Feche os olhos e pense em um detetive particular dos filmes e livros noir. Pensou? Provavelmente o que veio na sua mente foi aquele sujeito meio cínico, de atitudes violentas quando necessárias, senso de humor corrosivo e cujo visual assemelha-se muito com Humphrey Bogart usando chapéu e capote, e sempre com um cigarro por perto, como dá para ver nessa imagem aqui:

Isso não acontece à toa. Muito do que se lê/vê de noir teve fortíssima influência de Raymond Chandler (1888-1959), que nos tempos do pós-Guerra e pós-Depressão escreveu várias histórias com uma personagem que viraria modelo de detetive particular, Philip Marlowe. E é lendo obras como O longo adeus (publicada originalmente em 1954) que dá para ter uma ideia de porque a personagem ficou tão famosa e, mais do que isso, porque é tão imitada.
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Carregado do preconceito de “coisa para criança”, o livro ilustrado (ou picture book em inglês) parece render pouca discussão e até mesmo merecer pouca atenção do público mais velho. Mas fica a ênfase para a palavra “parece”, como mostra Sophie Van der Linden em seu excelente Para ler o livro ilustrado (publicado no Brasil recentemente pela Cosac Naify). Através de uma pesquisa bastante aprofundada ela nos mostra que de simplório esses livros não têm nada, e possuem mecanismos próprios e complexos, no que vem a ser uma combinação do texto com a imagem.
Vinte anos após a publicação de Haroun e o Mar de Histórias, Salman Rushdie publica o que seria uma continuação desse primeiro livro, Luka e o Fogo da Vida. De fato, personagens do primeiro livro reaparecem, mas como o foco desta vez é o caçula do contador de histórias Rashid Khalifa, o que temos é uma obra que pode ser lida de forma independente sem apresentar qualquer dificuldade de compreensão.