Noturno (Guillermo Del Toro e Chuck Hogan)

Eu não me canso de comentar aqui que um dos meus filmes de terror preferidos de todos os tempos é A Espinha do Diabo, com roteiro e direção do Guillermo Del Toro. E tem um dos filmes mais bacanas que vi recentemente que também carrega a assinatura do Del Toro, O Labirinto do Fauno. Então é natural que eu tenha ficado extremamente curiosa sobre o tal do “livro de terror de Guillermo Del Toro”, certo? Poisé, acabei encomendando The Strain (que chegou nessa semana nas livrarias brasileiras como Noturno), fazendo essa pequena equação na minha cabeça: imagens horripilantes no cinema + bons sustos no cinema = certeza de que na literatura será assim.

Bem. Não é bem assim. É uma obra muito legal, e dá para dizer que pelo menos uns dois terços dela pegam fogo e fazem você devorar todas as páginas. Mas chega para o final e perde o gás. É quase como se fosse uma montanha-russa cheia de loopings que acaba numa sequência meio boba de retas. O resto desse post eu vou dividir em dois tópicos: PARA OS QUE SABEM QUEM SÃO OS VILÕES DO LIVRO e PARA QUEM NÃO FAZ A MENOR IDEIA DE QUEM SÃO OS VILÕES DO LIVRO. Para Noturno ser uma experiência bacana, eu acho fundamental que você tente buscar menos informações possíveis sobre o livro quando for ler, então caso se enquandre no segundo caso, leia só essa parte. MESMO.

PARA OS QUE SABEM QUEM SÃO OS VILÕES DO LIVRO

Pois então, meu amigo. Infelizmente alguém achou que seria uma ótima ideia embarcar nessa onda vampiresca iniciada pela Stephenie Meyer e seu Crepúsculo, e aí resolveu divulgar o livro entregando logo de cara quem são os vilões da história. A cagada editorial é tipo a dos que resolveram traduzir Salem’s Lot como “A hora do vampiro”. Porque Noturno não é óbvio quanto a isso. A primeira vez que uma personagem fala a palavra, relacionando-a ao horror que estão vivendo, é quase na metade da história (senão na metade).

O que é uma pena. Tenho certeza que teria gostado muito mais se fosse conduzida às cegas pela narrativa até o momento “Ok, agora você pode saber do que estamos falando”. Porque os vampiros de Del Toro chegam como ameaça biológica, parasita que transforma o corpo do hospedeiro de maneira tal que esse transforma-se em um monstro. Mas uma criatura que nada tem a ver com o Drácula ou, hum, Edward (hehehe).

Sem esse fator de surpresa, o final fica um tanto cansativo, porque aí o leitor já sabe desde o começo que estão falando de vampiros e yadda yadda yadda The Master yada yadda yadda temos que descobrir onde eles está yadda yadda yadda. Enfim, acho que deu para ter uma ideia. Sério, li as 300 primeiras páginas num pulo. As últimas 100 foram se arrastando. De qualquer forma no fringir dos ovos a leitura valeu a pena – até porque o filme grita FAÇAM UMA VERSÃO CINEMATOGRÁFICA!! E você fica na maior curiosidade de como seria no cinema.

PARA QUEM NÃO FAZ A MENOR IDEIA DE QUEM SÃO OS VILÕES DO LIVRO

Continue assim. Não saiba. E pare de procurar informações sobre o livro. A surpresa valerá a pena, e talvez o final, que na minha opinião foi  meio coca-cola sem gás, seja muito bom para você. Se mesmo assim não aguentar a curiosidade, leve em conta que:

– Um avião pousa no aeroporto e então simplesmente apaga. E por apaga, isso significa tanto a embarcação quanto os tripulantes. Especialistas investigarão o que ocorreu, no maior climão Arquivo X.

– É uma trilogia, então se você é do tipo curioso que não se aguenta talvez seja uma boa esperar pelo menos o lançamento do segundo livro antes de começar esse.

E é isso que você deve saber.

3 comentários em “Noturno (Guillermo Del Toro e Chuck Hogan)”

  1. Eu li a achei fraco.
    Os vampiros são cópia do Blade 2 (dirigido também por Del Toro) e as situações são clichê.
    Sem contar que o livro demoooora a engrenar, já que acena do avião no início demora demais.
    Também acho o Del Toro um dos diretores mais talentosos da atualidade, mas aqui ele escorregou.
    Se os próximos livros da trilogia forem melhores, aí tudo bem.
    Valeu.

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