Aqui eu vou ter que pedir que quem não leu o livro confie em mim e vá ler antes de continuar lendo esse post. Porque ao contrário do que aconteceu com Pequena Abelha, no caso de Never Let Me Go de Kazuo Ishiguro (publicado no Brasil pela Companhia das Letras como Não me abandone jamais) quanto menos você souber sobre o livro melhor. MESMO. Parte do que me fez gostar tanto do livro foi poder me surpreender com a história, mas infelizmente para comentá-lo terei que expor o enredo. Então vá atrás de Never Let Me Go (não vale roubar e assistir ao filme, heim!) e depois volte aqui.
Então que era tanta gente lendo aqui e acolá, comentando sobre o filme e tudo o mais que resolvi conhecer a obra de Ishiguro. Como sempre faço antes de comprar qualquer livro, dei uma olhada em sinopses para saber do que se tratava. Todas que li falavam a mesma coisa: três amigos que cresceram em um internato quando adultos precisam lidar com a realidade que terão que encarar. A narrativa é dividida em três momentos, sendo o primeiro o que descreve a infância desses três amigos: Kathy (a narradora), Tommy e Ruth.
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Vamos partir de alguns princípios: sim, os clássicos são bons. Aguçam a mente, provocam e são inesquecíveis. Mas não há nada de errado em, de quando em quando, pegar um livro que serve para puro entretenimento, tipo aquela infinidade de títulos chicklit. Não, não estou justificando o que seria meu “guilty pleasure“, mas dando um conselho para quem ainda acha que tem que provar algo para alguém de acordo com o que lê: Não, você não tem. Ler tem que ser um prazer.
Na apresentação dessa coletânea de contos de Guy de Maupassant publicada pela Companhia das Letras, Noemi Mortiz Kon conta que a educação literária do escritor ficou por conta de ninguém mais, ninguém menos do que Gustave Flaubert. A condição para ser aceito como pupilo é que escrevesse sem parar e que não publicasse seus primeiros textos. O resultado desse “treinamento” de Flaubert fica óbvio ao constatarmos o tamanho do livro (mais de 800 páginas) e a qualidade dos contos nele presentes. E se pensar que foram escolhidos (ou seja, outros ficaram de fora), temos aí um autor que realmente levou a sério a tarefa de escrever ininterruptamente.
O belga Georges Simenon conta com um currículo invejável para qualquer escritor: são mais de 200 romances, 155 contos e 25 textos autobiográficos. Com tamanha produção literária, não é de se espantar que ele pegue um gênero e consiga sair da mesmice, fugindo das fórmulas básicas que se repetem em outras tantas obras de escritores variados.
Sempre lembro de um momento em O Tempo e o Vento de Érico Verissimo no qual uma personagem dizia que O Capital de Marx era o livro mais citado e menos lido de todos os tempos. Se fôssemos esticar o raciocínio para um autor, tenho certeza que o campeão seria o russo Fiódor Dostoiévski. Por alguma razão que me escapa ele ganhou fama de “leitura difícil”, e por consequência quem o lê seria automaticamente uma pessoa inteligente. Portanto o autor consta em diversas listas de livros favoritos, muitas vezes mais como uma espécie de troféu “ah, eu venci essa leitura!” do que como uma indicação de prazer. O nome na lista não significa necessariamente que o autor foi lido, pelo menos não no sentido de imersão na obra.
A leitura mais aprofundada é terreno perigoso: se você se prende demais ao contexto social de uma obra, pode distorcer a dita intenção do autor. Mas se não voltar o olhar para o momento no qual a obra foi criada muito do valor do livro pode simplesmente se perder. É o caso de O amante de Lady Chatterley (de D.H. Lawrence), publicado com nova tradução aqui no Brasil no mês passado pela Companhia das Letras através do selo Penguin Companhia das Letras.
A
Sei que devemos muito à Audrey Hepburn por imortalizar a imagem de Holly Golightly em frente à joalheria Tiffany’s no filme 