As melhores leituras de 2017

Tem ano que é difícil fechar uma lista com dez livros, porque a maior parte das leituras ficaram só na média. Aí tem outros anos como 2017, que por mais sorte do que qualquer outra coisa, foi difícil fechar a lista por causa do tanto de coisa boa que li e não queria deixar de fora.

Enfim, que fique registrado que 2017 foi o ano que conheci Margaret Atwood. E assim, pela obviedade da presença da dona Atwood, vou começar o top10 a partir do favorito do ano. E vamos logo lá para a lista porque do jeito que estou me enrolando é capaz de sair junto com a de 2018.

1. O Conto da Aia (Margaret Atwood): Não fui a diferentona nesse caso. Como muitas pessoas eu acabei lendo O Conto da Aia por causa da adaptação para a tv. Eu sei que é uma obra de 30 e tantos anos que ainda é atual. E é assustadora, porque talvez ela será para sempre atual: o truque de Atwood ao imaginar a distópica Gilead é não ter usado nada que já não tivesse acontecido (ou acontecendo) no mundo real. Aliás, o fato de o livro terminar com um epílogo com comentários de homens sobre o relato da aia por si só já é uma baita de uma pancada. É livro para ler aos poucos, até pelo incômodo que provoca. Mas é indispensável, ainda mais em tempos loucos como o que entramos.

Bônus track: Alias Grace. Também li por causa da série e também achei maravilhoso. Só não coloquei na lista porque não queria repetir autor num ano com tanta coisa boa.

2. Lincoln in the Bardo (George Saunders): Falei muito desse livro durante o ano, recomendando para todo mundo que encontrava porque eta livro bom. Foi um dos últimos que acabaram rendendo post aqui no blog, então vou deixar o link para o que comentei sobre ele aqui. E a boa notícia é que a Companhia das Letras lançará por aqui agora em 2018. Tenho certeza de que aparecerá em muitas listas de favoritos, assim como aconteceu com os gringos.

3. O Vendido (Paul Beatty): O livro saiu em 2015 lá fora e chegou por essas bandas pela Todavia em 2017. Apareceu em um monte de lista de favoritos, papou vários prêmios literários e mesmo assim nada, absolutamente nada poderia ter me preparado para o que li. Eu ria alto enquanto lia e tão logo ria me sentia péssima por estar rindo. Sim, o humor do Beatty é um negócio esquisito, mas é tão, tão necessário.

4. Her Body and other Parties (Carmen Maria Machado): A coletânea de contos apareceu no meu radar por causa de um artigo sobre um dos textos presentes no livro, The Husband Stitch (que você pode ler no site da Granta). Gostei tanto, tanto que quis conhecer outros contos da autora. Não sabia como seriam os outros contos, mas todos têm um pé na fantasia (e terror, dependendo de quem está lendo). Acho que um dos meus favoritos é Inventory, mas todos, até o com a proposta mais doida (Especially Heinous) são muito bons. Não fiz uma pesquisa muito demorada para saber se chegou aqui no Brasil ou não, mas torço de verdade que as editoras prestem atenção na Carmen Maria Machado.

5. Manual da Faxineira (Lucia Berlin): Mais uma coletânea de contos, aqui no caso tem aquele “efeito Stoner“, uma autora que foi redescoberta e que todo mundo acabou caindo de amores. Não é por acaso, Lucia Berlin consegue trazer luz para o mais mundano, beleza para o mais dolorido. Tem toda uma conversa sobre vida mesclando com arte, mas se você fecha os olhos e relembra o que acabou de ler depois que uma narradora descreve seu primeiro mergulho, dá para entender que ela poderia escrever sobre qualquer coisa, qualquer mesmo, e o efeito seria o mesmo.

6. Os Antiquários (Pablo de Santis): Eu tenho uma verdadeira paixão por história de vampiros, mas sou meio chatonilda sobre “recriações do mito”. No caso de Os Antiquários, funciona muito bem, a história é aquilo que volta e meia você lê resumida em blurbs como “Envolvente”. Quando você percebe, já passaram muitas horas e você estava lá, lendo, tentando seguir os passos do narrador na Buenos Aires dos anos 50. É muito legal, e tem algo nesse livro que lembra muito alguns autores de policial aqui do Brasil. (Ganhei de presente do Gabriel <3)

7. Moxie (Jennifer Mathieu): Ando completamente sem paciência para livro YA porque fora um caso ou outro, eles parecem estar seguindo receita de bolo. Não tem mais aquele cheirinho de novidade como com Eleanor & Park, Por Lugares Incríveis ou O Maravilhoso Agora, por exemplo. Aí quase no fim do ano caiu Moxie em minhas mãos e olha, que livro bacana. É o tipo de livro que eu gostaria que meus alunos adolescentes lessem. Sim, tem aquela coisa de se valer de tipos para desenvolver quase a maior parte das personagens, mas a ideia da menina ganhando voz e dando voz para outras garotas através de fanzines me conquistou por completo. Não sei se já saiu aqui no Brasil, torcendo para que alguma editora já tenha investido nesse para a gurizada daqui poder ler também.

8. 84, Charing Cross Road (Helene Hanff): Sugestão da Gabriela (melhor pessoa <3 ). É livro para gente ~~dos livros~~, não tem muito o que dizer. Você acaba lendo as cartas e se apegando a todo mundo que a Hanff acaba conhecendo da livraria que dá título ao livro. As observações dela sobre as leituras e seus hábitos são ótimas (e sim, em boa parte você acaba se identificando). Não achei edição brasileira, e como ele é de 1970, acho meio difícil que alguma editora pense em resgatar por aqui, infelizmente.

9. Homens Elegantes (Samir Machado de Machado): Fazendo uma ligação com 34, Charing Cross Road, também é livro para gente ~~dos livros~~. E logo no começo de Homens Elegantes eu lembrei porque quando era mais nova gostava tanto de romances históricos. Homens Elegantes é aquela mistura de aventura e romance, com pitadas cômicas e um “causo” histórico ou outro que não só diverte, mas não te deixa largar o livro (“só mais umas páginas, prometo”). Ah, e sim: pontos extras por ter um antagonista chamado Conde de Bolsonaro.

10. The Silent Companions (Laura Purcell): Minha lista não está completa sem um bom terrorzinho com fantasmas, o de 2017 é The Silent Companions. Tem uma pegada meio Shirley Jackson misturado com A Colina Escarlate. Os companheiros silenciosos que dão nome ao livro são peças de madeira que os holandeses do século XVIII usavam para cobrir lareiras. Tem um artigo aqui sobre isso, e pelas imagens já dá para entender de onde vem o terror da história.

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