Sobre Meninos e Lobos

“Sobre Meninos e Lobos” é um filme interessante: poderia ser um policial, mas (não sei se pelas atuações) acaba indo muito além disso. Em determinado momento você está mais curioso sobre as reações das personagens do que sobre quem cometeu o crime em si.Se for levar em consideração como começa a história, acredito que o filme fale sobre decisões e conseqüências. No caso, três crianças são abordadas por um homem que faz com que uma delas entre no carro. O sujeito era na verdade um sequestrador, que prende o garoto em um porão para abusar dele.

A partir do momento que o menino escapa do porão, começa a história de fato. Quase 30 anos depois, quando os amigos já se tornaram apenas ‘conhecidos’, a filha de um deles é assassinada. A partir disso eles se aproximam novamente, a medida que as pistas do assassinato vão aparecendo.

Como já disse, seria raso se prender na história do assassinato em si. Embora tenha sido muito bem conduzida, isso se torna o mínimo perto das atuações do Sean Penn, Tim Robbins e Marcia Gay Harden. Através delas é possível ter a certeza de que não existem personagens bons ou ruins nessa história: são humanos se deixando levar pelas conseqüências de suas decisões erradas.

Tim Robbins é um caso à parte. O papel dele era difícil, porque embora um tanto instável e marcado pelo trauma de infância, ele deveria aparentar um homem ‘comum’. A serenidade da expressão dele ao falar com Jimmy, ou a confusão ao tentar se explicar para a esposa são simplesmente brilhantes.

Eu realmente tenho que dar o braço a torcer: Clint Eastwood acertou a mão com esse filme. É tão contrastante como só uma história sobre pessoas comuns pode ser.

Veja o filme, leia o livro.

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