The saddest of songs I’ll sing for you

“Talvez não haja comparação entre Ian dormir com Laura e ‘Cães de Aluguel’, afinal. Ian não tem Harvey Keitel e Tim Roth no elenco. E Ian não é engraçado. Nem violento. E a trilha sonora dele é uma bosta, a julgar pelo que ouvíamos através do teto. Já chega disto.” (Nick Hornby, Alta Fidelidade)

Eu sempre tive certeza de que se minha vida fosse uma comédia romântica, o cara responsável pela trilha sonora teria um senso de humor um tanto peculiar. As canções nunca batem com o que está acontecendo, e não vou falar nem de quantidade de música horrível que faz parte da minha biografia.

Por exemplo, a primeira música que dancei com um menino. Era festinha de aniversário de uma amiga, ela convidou algumas pessoas e entre elas um guri por quem eu nutria uma paixão platônica há uns tempos. Era um amigo que eu queria que virasse mais do que amigo, mas nunca foi mais do que amigo – enfim, para ele fica reservado o título de “primeira pessoa com quem dancei uma música lenta”, evento canônico na vida de uma adolescente dos anos 90.

A festa era um jantar e depois minha amiga começou a tocar alguns discos na sala. O guri me chamou para dançar e aí alguns detalhes foram completamente apagados da minha memória: ele foi pressionado por minha amiga para me convidar? Eu que fui doida e chamei e lembro errado como se ele tivesse chamado? Não sei, só lembro que eram poucas pessoas e meio que fomos só nós dois ali na sala dançando, talvez só mais um par. Tenho que reconhecer que ele foi corajoso, mas a música que dançamos foi… BED OF FUCKING ROSES DO BON JOVI. Veja bem, era parte da minha personalidade de adolescente idiota “não ser como as outras garotas” e portanto detestar Bon Jovi. Continue lendo “The saddest of songs I’ll sing for you”