal pode publicar fanfics.

“Mas Anica, e os Potterheads?”. Então. O momento da história de Cath coincide com o lançamento do último livro do Simon Snow. Há uma brincadeira sobre fila para comprar livro à meia-noite, a emoção de ter em mãos o último volume da série, o cuidado para fugir dos spoilers… está tudo ali. Tem outro nome, mas você que passou por isso provavelmente se reconhecerá ali. Eu, que nem estava nessa acabei me emocionando e pensando em ‘n’ pessoas que conheço que passaram por isso e para quem vou acabar indicando o livro. Assim: é o mais fraquinho da Rowell (acho que não gostei da Cath, para falar bem a verdade), mas ainda assim é divertido.

Para quem ficou interessado (e lê em inglês, já que o livro acabou de sair lá fora e ainda não chegou aqui), o primeiro Book Club oficial do Tumblr é sobre Fangirl. O site da autora também é bem bacaninha (e todo fofucho, como os livros dela são). E já que foram aí três livros, por ordem de gosto eu fico assim:

eleanorpark > Attachments-cover > FANGIRL_CoverDec2012

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Malz se este post estiver meio sem sentido. Tuco doente em casa, fica complicado: escrevo uma frase, paro. Um parágrafo, paro…

5 comentários em “Fangirl (Rainbow Rowell)”

  1. Tive a mesma sensação! Também não peguei a “febre” HP desde o começo, na verdade nem li todos os livros até hoje (parei no terceiro), por isso a Cath não ressoou comigo do mesmo jeito que as outras meninas. E admito que comprei com medinho, justamente pelo assunto ser até meio distante de mim, pois conheço fandom só de ouvir falar. Mas é a Rowell, e como não ler, né?
    Achei legal também o fato de ela ter colocado um falso triângulo amoroso, e ainda por cima com um menino bem aproveitador. Parece que esse lado mais mesquinho das pessoas tende a ficar de fora de romances, e taí mais um motivo pra gostar da autora – do mesmo jeito que mostrou problemas mais sérios no Eleanor & Park, ela consegue mostrar como esses abusos pequenos, corriqueiros, podem ter um peso desproporcional na vida de alguém que esteja fragilizado.
    Bjs

    1. Marcia, eu também não terminei os Harry Potter hahaha Vivo adiando a leitura dos que faltaram, e nem foi por falta de gostar, mas argh, sempre tem outra coisa na frente >< O negócio do triângulo amoroso falso eu também gostei, se bem que ela se resolvendo com o levi tão rápido (acho que era 40% do livro ainda, não sei), fiquei realmente com medo de que a rowell fosse matar o cara ><'

      1. John Green me traumatizou! auhauhauha Entendo perfeitamente, quando terminei TFiOS fiquei uns três dias xingando quem tinha me recomendado a leitura. Ô coisa triste, sô!

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