Embora seja mais conhecido como dramaturgo, o siciliano e ganhador do Prêmio Nobel Luigi Pirandello (1867-1936) produziu literatura dos mais variados gêneros, incluindo a poesia e as novelas. São essas que se encontram reunidas no volume 40 Novelas que faz parte da Coleção Prêmio Nobel da Companhia das Letras, com seleção, tradução e (excelente) prefácio de Maurício Santana Dias. Todos os textos dessa coletânea depois foram desenvolvidos por Pirandello em peças de teatro (das 40, 31 peças foram originadas), por isso serve como apresentação para os que não conhecem o autor, e como aprofundamento para quem já conhece a porção dramaturgo de Pirandello.
As novelas presentes na coletânea lembram muito a definição que Nádia Gotlib apresenta em Teoria do Conto: não tanto ligada ao tamanho do texto (alguns são curtos o suficiente para serem definidos como contos), mas por levar “a marca do eu criador (…) que tenta representar uma parcela peculiar da realidade, segundo seu ponto de vista único”. São indiscutivelmente marcados por um tom único que só Pirandello conseguiria imprimir aos pequenos retratos daquela Itália de Pirandello, vivendo a transição do passado com a modernidade, e talvez por isso mesmo misturando a melancolia com o humor de um jeito único. São pequenos recortes, alguns de momentos até bem banais (como o da novela que abre a coletânea, Limões da Sicília), com outros que trazem um toque sutil de fantástico, como O filho trocado. Continue lendo “40 Novelas (Luigi Pirandello)”


Se você gosta de programas culinários em algum momento já deve ter ouvido falar de Anthony Bourdain. Foi chef em diversos restaurentes de Nova York, mas atingiu fama mesmo após a publicação de seu livro
Vencedor de diversos prêmios literários (entre eles o Jabuti e o Açorianos) André Neves já publicou mais de 30 livros, escrevendo e ilustrando histórias infantis. Com Obax, lançado pela Brinque-Book, fica evidente o cuidado do trabalho de Neves, que neste caso incluiu uma boa pesquisa sobre o oeste africano, para trazer para as páginas do livro o lirismo e cores da cultura desta região.
Falar que Arthur Miller é um dos maiores nomes da dramaturgia norte-americana é até um lugar comum. Não há quem goste de teatro e em algum momento não tenha cruzado com algum texto seu, sendo que o encontro se dá normalmente com duas de suas obras mais famosas, A morte de um caixeiro viajante (Death of a Salesman) e As bruxas de Salém (The Crucible). A força de seu texto está principalmente no retrato fiel de uma época, o pós-guerra nos Estados Unidos, que tão fortemente moldou a sociedade daquela época, seja com valores como o do “sonho americano” como com a histeria do anti-comunismo.
1568. Maria, a rainha dos escoceses, foge para a Inglaterra buscando apoio da prima Elizabeth, então há dez anos rainha dos ingleses. Maria era acusada de ter tramado a morte do próprio marido, Lord Darnley, junto com o conde de Bothwell – com quem casou tão logo Darnley morrera, por isso atraindo as suspeitas. Os escoceses a obrigaram a abdicar o trono, e é com Elizabeth que ela busca ajuda. O problema é que dez anos antes ela já havia dificultado a coroação de Elizabeth, querendo para si o título de rainha dos ingleses. É então evidente que a prima não facilite as coisas para Maria, mantendo-a prisioneira sob a guarda de George Talbot, o conde de Shrewsbury.
Quando iniciei a leitura de Persuasão, confesso ter feito isso pensando em “dar uma segunda chance” para Jane Austen. Gosto muito de