Hora de Voltar

E eu continuo com meus critérios altamente bizarros para escolher um filme. Desta vez assisti Hora de Voltar (Garden State) porque tinha “o carinha do Scrubs” no papel principal e porque há anos (literalmente!) via essa imagem aqui:

E queria entender o contexto. Ótimos critérios para pular a fila enorme de filmes para se assistir, ahn? Porém desta vez eu dei sorte (ao contrário do que aconteceu com Heathers) e gostei muito de Hora de Voltar. Não é daquelas histórias que mudarão sua vida, mas ao mesmo tempo são tão encantadoras que você vai até o fim e pensa, puxa, que legal que tive a chance de assistir.

O enredo é bem simples: Andrew Largeman (Zach Braff, “o carinha do Scrubs” que depois descobri que também é roteirista e diretor nesse filme) está vivendo em Los Angeles numa espécie de exílio quando o pai liga para avisá-lo de que a mãe morrera. Ele então retorna à cidade natal para o funeral, e lá reencontra amigos e conhece Sam (Natalie Portman em uma versão mais inocente e doce da Alice de Closer). É tudo montado de forma a incluir diversos diálogos sobre família, deslocamento e tornar-se um adulto.

A questão é que é tudo marcado por uma melancolia e ao mesmo tempo um certo senso de humor, de forma que mesmo que a personagem esteja falando o óbvio (sim, crescer sux), mesmo assim é possível se encantar pela história e se deixar levar enquanto assiste. Largeman parece alguém tão perdido e ao mesmo tempo tão inerte que no final das contas apresenta-se como uma óbvia bomba relógio prestes a estourar. E a surpresa é justamente que ele não estoura, nada de ruim acontece e mesmo assim o filme prende sua atenção durante pouco mais de uma hora e meia.

Dos pontos abordados na história talvez o que eu mais tenha gostado seja a questão da família, inclusive daquele momento em que a pessoa tem que sair debaixo das asas dos pais e fazer sua própria vida. A respeito disso, a personagem Largeman na piscina com Sam fala uma das coisas mais bacanas que vi no cinema nos últimos tempos:

You’ll see one day when you move out it just sort of happens one day and it’s gone. You feel like you can never get it back. It’s like you feel homesick for a place that doesn’t even exist. Maybe it’s like this rite of passage, you know. You won’t ever have this feeling again until you create a new idea of home for yourself, you know, for your kids, for the family you start, it’s like a cycle or something. I don’t know, but I miss the idea of it, you know. Maybe that’s all family really is. A group of people that miss the same imaginary place.

É um filme doce, bacana e que vale a pena conhecer, especialmente se você não é do time que acha que uma história deva ser marcada por grandes tragédias ou eventos para ser interessante. O grande evento/tragédia da história de Largeman vemos já no começo, que é a morte da mãe. Não espere nada mais do que isso, e tenho certeza de que gostará muito de Hora de Voltar.

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