Mystic River (Dennis Lehane)

Há coisa de quatro anos atrás eu terminei meu post falando de Sobre Meninos e Lobos com um “Veja o filme, leia o livro”, indicando um link para a tradução do romance de Dennis Lehane no qual o filme de Clint Eastwood foi adaptado. O fato é que eu mesma não segui minha indicação e só agora finalmente li a obra. E eu poderia até me arrepender por ter demorado tanto para ler um livro tão bom, mas o fato é que não ter mais a lembrança da versão cinematográfica na cabeça provavelmente ajudou muito na hora da leitura.

Eu lembrava das atuações brilhantes do elenco (portanto lembrava do elenco), mas parava aí. Não lembrava de mais nadica de nada da história, e foi quase como ler pela primeira vez. E, levando em conta que é um policial, isso é muito bom.

Para quem não viu ou não lembra do filme, vamos recapitular: dois sujeitos que se dizem policiais abordam três garotos na rua, levando um deles para não se sabe onde. Depois desse dia os amigos se distanciam, e só voltam a se encontrar anos depois, já adultos, quando a filha de um deles morre.

Os caminhos que levam as personagens até isso falam muito mais alto do que o mistério em si. Há qualquer coisa na narrativa de Lehane que faz com que você simpatize e se identifique automaticamente com todas as personagens, até as secundárias. O momento no qual o pai está tentando “se enganar” e não acreditar que a filha morreu, por exemplo, é fantástico. A conversa que segue com o policial após o reconhecimento do corpo, ainda mais.

Não são palavras bonitas, no sentido de frase feita. São ditos simples, que poderiam sair da boca de qualquer um. E isso empresta uma verossimilhança gigante para toda a história. Mais do que isso, envolve o leitor de tal maneira que às vezes não dá nem vontade de parar de ler.

Eu sei que não segui minha dica anos atrás, mas deixo agora o conselho para o pessoal que gosta de ler e está meio sem idéias atualmente. Mystic River é realmente imperdível. Só prestem atenção onde é que vão comprar, porque pagar 50 pilas pela tradução é meio que um roubo, heim.

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